Justiça determina que Estado não pode reintegrar escolas ocupadas por alunos. Manifestação contra reorganização do ensino cresce em São…

Vitória: Justiça impede reintegração das escolas ocupadas

Vitória: Justiça impede reintegração das escolas ocupadasJustiça determina que Estado não pode reintegrar escolas ocupadas por alunos. Manifestação contra reorganização do ensino cresce em São…


Vitória: Justiça impede reintegração das escolas ocupadas

Foto: Wesley Passos/Democratize

Justiça determina que Estado não pode reintegrar escolas ocupadas por alunos. Manifestação contra reorganização do ensino cresce em São Paulo, e nasce a mais positiva e eficaz herança das Jornadas de Junho de 2013.

Já são 11 as escolas ocupadas por alunos em apenas uma semana, em protesto contra o projeto de reorganização do ensino promovido pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Na tarde desta sexta-feira (13), ocorreu uma reunião entre os alunos e representantes das diretorias de ensino.

A decisão partiu do juiz Luis Felipe Ferrari Bedendi, da 5ª Vara de Fazenda Pública. Segundo ele, a questão “não é a proteção da posse, mas uma questão de política pública, funcionando as ordens de reintegração como a proteção jurisdicional de uma decisão estatal que, em tese, haveria de melhor ser discutida com a população”.

Desde quinta-feira de manhã existia um clima de indecisão e de medo pelo o que pudesse vir a acontecer caso a PM fosse autorizada a invadir as escolas ocupadas pelos alunos. Muitos temiam que a brutalidade do órgão de segurança do Estado com os alunos adolescentes pudesse desencadear algo inevitável: muitos feridos e diversas prisões. Isso porque os alunos da Fernão Dias Paes já haviam deixado claro que iriam resistir, e não abririam mão da ocupação na escola.

Estudantes celebram, de baix0 de chuva, a decisão do Juiz sobre a desistência da reintegração | Foto: Wesley Passos/Democratize

Trata-se de uma vitória significativa dos estudantes das quase cem escolas que serão fechadas pela gestão tucana em São Paulo. São cerca de 311 mil alunos que serão transferidos pelo projeto de reorganização, e mais de um milhão serão impactados.

A forma como aconteceu as ocupações mostra como a mobilização de hoje tem como “mãe” os protestos de junho de 2013, promovidas pelo Movimento Passe Livre: trata-se de uma mobilização espontânea, que partiu inicialmente dos próprios alunos, que mesmo sem uma organização vertical, conseguiram ocupar até o momento mais de dez escolas, e levaram para a grande mídia o sentimento de insatisfação da grande maioria dos alunos que serão impactados pelo projeto do governo.

As manifestações do lado de fora, em apoio com as ocupações, também ajudaram — e muito — o fortalecimento desse movimento. Setores trabalhistas como os metroviários, representantes políticos como o deputado Carlos Gianazi, e até a classe artística já demonstraram apoio com a mobilização estudantil. Além disso, o movimento conta com a ajuda de outros setores sociais, como o MTST e a Frente Povo Sem Medo, que mesmo não participando ativamente das ocupações, ajudou acampando do lado de fora da escola Fernão Dias para evitar que a polícia realizasse alguma ação violenta durante as madrugadas.

Foto: Wesley Passos/Democratize

Desta forma, caso mantenha a política de decisões horizontal e sem lideranças, ficará difícil para o governo estadual “criminalizar” ou tentar apontar o dedo para possíveis responsáveis políticos — assim como ocorreu em junho de 2013, quando tanto o prefeito Fernando Haddad (PT) quanto o governador Alckmin foram obrigados a ceder, reduzindo as tarifas do transporte público.

A tendência é que mais escolas sejam ocupadas nos próximos dias. Boa parte da opinião pública já critica abertamente o projeto de reorganização do ensino — mesmo com o governo do Estado pagando por publicidade “positiva” na rede de TV e rádio, com comerciais afirmando que “nenhuma escola será fechada” e que o projeto pode trazer resultados positivos. O problema é que esse ponto de vista, até o momento, só é defendido pelo próprio governo estadual.

Antes das ocupações, ocorreu uma série de manifestações desde que a decisão do governo havia sido tomada. Na maior, com apoio da Apeoesp, mais de 90 mil pessoas participaram.

A luta dos estudantes secundaristas tem mostrado uma nova face do movimento estudantil no Brasil: mais horizontal e espontâneo, consegue com mais facilidade o apoio da opinião pública e da população, e com isso dificulta qualquer argumento do Estado de criminalização e defesa do projeto criticado.

Depois de um ano de 2015 marcado por retrocessos, vemos nascer a primeira e talvez principal herança das Jornadas de Junho de 2013: a mobilização da juventude dando resultado positivo, e mudando a visão política de uma geração.

Veja a lista das escolas ocupadas até o momento:

EE Fernão Dias Paes: Av. Pedroso de Morais, 420 — Pinheiros
EE Prof. Heloisa Assumpção: Av. Cmte. Sampaio, 1399 — Q Dezoito, Osasco
Escola Estadual CEFAM: Rua Antônio Doll de Moraes, 75 — Centro, Diadema
Escola Estadual Castro Alves: R. Francisco Bruno, 67 — Vila Mariza Mazze
EE Presidente Salvador Allende Gossens: R. Domingos Lisboa, 119 — Jardim Bonifácio
EE Ana Rosa de Araújo: R. Éden, 100 — Vl Inah
Escola Estadual Carlos Gomes: Av. Anchieta, 80 — Centro, Campinas
EE Antonio Manoel Alves de Lima: Rua Pietro Casella, 7 — Jardim Novo Santo Amaro, São Paulo
E.E. Professor Oscavo de Paula e Silva: R. Pacaembu, 96 — Bangú, Santo André
Escola Estadual Elizete de Oliveira Bertini: R. Avaré, 37 — Jardim Dom Jose, Embu das Artes
Escola Estadual Comendador Miguel Maluhy: Estr. dos Mirandas, 40 — Vila Nair, São Paulo

By Democratize on November 14, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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