Foto: Beto Barata/PR/Fotos Públicas

Temer e Calheiros pedem, e PF não aceitará mais delações na Lava Jato

Nos bastidores, a Polícia Federal defende o fim dos acordos de delação premiada nas investigações da Operação Lava Jato. A pressão chega de Brasília, onde o Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, articula junto ao presidente Michel Temer a estagnação do processo para evitar que figuras do governo acabem sendo atingidas.

Sem qualquer estardalhaço nos meios de comunicação, rumores estão circulando nos bastidores da Operação Lava Jato que as coisas devem mudar nos próximos meses.

Em uma notícia escondida no site da Folha de S. Paulo, o jornal divulga que a própria Polícia Federal defende o fim dos acordos de delação premiada nas investigações da operação.

Segundo os integrantes da PF, todo o material necessário já foi recolhido ao longo de dois anos e sete meses, e que agora as apurações podem seguir sem a necessidade de ouvir mais delatores.

Ao contrário da posição da PF anteriormente, durante o governo de Dilma Rousseff (PT), as delações hoje apenas aumentariam “a sensação de impunidade perante a sociedade”.

A Odebrecht, principal construtora envolvida no escândalo, negocia mais 50 delações de seus funcionários. Para a Odebrecht, essa atitude da Polícia Federal contra a delação premiada “teria relação com algum movimento do governo de Michel Temer, já que integrantes da cúpula do PMDB, incluindo o presidente, são mencionados no acordo com a empreiteira”, destaca a notícia na Folha.

Na realidade, a versão da Odebrecht sobre os rumos da Lava Jato fazem sentido quando analisado o histórico do novo governo sobre a operação.

Nas gravações do empresário Sérgio Machado, por exemplo, foi possível verificar figuras importantes do partido, como o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o ex-ministro Romero Jucá dialogando sobre uma forma de silenciar e brecar os rumos da Lava Jato. Nas conversas, uma das formas encontradas foi justamente o processo de afastamento de Dilma Rousseff, abrindo espaço para Michel Temer conseguir controlar a situação.

Recentemente, Renan Calheiros voltou a defender uma postura mais crítica diante das delações da Lava Jato.

Atuando como Secretário de Segurança Pública em São Paulo, Moraes já foi questionado sobre o uso político de seu cargo, após frequentar as manifestações pró-impeachment de Dilma Rousseff | Foto: Wesley Passos/Democratize
Atuando como Secretário de Segurança Pública em São Paulo, Moraes já foi questionado sobre o uso político de seu cargo, após frequentar as manifestações pró-impeachment de Dilma Rousseff | Foto: Wesley Passos/Democratize

A partir dai, surgem questionamentos sobre a postura do Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. Dias atrás, ele foi pego de surpresa após ter vazado um vídeo dele conversando com eleitores do PSDB, prometendo novas prisões na Lava Jato. Dias depois, o ex-ministro Antônio Palocci foi alvo da operação. Moraes teria sido chamado por Michel Temer para uma reunião, por causa da repercussão negativa da atitude do ministro. Muito se falava sobre a possibilidade de demissão de Moraes — algo que não ocorreu.

Pelo contrário, Moraes se tornou uma peça fundamental do processo de estagnação da Lava Jato.

Em pouco tempo, conseguiu ativamente partidarizar a Polícia Federal, que cada vez mais é questionada pela sociedade e pela opinião pública sobre sua parcialidade em relação a outros partidos políticos envolvidos no escândalo, principalmente o PSDB e PMDB.

Não apenas Michel Temer, como figuras importantes do novo governo foram citadas em delações da Lava Jato, incluindo o Ministro de Relações Internacionais, José Serra (PSDB).

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