Foto: Felipe Malavasi/Democratize

“Temer lacrou”: essa foi a reação do MBL após STF autorizar apuração sobre presidente

Nesta sexta-feira (23), o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, autizou a abertura de procedimentos preliminares para apurar a delação premiada do empresário Sérgio Machado, um dos delatores da Lava Jato. O principal alvo: o presidente Michel Temer (PMDB). Adivinhem qual foi a reação do principal grupo de manifestação “anti-corrupção”? Segundo eles, o “Temer lacrou”.

A máscara “anti-corrupção” da maioria dos grupos que organizaram protestos contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) já caiu. Mas é bom fatores novos surgirem para que algumas pessoas, talvez ingênuas, percebam isso com mais certeza.

Foi o caso do Movimento Brasil Livre.

Nesta sexta-feira, o STF permitiu a apuração sobre a delação do empresário Sérgio Machado, ex-presidente da estatal Transpetro.

O principal alvo da investigação? O presidente da República, Michel Temer. Em conversas gravadas por Sérgio com o ex-presidente José Sarney (PMDB) e os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá (ambos do PMDB), foi possível registrar o diálogo onde os envolvidos combinavam uma forma de brecar a Operação Lava Jato.

Além disso, Machado disse em depoimento ter conversado com Michel Temer na Base Aérea de Brasília, em setembro de 2012. Na ocasião, Temer pediu recursos para a campanha de Gabriel Chalita, então candidato para a prefeitura de São Paulo na época. O valor acertado veio da Queiroz Galvão, uma das principais empresas envolvidas na Lava Jato, sendo R$1,5 milhão a doação para Chalita e o PMDB.

Foto: Beto Barata/PR/Fotos Públicas

Tudo isso acertado pessoalmente entre o empresário e o atual presidente Michel Temer, na época vice.

Ai você imagina: os principais grupos que tanto atacaram o governo petista por envolvimento em casos de corrupção devem estar se preparando para uma mobilização contra Temer.

Só que não.

O Movimento Brasil Livre, por exemplo, não apenas ignorou a decisão do STF sobre a delação de Sérgio Machado — que envolve tanto Temer quanto outros nomes importantes do atual governo, como é o caso do senador Aécio Neves (PSDB) — , como também resolveram publicar matérias elogiando o novo presidente.

Ao invés de atacar o investigado, o MBL preferiu postar em seu site de notícias uma matéria atacando um jornalista colombiano. Isso foi publicado mesmo após as denúncias do STF.

Alguns comentários criticavam a postura pró-Temer do MBL, que vem praticando uma espécie de lobby político para o presidente desde que Temer assumiu o cargo: “É bom o MBL parar de babar ovo do Temer, pra não perder credibilidade. Ele ainda não apresentou nenhum resultado que mereça ser exaltado e historicamente sempre foi aliado de um bando de parasitas corruptos, inclusive de Dilma”, disse um dos seguidores.

Outro comentou: “Defendendo o patrão bandido não é MBL? Achei que vocês não tinham bandido de estimação. Lembrando que Michel Temer é acusado de cometer pedaladas e de ter recebido milhões de reais em propina da Lava Jato”.

Para esse tipo de reação do público, o MBL geralmente tem apagado os comentários e bloqueado os usuários.

Segundo o site Congresso em Foco, a relação entre Temer e MBL vai muito além do imaginado. Um dos coordenadores do grupo se reuniu com Moreira Franco na última quinta-feira, para pensar em estratégias para tornar medidas impopulares em algo palatável. É o caso das reformas trabalhista e da previdência, amplamente defendidas pelo grupo.

Curiosamente, o coordenador envolvido é Renan Santos, que após uma série de polêmicas acabou ficando “escondido” atrás das cortinas.

Com candidatos para as eleições deste ano pelo PMDB, DEM, PSDB e outros partidos, o MBL vai se consolidando como um nanico de direita, que provavelmente não deve eleger nenhum membro neste ano.

Porém, para aplicar as políticas defendidas pelo grupo, não é necessário a democracia. Em salas fechadas, com empresários e com a classe política, o MBL nasceu anos atrás. E para colocar em prática sua ideologia neoliberal, fará a mesma coisa. Sem consultar a população, de forma indireta, em salas fechadas.

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