Foto: Wesley Passos/Democratize

Tentativa de anistiar Caixa 2 partiu de políticos “anti-corrupção”

Lideranças de partidos como PSDB, DEM, PMDB e PP tentaram emplacar a anistia para o Caixa 2 nesta segunda-feira (19) na Câmara dos Deputados, surpreendendo a opinião pública. Não conseguiram. Grupo de partidos levantou recentemente a bandeira “anti-corrupção”, participando das manifestações e recebendo membros de grupos como MBL.

Na calada da noite, deputados federais tentaram aprovar uma proposta para anistiar investigados da Lava Jato que temem as delações de executivos da Odebrecht, criando um tipo penal específico para o Caixa 2 eleitoral.

Isso aconteceu nesta segunda-feira (19), poucos dias depois da Câmara dos Deputados afastar em definitivo o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), principal símbolo dos escândalos morais que se espalham pelo Congresso Nacional nos últimos anos.

Teoricamente, a prática de Caixa 2 já é criminalizada no Brasil — tanto como delito eleitoral quanto financeiro ou tributário. O que falta, de fato, é punição.

Mesmo assim, políticos de partidos que fazem parte da base aliada de Michel Temer na presidência, resolveram partir para o ataque sem fazer muito barulho, nesta segunda-feira. Porém, parlamentares do PSOL e Rede denunciaram nas redes sociais e no plenário o que estava acontecendo, tentando mostrar a gravidade da proposta.

Lideranças do PSDB, DEM, PMDB e PP participaram da articulação do projeto na Câmara, além de vários senadores que também estavam interessados na aprovação do tema. Isso ocorre por causa do temor no Congresso em relação às delações de executivos da Odebrecht.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

É bom lembrar: trata-se de lideranças políticas e siglas que estiveram em defesa do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) desde o ano passado, não apenas participando ativamente das manifestações como também financiando panfletos, carros de som, entre outros.

Inclusive, são exatamente as siglas escolhidas por membros do Movimento Brasil Livre, um dos principais grupos anti-PT, para as eleições municipais deste ano.

Exemplo disso é o caso de Fernando Holiday, uma das lideranças do grupo em São Paulo, que escolheu o DEM para se candidatar para a Câmara Municipal neste ano. Apadrinhado pelo deputado federal Pauderney Avelino, o jovem Holiday é a maior aposta do Movimento Brasil Livre neste ano. Porém, com tantas acusações por trás do partido, seguidores já começam a questionar a postura do MBL.

O mesmo pode se dizer do próprio PMDB. Além de praticar lobby político nas redes sociais em defesa de Michel Temer, o MBL também conta com membros do grupo na sigla, disputando inclusive prefeituras no interior de São Paulo.

No final das contas, o grupo que diz tanto defender a Operação Lava Jato da Polícia Federal, aposta todas as suas fichas em partidos que tentam ao máximo brecar as investigações.

Curiosamente, o MBL publicou apenas um meme sobre o assunto, por mais grave que ele tenha sido. Não mencionou os partidos que tentaram aprovar a anistia, muito menos os nomes dos deputados envolvidos.

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