Parece que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), gosta de se aventurar onde não deve. A prisão de 54 estudantes que ocupavam…

Violência de Alckmin contra estudantes pode gerar um “novo Junho de 2013”

Violência de Alckmin contra estudantes pode gerar um “novo Junho de 2013”Parece que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), gosta de se aventurar onde não deve. A prisão de 54 estudantes que ocupavam…


Violência de Alckmin contra estudantes pode gerar um “novo Junho de 2013”

Foto: Alice V/Democratize

Parece que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), gosta de se aventurar onde não deve. A prisão de 54 estudantes que ocupavam três escolas na sexta-feira (13) gerou uma repercussão negativa na opinião pública. Com o atual contexto político nacional, uma nova onda de protestos pode desencadear um “novo Junho de 2013”.


O atual contexto político pelo qual o Brasil passa não é para amadores.

E o governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, parece agir cada vez mais como um político amador que não sabe quais consequências seus atos autoritários e violentos pode render no futuro — e no presente.

Na sexta-feira (13), pelo menos três prédios (uma escola e duas diretorias de ensino) ocupados por secundaristas foram invadidos por policiais militares, logo na manhã. A ação coordenada pelo governo estadual pode ser considerada ilegal: não contou com mandado judicial.

Pelo menos 54 estudantes foram presos na operação. Os secundaristas alegam ameaças que teriam partido de policiais, incluindo estupro e casos de racismo contra estudantes menores de idade.

A repercussão foi rápida.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Duas páginas no Facebook que apoiam a luta dos secundaristas em São Paulo organizaram um “protesto relâmpago” no mesmo dia, através de um evento na rede social. Geralmente, protestos que ocorrem “em cima da hora” não costumam atrair tanta atenção e mobilização. Mas foi diferente.

Marcado na Praça do Ciclista às 17 horas, a manifestação contou com pelo menos 5 mil pessoas. De forma combativa, a manifestação percorreu a Consolação e as ruas do Centro até chegar no Cordão da Mentira, ato realizado pelas Mães de Maio em memória aos crimes cometidos pelo governo tucano durante maio de 2006, caso conhecido como “os crimes de maio”.

Pelo menos mais uma manifestação foi marcada nesta próxima semana para denunciar a violência do governo tucano contra os estudantes.

No atual contexto político, com um governo considerado ilegítimo por boa parte da população brasileira no comando do Planalto, o governador Geraldo Alckmin se arrisca demais ao tratar a questão da educação como caso de polícia.

Parecem imaginar que “agora que o PT saiu, a população brasileira deverá voltar para o conformismo de sempre”.

Erraram.

Agora é que a situação deve se tornar ainda mais caótica.

Foto: Fernando DK/Democratize

Se o governo de São Paulo continuar com sua atuação de criminalização das escolas ocupadas ao redor do estado, a tendência é que mais manifestações com o caráter da de sexta-feira ocorra novamente e com mais frequência.

E sabemos bem que uma pauta específica pode acabar gerando uma insatisfação generalizada que faça crescer manifestações gigantescas e descontroladas ao redor do país, como foi o caso dos meses de junho e julho de 2013.

Quando a Polícia Militar resolveu tratar a questão do transporte público como pauta de segurança, reprimindo cerca de 20 mil manifestantes no centro de São Paulo no dia 13 de junho de 2013, a pauta pela redução da tarifa se tornou nacional, com protestos reunindo centenas de milhares de pessoas em outras cidades do país.

O caráter das manifestações acabou se generalizando: além da tarifa era a PEC37, a Copa do Mundo, a corrupção, e mais investimentos na Saúde e Educação.

Essa explosão política descontrolada e descentralizada ocorreu por conta do início de uma crise econômica e principalmente de um evento específico — a Copa do Mundo de 2014.

Hoje, além de termos um novo governo que deve adotar medidas impopulares de austeridade nos próximos meses, temos também uma crise política que pode render novos ventos de revolta popular caso algum governante cometa um erro como o feito por Alckmin em 2013. Quem sabe possa ser ele mesmo o responsável novamente.

Pelo menos, parece que ele tem feito o possível pra que isso ocorra.

Foto: Alice V/Democratize

Manifestações contra o presidente interino Michel Temer continuam se espalhando ao redor do país. Em São Paulo, nos últimos dias, tivemos pelo menos duas de grande porte: na quinta-feira (12) com 30 mil pessoas e no domingo (15) com 20 mil pessoas. Atos também ocorreram no Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte.

Ao mesmo tempo, os grupos de rua que organizaram os atos pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff parecem partir para a institucionalidade — agora oficialmente. Cumpriram seu objetivo político, e agora pretendem colher os frutos disso, seja com cargos no novo governo interino ou com promessas políticas. Devem rechaçar qualquer mobilização popular contra o governador Geraldo Alckmin ou contra o presidente interino Michel Temer — que são, afinal, seus aliados.

É a chance do protagonismo das ruas voltar para onde sempre pertenceu: os movimentos populares. Descentralizados, longe da máquina partidária e espontâneos.

Cuidado Alckmin.

Mexer com o estudante é coisa séria, e pode te render mais dor de cabeça do que você imagina.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on May 15, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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