Questionado por jornalistas na China, o novo presidente diz não acreditar que os protestos contra seu governo sejam “democráticos”, e fez…

Temer chama protestos de “mini” e “anti-democráticos”

Temer chama protestos de “mini” e “anti-democráticos”Questionado por jornalistas na China, o novo presidente diz não acreditar que os protestos contra seu governo sejam “democráticos”, e fez…


Temer chama protestos de “mini” e “anti-democráticos”

Foto: Beto Barata/PR

Questionado por jornalistas na China, o novo presidente diz não acreditar que os protestos contra seu governo sejam “democráticos”, e fez pouco caso em relação ao desgaste de seu governo recém-criado: “São pequenos grupos, parece que são grupos mínimos, né?”


O novo presidente parece não estar levando muito a sério as manifestações que tomaram conta do Brasil na última semana.

Em entrevista na China, onde é realizado o encontro do G20, Michel Temer minimizou as manifestações contra seu governo, durante entrevista com a imprensa.

“Vou insistir nesse discurso. Na verdade, são pequenos grupos, parece que são grupos mínimos, né? Não são movimentos populares de muito peso. Não tenho numericamente, mas são 40, 50, 100 pessoas, nada mais do que isso. Agora, no conjunto de 204 milhões de brasileiros, acho que isso é inexpressivo”, disse Temer.

Na realidade, o grupo de manifestantes é muito maior do que aquilo indicado pelo presidente.

Foto: Wladimir Raeder/Democratize

Vamos aos números de São Paulo:

Primeira manifestação no dia 29: cerca de 3 mil pessoas convocadas pela Frente Povo Sem Medo participaram do ato na Avenida Paulista, marcado pela repressão policial após a não permissão da caminhada até o prédio da Fiesp.

Segunda manifestação no dia 30: após a repressão, o número de adesão aumentou no ato convocado pelas redes sociais, sem a participação de movimentos organizados. Cerca de 8 mil pessoas se mobilizaram mais uma vez na Avenida Paulista, em direção ao prédio da Folha de São Paulo. O protesto foi marcado pela violência da polícia.

Terceira manifestação no dia 31: após a votação final do impeachment no Senado Federal, o número de manifestantes aumentou em São Paulo. Cerca de 15 mil pessoas participaram do ato, que foi novamente convocado nas redes sociais. No caso, a repressão foi a mais grave até o momento. Dois fotógrafos foram presos e agredidos de forma violenta pela polícia. Uma jovem ficou cega após ter sido atingida por estilhaços de bomba de efeito moral, e outra mulher foi atropelada por um carro BMW na Consolação.

Protesto no Rio de Janeiro | Foto: Wagner Maia/Democratize

Quarta manifestação no dia 01: por causa da violência, o medo tomou conta do clima do protesto de quinta-feira. Mesmo assim, cerca de 5 mil pessoas participaram do ato, que novamente foi marcado pela violência policial. Após várias negativas da PM contra o grupo, que tentava chegar na sede do PMDB, manifestantes ocuparam a Consolação e desceram sentido Centro, com o objetivo de fechar a Avenida 9 de Julho. Lá, foram mais uma vez reprimidos. Uma mulher que sofre de asma passou mal por causa do gás lacrimogêneo, e um fotógrafo foi atingido por um tiro de bala de borracha na boca.

Quinta manifestação no dia 02: nesta sexta-feira, cerca de 3 mil pessoas se reuniram no Largo da Batata, mesmo após a declaração pública da Secretaria de Segurança do governo estadual, afirmando que não iria mais permitir manifestações sem aviso prévio. Neste caso, a PM cercou o ato, impossibilitando a caminhada do grupo. Porém, um grupo de manifestantes driblou o cerco, fechando a Marginal Pinheiros. Pelo menos 10 pessoas foram detidas, e um cinegrafista da Band foi atropelado.

Isso sem mencionar as manifestações ao redor do país, como acontece também em Porto Alegre e Florianópolis, além de Belo Horizonte, todas com grande adesão similar a São Paulo.

Protesto em Belo Horizonte | Foto: Fabio Martins/Democratize

Sabendo disso, Temer tentou criminalizar os protestos, tirando a legitimidade democrática por trás deles, utilizando como foco possíveis casos de vandalismo.

“Não foi uma manifestação democrática. Manifestação democrática é aquela que pode eventualmente sair as ruas e pregar uma ideia. Quando se trata de depredação, não, isso daí não está previsto na ordem normativa. E o que está acontecendo lá são movimentos depredatórios”, afirmou o presidente, puxado pelo discurso introduzido pela narrativa dos grandes meios de comunicação, que nesta sexta-feira publicaram editoriais criminalizando os protestos contra Temer, e incentivando a violência policial.

O presidente foi seguido pelo seu ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB). Quando questionado pela imprensa sobre os protestos, Serra ironizou: “Manifestações onde?” — pra piorar, tentou usar como exemplo o protesto feito em Caracas nesta semana, que reuniu 1 milhão de pessoas segundo os meios de comunicação brasileiros. Para os protestos daqui, disse repetidas vezes: “Mini mini, mini mini mini”.

Apesar disso, neste domingo protestos maiores devem acontecer ao redor do Brasil novamente.

Pelo menos 50 mil pessoas confirmaram presença no ato convocado pela Frente Povo Sem Medo na Avenida Paulista, a partir das 16 horas. Havia nesta semana o receio do governo federal enviar tropas das Forças Armadas para evitar o protesto, por conta da passagem da tocha paraolímpica na avenida. Porém, após reunião entre os organizadores, o prefeito Fernando Haddad (PT) e representantes do governo de Alckmin, a Frente Povo Sem Medo decidiu atrasar o protesto em duas horas, para evitar mais conflitos.

Outros protestos similares devem acontecer no Rio de Janeiro e outras capitais.

Para muitos, trata-se de apenas o começo de mais uma semana de manifestações que devem agitar as capitais do Brasil.

By Democratize on September 3, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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