Um dia para se esquecer na história da cidade de São Paulo. Manifestação pacífica contra o aumento da tarifa é brutalmente reprimida pela…

VERGONHA

VERGONHAUm dia para se esquecer na história da cidade de São Paulo. Manifestação pacífica contra o aumento da tarifa é brutalmente reprimida pela…


VERGONHA

Foto: Alice V/Democratize

Um dia para se esquecer na história da cidade de São Paulo. Manifestação pacífica contra o aumento da tarifa é brutalmente reprimida pela polícia, que antes mesmo de começar, cercava o ato. Dezenas de feridos, incluindo manifestantes e profissionais da imprensa, vários presos. Um dos dias mais violentos desde 13 de junho de 2013.

Quando o segundo protesto contra o aumento da tarifa começou em São Paulo, já estava na cara que a paz não caberia ali.

A concentração foi cercada por policiais na Avenida Paulista, que não permitiam a passagem através da principal avenida da cidade. Os manifestantes tiveram de dar a volta e entrar pela Consolação para poder chegar ao ato.

Lá, militantes do movimento Passe Livre denunciavam as emboscadas planejadas pela Tropa de Choque, com ordens diretas do Secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, além do consentimento do governador Geraldo Alckmin e prefeito Fernando Haddad.

No jogral, o MPL decidiu seguir seu destino original: a Rebouças, sentido Largo da Batata. A polícia não permitiu.

Mais um cerco foi feito, e a tensão só aumentava. Mais de 5 mil pessoas no local, e centenas de policiais cercando. O ingrediente que faltava era uma possível ação violenta por parte dos manifestantes. E essa ação não veio. Porém, mesmo assim, o que os policiais queriam era o confronto. E tiveram.

Em dado momento, uma bomba estoura. O motivo foi mais uma tentativa da manifestação seguir pelo seu percurso original, tentando passar por um dos bloqueios feitos na Consolação. A polícia reagiu de forma surpreendente e desproporcional.

Foto: Alice V/Democratize

A partir dai foi um festival de agressões e bombas no céu da Avenida Paulista. Os manifestantes, encurralados por uma linha da polícia na Consolação e outra na Avenida Paulista, foram obrigados a procurar abrigo dentro dos prédios nas proximidades. Um hotel foi ocupado por mais de 100 manifestantes desesperados. Mulheres passavam mal e eram socorridas por funcionários do hotel por conta do gás lacrimogêneo. A sensação lá dentro era a de que a PM poderia entrar a qualquer momento e prender de forma arbitrária todos que estavam lá.

Poucos minutos depois, boa parte dos manifestantes tentaram sair do estacionamento do hotel. Mas o festival de bombas e tiros de bala de borracha continuava. Eu, tentando filmar o que acontecia, acabei sendo atingido por um estilhaço de bomba de efeito moral que explodiu cerca de 2 metros de distância. Minha perna ficou ferida, e o estilhaço não saiu mesmo após atendimento médico. Sete pontos na perna.

Mas as notícias do que acontecia ao redor eram ainda piores.

A polícia continuava sua caça aos manifestantes de forma incansável, mesmo após o ato dispersar. Notícias de que uma manifestante grávida teria perdido seu filho após um policial a agredir com o cassetete rolava nas redes sociais. Um outro rapaz com traumatismo craniano, e outro com a mão gravemente ferida após estilhaços de bomba de efeito moral. O número de feridos aumentava cada vez mais.

Uma jornalista da TV Gazeta também ficou ferida por conta da repressão policial, com estilhaços de bomba atingindo sua perna.

Mais de 7 presos. Isso sem incluir as detenções no começo da manifestação.

Foto: Alice V/Democratize

Desde junho de 2013 não ouvíamos — e víamos — algo parecido. A brutalidade policial contra o direito de livre manifestação foi algo extremamente “comum” aos olhos dos funcionários do governo tucano. O secretário Alexandre Moraes chamou a atitude da PM de “exemplar”, enquanto o governador Geraldo Alckmin afirmou que “não houve excessos da polícia”.

As redes sociais não param de pipocar mais fotos e vídeos sobre o que aconteceu nesta terça-feira.

E provavelmente irá continuar assim. Nesta quinta (14), mais um ato programado pelo MPL. Em poucas horas já haviam mais de 3 mil confirmando presença.

Mais uma vez a atitude repressora do governo tucano pode render gigantes manifestações. Pena que tanta violência tem um custo também para os manifestantes e imprensa, além da própria democracia.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on January 13, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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