O jornalista americano Glenn Greenwald, que ficou conhecido por colaborar com Edward Snowden, questionou a viagem feita pelo senador…

Visita de senador tucano aos EUA um dia após impeachment gera polêmica na mídia estrangeira

Visita de senador tucano aos EUA um dia após impeachment gera polêmica na mídia estrangeiraO jornalista americano Glenn Greenwald, que ficou conhecido por colaborar com Edward Snowden, questionou a viagem feita pelo senador…


Visita de senador tucano aos EUA um dia após impeachment gera polêmica na mídia estrangeira

O senador Aécio Neves (PSDB) abraça seu colega do Senado, Aloysio Nunes (PSDB) em sessão na casa | Foto: Fotos Públicas

O jornalista americano Glenn Greenwald, que ficou conhecido por colaborar com Edward Snowden, questionou a viagem feita pelo senador Aloysio Nunes (PSDB) a Washington, capital dos Estados Unidos, apenas um dia depois da votação do impeachment.

Greenwald ficou reconhecido mundialmente por seu incrível trabalho no britânico The Guardian, além de ter ajudado o ex-hacker do serviço de inteligência norte-americano, Edward Snowden, a revelar casos de espionagem contra a população dos Estados Unidos e chefes de Estado ao redor do mundo.

Fundador do site de notícias The Intercept, o jornalista escreveu junto com Andrew Fishman e o brasileiro David Miranda, uma reportagem sobre uma polêmica viagem feita pelo senador tucano Aloysio Nunes aos Estados Unidos hoje, apenas um dia após a votação do impeachment pela Câmara dos Deputados — que resultou na aprovação da saída da presidenta Dilma Rousseff (PT).

O texto diz que a viagem do senador tucano foi pouco divulgada pela imprensa brasileira. Aloysio foi aos Estados Unidos para participar de três dias de reuniões com várias autoridades norte-americanas, além de lobistas e pessoas influentes próximas a Clinton e outras lideranças políticas.

Veja abaixo alguns trechos da reportagem.


“ A Embaixada Brasileira em Washington e o gabinete do Sen. Nunes disseram ao The Intercept que não tinham maiores informações a respeito do almoço de terça-feira. Por email, o Albright Stonebridge Group afirmou que o evento não tem importância midiática, que é voltado “à comunidade política e de negócios de Washington”, e que não revelariam uma lista de presentes ou assuntos discutidos.

Nunes é uma figura da oposição extremamente importante — e reveladora — para viajar aos EUA para esses encontros de alto escalão. Ele concorreu à vice-presidência em 2014 na chapa do PSDB que perdeu para Dilma e agora passa a ser, claramente, uma das figuras-chave de oposição que lideram a luta do impeachment contra Dilma no Senado.

O Senador Aloysio Nunes (esquerda) com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (direita) e o Senador José Serra | Foto: Marcos Alves/Agencia O Globo

Como presidente da Comissão de Relações e Defesa Nacional do Senado, Nunes defendeu repetidas vezes que o Brasil se aproxime de uma aliança com os EUA e o Reino Unido. E — quase não é necessário dizer — Nunes foi fortemente apontado em denúncias de corrupção; em setembro, um juiz ordenou uma investigação criminal após um informante, um executivo de uma empresa de construção, declarar a investigadores ter oferecido R$ 500.000 para financiar sua campanha — R$ 300.000 enviados legalmente e mais R$ 200.000 em propinas ilícitas de caixa dois — para ganhar contratos com a Petrobras. E essa não é a primeira acusação do tipo contra ele.

A viagem de Nunes a Washington foi divulgada como ordem do próprio Temer, que está agindo como se já governasse o Brasil. Temer está furioso com o que ele considera uma mudança radical e altamente desfavorável na narrativa internacional, que tem retratado o impeachment como uma tentativa ilegal e anti-democrática da oposição, liderada por ele, para ganhar o poder de forma ilegítima.

O pretenso presidente enviou Nunes para Washington, segundo a Folha, para lançar uma “contraofensiva de relações públicas” e combater o aumento do sentimento anti-impeachment ao redor do mundo, o qual Temer afirma estar “desmoraliz[ando] as instituições brasileiras”. Demonstrando preocupação sobre a crescente percepção da tentativa da oposição brasileira de remover Dilma, Nunes disse, em Washington, “vamos explicar que o Brasil não é uma república de bananas”. Um representante de Temer afirmou que essa percepção “contamina a imagem do Brasil no exterior”.

“É uma viagem de relações públicas”, afirma Maurício Santoro, professor de ciências políticas da UFRJ, em entrevista ao The Intercept. “O desafio mais importante que Aloysio enfrenta não é o governo americano, mas a opinião pública dos EUA. É aí que a oposição está perdendo a batalha”.

Não há dúvida de que a opinião internacional se voltou contra o movimento dos partidos de oposição favoráveis ao impeachment no Brasil. Onde, apenas um mês atrás, os veículos de comunicação da mídia internacional descreviam os protestos contra o governo nas ruas de forma gloriosa, os mesmos veículos agora destacam diariamente o fato de que os motivos legais para o impeachment são, no melhor dos casos, duvidosos, e que os líderes do impeachment estão bem mais envolvidos com a corrupção do que Dilma.

Temer, em particular, estava abertamente preocupado e furioso com a denúncia do impeachment pela Organização de Estados Americanos, apoiada pelo Estados Unidos, cujo secretário-geral, Luis Almagro, disse que estava “preocupado com [a] credibilidade de alguns daqueles que julgarão e decidirão o processo” contra Dilma. “Não há nenhum fundamento para avançar em um processo de impeachment [contra Dilma], definitivamente não”.

O chefe da União das Nações Sul-Americanas, Ernesto Samper, da mesma forma, disse que o impeachment é “um motivo de séria preocupação para a segurança jurídica do Brasil e da região”.

A viagem para Washington dessa figura principal da oposição, envolvida em corrupção, um dia após a Câmara ter votado pelo impeachment de Dilma, levantará, no mínimo, dúvidas sobre a postura dos Estados Unidos em relação à remoção da presidente. Certamente, irá alimentar preocupações na esquerda brasileira sobre o papel dos Estados Unidos na instabilidade em seu país. E isso revela muito sobre as dinâmicas não debatidas que comandam o impeachment, incluindo o desejo de aproximar o Brasil dos EUA e torná-lo mais flexível diante dos interesses das empresas internacionais e de medidas de austeridade, em detrimento da agenda política que eleitores brasileiros abraçaram durante quatro eleições seguidas.”


Para ler a reportagem completa, clique aqui e acesse pelo site do The Intercept, em português.

By Democratize on April 19, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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