A professora e militante Lúcia Skromov, torturada pelo Coronel Ustra durante o regime militar, decidiu responder alguns comentários pr…

Torturada, ela rebateu comentários pró-ditadura; e eles responderam com mais

Torturada, ela rebateu comentários pró-ditadura; e eles responderam com maisA professora e militante Lúcia Skromov, torturada pelo Coronel Ustra durante o regime militar, decidiu responder alguns comentários pr…


Torturada, ela rebateu comentários pró-ditadura; e eles responderam com mais

Foto: Alice V/Democratize

A professora e militante Lúcia Skromov, torturada pelo Coronel Ustra durante o regime militar, decidiu responder alguns comentários pró-ditadura encontrados nas redes sociais. Em resposta, ela recebeu ainda mais comentários de ódio e ofensivos.


Em uma reportagem elaborada por Carol Nogueira, Mariana Lacerda e Francisco Toledo para a Agência Democratize, entrevistamos a militante Lúcia Skromov, de 70 anos, sobre os anos de chumbo e a tortura sofrida nas mãos do Coronel Ustra, quando presa em meados de 1973.

Na reportagem, decidimos mostrar alguns comentários pró-ditadura encontrados nas redes sociais, sendo a sua maioria em sites de notícia como o G1.

Pessoas exaltando Ustra como herói nacional; a ilusão de paz e tranquilidade em tempos de ditadura; e até mesmo questionamentos sobre a existência de práticas desumanas por parte dos militares naquele período. Todo tipo de comentário que o nosso leitor possa imaginar.

Lúcia rebateu cada um deles, conforme mostra o vídeo abaixo.

A reportagem foi replicada por diversos sites de maior alcance, como foi o caso do Catraca Livre.

Resultado: mais de 30 mil pessoas assistiram ao vídeo em cerca de 2 semanas. Junto com a viralização do material, também não faltou pessoas criticando a postura de Lúcia, por simplesmente denunciar o mecanismo autoritário do regime militar.

Rebatendo comentários pró-ditadura, Lúcia recebeu ainda mais comentários ofensivos — justamente aquilo que tentamos combater com a própria reportagem.

Veja alguns comentários que recebemos sobre o material publicado em torno da imagem de Lúcia.

“Não acredito que perdi tempo vendo esse vídeo, não falou nada de relevante, como qualquer esquerdista”. Em resposta, um rapaz ainda disse: “A senhora tem toda a paciência no mundo para explicar questões extremamente delicadas, e o cidadão não consegue entender. O poder da mídia secular é realmente incrível”, disse. Logo após, o comentarista rebateu: “Falou o que está escrito em qualquer livro do MEC, dá até pra duvidar se essa pessoa realmente foi torturada”.

Outro comentarista vai além: “[Risos] quantas pérolas, não podia falar nem se reunir? Engraçado, 99% dos brasileiros na época da ditadura não foram presos e torturados, porque será que você foi né Lúcia, o que será que você fez, isso você não fala…”.

A militante Lúcia Skromov, 70, em sua casa | Foto: Francisco Toledo/Democratize

Na realidade, Lúcia falou sobre o seu trabalho como militante no período militar, no sindicato dos bancários. Um aspecto fundamental de seu ativismo foi a participação feminina dentro dos sindicatos — o que até então era visto como algo raro, praticamente inédito no Brasil.

Outro comentário: “Lava Jato envolve empresários e os petistas. Ela não esclareceu qual grupo terrorista pertenceu e se participou de atos terroristas. Assim como os militares, os comunistas mataram também. Hitler era do Partido Nacional Socialista”, diz o comentarista, tentando de alguma forma relacionar o nazi-fascismo com o marxismo — o que é historicamente comprovado como impossível. Durante a própria entrevista, Lúcia admitiu participar do ativismo contra a ditadura, mas dentro do sindicato e de organizações estudantis. Segundo a militante, ela desaprovava completamente a prática de ação direta violenta para derrubar o regime militar — para ela, isso traria uma reação mais negativa da população do que necessariamente positiva.

“Mentira, o que tem de comunista vagabundo que recebe pensão só porque disse que foi torturado por algum milico!”, disse um dos comentaristas. Na realidade, o Brasil é conhecido pelo oposto. Em 2015, o Estado brasileiro gastou cerca de R$3,8 bilhões com o pagamento de pensões vitalícias para filhas de militares, com apenas 185 mil beneficiárias — enquanto outros programas, como o Bolsa Família, conta com basicamente o mesmo orçamento, atingindo milhões de famílias.

Sobre as indenizações pós-ditadura, em cerca de 13 anos foram gastos R$3,4 bilhões, com mais de 40 mil pedidos de reparação a vítimas da ditadura. Menos do valor gasto em apenas um ano de pensão vitalícia para filhas de militares.

By Democratize on July 11, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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