A chacina que deixou cerca de 19 mortos na zona oeste da Grande São Paulo completará um ano no sábado (13). Com o objetivo de fazer com que…

Um ano após chacina, manifestantes protestam contra violência

Um ano após chacina, manifestantes protestam contra violênciaA chacina que deixou cerca de 19 mortos na zona oeste da Grande São Paulo completará um ano no sábado (13). Com o objetivo de fazer com que…


Um ano após chacina, manifestantes protestam contra violência

Foto: Gabriel Soares/Democratize

A chacina que deixou cerca de 19 mortos na zona oeste da Grande São Paulo completará um ano no sábado (13). Com o objetivo de fazer com que a luta das famílias não caia no esquecimento pela sociedade, manifestantes realizaram uma ação na manhã desta sexta (12) na Avenida Paulista.


Cadeiras simbolizando cada um que se foi foram colocadas no vão livre do Masp na manhã desta sexta-feira (12), em São Paulo. Flores, fotos e cartazes com o nome das vítimas também fizeram parte da ação coordenada pela ONG Rio de Paz, em memória aos mortos da chacina de Osasco, em agosto do ano passado.

O intuito da ação foi lembrar a sociedade sobre mais um caso de violência que marcou a periferia de São Paulo nos últimos anos.

Cerca de 19 pessoas morreram na noite do dia 13 de agosto de 2015, sendo a maioria na cidade de Osasco — no bairro periférico do Jardim Munhoz Jr. De lá pra cá, a dor causada pela violência deixou cicatrizes nas famílias das vítimas.

Dor que não tem sido aliviada pelo poder público, conforme protestam irmãos, mães e companheiros das vítimas.

Conforme registrado em reportagem da Agência Democratize no começo deste mês, a própria ONG Rio de Paz tem realizado sessões de terapia com os familiares, com o objetivo de compartilhar a dor da perda. Na realidade, o poder público já havia providenciado tal tipo de ajuda — porém, as sessões com psicólogos só poderiam ocorrer na região da Barra Funda, não na periferia de Osasco, onde se encontra a maioria dos familiares.

Foto: Gabriel Soares/Democratize

“Quando você vai estender a roupa no varal, percebe que tá faltando alguma coisa. É assim. São as coisas pequenas”, disse a Dona Zilda, mãe de uma das vítimas da chacina, durante a sessão com psicólogo providenciada pela Rio de Paz, na periferia de Osasco.

A insatisfação dos familiares também ocorre por conta do processo contra os assassinos, que eram policiais militares. Em dezembro do ano passado, seis PMs e um coordenador da Guarda Civil Metropolitana de Barueri foram indiciados pelos assassinatos, sendo presos. Porém, a Justiça Militar determinou pela revogação da prisão de oito agentes responsáveis pelas mortes. Apenas quatro seguem presos, enquanto outros quatro estão soltos.

As indenizações também são um problema. As famílias reclamam da lentidão por parte do poder público, além da falta de ajuda para os sobreviventes da chacina — como é o caso de um senhor citado na reportagem do começo de agosto deste ano. Hoje, impossibilitado de trabalhar, ele depende dos amigos e da vizinhança, que sempre o ajudaram desde a chacina. “Já foi negado o meu INSS uma vez, né. Entrei com o segundo pedido, agora só estou esperando a resposta… E vou vivendo assim, né”, disse em entrevista com a nossa equipe.

Fotos: Gabriel Soares/Democratize

Durante todo o processo de investigação, a ação da Polícia Militar e da Secretaria de Segurança Pública também foi motivo de questionamentos.

Em outubro do ano passado, o Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana) questionou sobre a atuação do ex-secretário da SSP, Alexandre de Moraes.

Em Deliberações preliminares do relatório feito pelo Condepe no dia 5 de outubro de 2015, após reunião do conselho, é feita como última observação que é preciso discutir a postura do Secretário de Segurança em referência à chacina.

Hoje, Alexandre de Moraes ocupa um dos cargos mais importantes do país — o de Ministro da Justiça, no atual governo interino de Michel Temer (PMDB). Seu objetivo político, conforme ronda nos bastidores, é se candidatar para o governo do estado de São Paulo em 2018, pelo PSDB.

Neste sábado (13), o protesto deve ocorrer no bairro do Jardim Munhoz Jr, em Osasco. O local de concentração será em frente ao bar onde a chacina deixou mais vítimas, próximo do terminal de ônibus.

By Democratize on August 12, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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