Essa semana mais um corriqueiro caso de machismo e misoginia aconteceu na internet. Dessa vez, uma cliente de uma lanchonete de cachorro…

The Dog Haus e mais um caso de machismo: não temos medo

The Dog Haus e mais um caso de machismo: não temos medoEssa semana mais um corriqueiro caso de machismo e misoginia aconteceu na internet. Dessa vez, uma cliente de uma lanchonete de cachorro…


The Dog Haus e mais um caso de machismo: não temos medo

Página oficial do restaurante no Facebook

Essa semana mais um corriqueiro caso de machismo e misoginia aconteceu na internet. Dessa vez, uma cliente de uma lanchonete de cachorro quente criticou o fato de haver placas de cunho machista no estabelecimento e que, por isso, apesar da qualidade dos lanches, não voltaria mais.

Não cabe entrar no mérito se a crítica foi ou não “respeitosa”, porque sabemos que de qualquer maneira uma mulher será rechaçada — sendo educada, “polida”, ou não. O que cabe é pensar como ainda somos diminuídas e ameaças pelo simples fato de sermos mulheres e resolvermos manifestar nossa opinião. Se tivesse sido um homem reclamando, provavelmente o comentário seria ignorado pelos donos do estabelecimento.

Publicação feita pela jornalista, onde criticou as placas no restaurante com teor machista

Diversas pessoas se mobilizaram para ir na página da lanchonete classificar com a menor nota possível e deixar mensagens de repúdio. Eu mesma deixei uma e a resposta da página foi algo como “eram placas dadas de presente por um cliente, que foram mal interpretadas”.

E aí entramos em outro assunto bem curioso: a mal interpretação que tão frequentemente nos faz julgar “erroneamente” episódios que nos incomodam. Se uma pessoa negra reclama de algo racista, ela não interpretou direito. Se nós, mulheres, reclamamos de algo machista ou misógino, também não conseguimos entender a mensagem. Ou então estamos todos vendo “pelo em ovo”, “exagerando”, “sendo politicamente corretos”. É muito fácil colocar a culpa em nós ao invés de assumir o erro e repensar as atitudes.

No final das contas, nós que somos as loucas, chiliquentas, mal comidas, burras. O ideal é ficarmos caladas, não compartilhar nossas opiniões, e quando compartilharmos, devemos aceitar quietinhas as críticas negativas e acusações de “mal interpretação”. A tal cliente da lanchonete não se calou, publicou um print screen do comentário ofensivo, que acabou também sendo compartilhado no Facebook e chamou atenção de veículos com grande visibilidade: Revista Fórum, Época, Veja.

Resposta da página oficial do restaurante

E é lógico que, justamente por não ter se colocado “no seu lugar”, ela recebeu mais ofensas e dessa vez ameaças, vindas do próprio dono da lanchonete.

Mais recentemente, o próprio dono do estabelecimento, Shemuel Shoel, ameaçou e ofendeu a jornalista através de mensagens pessoais pela rede social

No final das contas, nada disso é novo para nós. Nessa mesma semana, diversas páginas feministas e simpatizantes foram tiradas do ar e a Lola, blogueira feminista com enorme destaque, está sendo difamada e ameaçada (mais uma vez). Nós já sabemos que nosso cotidiano é sermos ridicularizadas, ameaçadas, ofendidas, diminuídas, questionadas. Tudo com base na nossa “histeria”, na nossa “mal interpretação”. Na nossa resistência.

O lado bom é que aparentemente temos muitos ao nosso lado também. A história da cliente e da lanchonete foi compartilhada mais de 1.700 vezes, fora todas as mensagens de apoio. A Lola está conseguindo bastante apoio e visibilidade, na esperança de que o blog falso criado em seu nome seja deletado. Nas últimas semanas estão acontecendo diversos atos em prol da nossa liberdade de escolha sobre nossos corpos, contra Eduardo Cunha e todo o conservadorismo da Câmara dos Deputados.

Nós já sabemos da nossa força e já entendemos que juntas somos realmente mais fortes. A tendência daqui pra frente é continuarmos nos empoderando cada vez mais. Se precisamos passar por essas ofensas e ameaças, que seja. Não temos mais medo.


Texto por Rafaela Carvalho, cinegrafista pela Agência Democratize, produtora audiovisual, formada em Rádio e TV e, acima de tudo, feminista

By Democratize on November 6, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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