Foto: Reprodução/Youtube

Uma responsável por crimes de guerra ou um fascista na presidência?

Sempre reclamamos sobre as opções políticas que possuem mais espaço nas eleições brasileiras. Mas o que dizer dos norte-americanos? Nesta terça-feira (8) o novo presidente dos Estados Unidos será escolhido nas urnas de votação. E eles terão de decidir entre uma mulher responsável por crimes de guerra, e um protótipo de fascista. O que esperar, afinal?

O filósofo esloveno Slavok Zizek causou polêmica nas redes sociais na última semana, quando uma entrevista foi divulgada mostrando sua resposta para a pergunta da jornalista: “Se você fosse americano, em quem você votaria?” – sem piscar ou pensar duas vezes, Zizek respondeu: “Trump”.

Para justificar sua opinião, o filósofo retruca: “Eu estou pasmo com ele [Trump]. Mas apenas penso que Hillary é o verdadeiro perigo”.

A opinião de Zizek não deixa de ser verdadeira.

Por mais que a mídia internacional tenha focado apenas nas “crueldades” do republicano Donald Trump, sua concorrente conta com um histórico tão terrível quanto o seu.

Para começar, seu posicionamento que com o tempo costuma variar dependendo de “onde a onda leva”. Hillary já se posicionou contra o casamento LGBT, além da legalização das drogas. O seu antigo concorrente, o democrata Bernie Sanders, já havia tocado nessa característica de Hillary: “Não é confiável”, disse durante um debate. Para a infelicidade de seus seguidores, hoje Sanders endossa a campanha da democrata.

Mas a sua atuação como Secretária de Estado no governo de Barack Obama foi, talvez, a mais grave. Hillary foi responsável pela resposta dos Estados Unidos durante a “Primavera Árabe”, principalmente em países como Egito e Líbia. No último, após uma onda de manifestações apoiadas pelo governo norte-americano contra Gaddafi, uma guerra civil acabou implodindo no país. Os Estados Unidos não apenas financiaram grupos, fornecendo armas e dinheiro, como também passou a ser favorável a uma intervenção militar no país, ocorrida em março de 2011. Porém, o pós-guerra deixou a Líbia falida, se tornando um espaço aberto para a atuação de grupos radicais islâmicos, como o ISIS.

Em fevereiro deste ano, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, declarou que “votar em Hillary é votar a favor da guerra”, mencionando seus diversos casos e atuação nos bastidores de conflitos externos. Naquele mês, Assange e o WikiLeaks divulgaram diversos documentos secretos diplomáticos dos Estados Unidos, onde dá a entender que uma vitória de Hillary “alimentará conflitos que propagarão o terrorismo”.

Sem mencionar a questão dos e-mails, seu relacionamento próximo com Wall Street, e a forma de atuação de sua campanha dentro do Partido Democrata para barrar seu antigo adversário, o socialista Bernie Sanders.

Por outro lado, os norte-americanos possuem outra opção, chamada Donald Trump.

Neste caso, provavelmente você já deve saber de todos os podres do bilionário que conta com um discurso completamente xenófobo, machista – quase um protótipo de fascista, como diria o próprio Zizek na entrevista concedida semana passada.

Assim como no Brasil, os candidatos dos partidos majoritários possuem maior financiamento e mídia nos Estados Unidos. Por exemplo, serão poucos os norte-americanos que votarão na candidata do Partido Verde, Jill Stein, que recebeu o apoio de muitos dos antigos seguidores de Bernie. Trata-se de uma opção viável, que porém é vista como impossível por causa da complexidade do cenário político e eleitoral dos Estados Unidos, onde apenas dois partidos controlam o Parlamento, além dos governos regionais.

A “menos pior opção” será escolhida na noite de hoje, com o resultado final provavelmente divulgado na madrugada desta quarta-feira (9). Pesquisas recentes mostraram que a diferença entre Hillary e Trump diminuiu drasticamente, após mais polêmicas envolvendo a democrata. Portanto, as chances de uma eventual virada são reais.

Mas o que esperar? Mais do mesmo ou uma guinada para a direita, desta vez “sem filtro” de centrista?

Só vivendo para saber.

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