Foto: Gabriel Soares/Democratize

Foto: Gabriel Soares/Democratize

Truculência da PM será exposta em audiência nos Estados Unidos

Na mesma semana em que estudantes sofrem mais um episódio de repressão da Polícia Militar em ato que pedia a instalação de uma CPI para investigar a Máfia da Merenda, secundaristas apresentam dossiê com provas das agressões sofridas por alunos durante as ocupações e atos contra a reorganização escolar. Acompanhe a audiência pelo streaming.

Nesta quinta-feira, 7, três secundaristas do Comando das Escolas em Luta participam da audiência pública da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em Washington, nos Estados Unidos, para denunciar a violência da Polícia Militar do Estado de São Paulo cometida durante as ocupações nas escolas e a repressão nos atos contra a reorganização escolar.

A viagem será custeada com o valor arrecadado através de um financiamento coletivo, e os jovens contam com o acompanhamento de uma mãe do Comitê de Mães e Pais em Luta, uma advogada e uma representante da ONG internacional Artigo 19.

A audiência foi marcada após a CIDH analisar o dossiê produzido por um grupo de advogados, que estava acompanhando as ocupações e passou a documentar as arbitrariedades praticadas pela PM por meio de depoimentos de alunos, mães, pais, imagens, vídeos, links das redes sociais e mídia. O documento também foi apresentado ao núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo.

A ação busca pressionar o Estado brasileiro a apresentar uma solução para a conduta dos policiais e a violação dos direitos humanos. Já existem inúmeros processos na justiça que caminham lentamente e mesmo após o término das ocupações, os estudantes que participaram estão sofrendo perseguições.

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

De acordo com Tereza Cristina Lopes, representante do Comitê de Mães e Pais em Luta, a audiência é um passo importante para denunciar a violência. “Recebemos ameaças de policiais, alguns alunos tiveram suas casas invadidas sem ordem judicial e os estudantes são perseguidos dentro e fora da escola. Mas temos um documento cheio de provas e não tem como contestar, o Estado mente”, denuncia.

O filho de Tereza participou da ocupação da escola Fernão Dias Paes e durante um ato, foi algemado e levado para a delegacia. “Eu fui registrar boletim de ocorrência contra o policial que prendeu meu filho, mas ele deu queixa por desacato a autoridade, sendo que meu filho foi preso apenas porque estava exercendo seu direito de manifestação”, relata.

Para a secundarista Fabiana Medrado, a participação na audiência serve de alerta para que população brasileira e a comunidade internacional percebam o que está acontecendo. “Vamos denunciar o Estado brasileiro na tentativa de diminuir a violência policial no país e agravar a situação do governo Alckmin, com os vídeos e relatos que vamos apresentar”, disse.

A audiência pode ser acompanhada a partir das 11h15 pelo streaming de vídeo no site na Comissão Interamericana de Direitos Humanos.


Texto por Carol Nogueira, jornalista e colaboradora da Agência Democratize

By Democratize on April 7, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: