Assim como o Estadão e a Folha de S. Paulo deram nota de rodapé para as manifestações que ocorreram em várias capitais do Brasil no dia 7…

Sem violência, protestos contra Temer são ignorados pela mídia

Sem violência, protestos contra Temer são ignorados pela mídiaAssim como o Estadão e a Folha de S. Paulo deram nota de rodapé para as manifestações que ocorreram em várias capitais do Brasil no dia 7…


Sem violência, protestos contra Temer são ignorados pela mídia

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Assim como o Estadão e a Folha de S. Paulo deram nota de rodapé para as manifestações que ocorreram em várias capitais do Brasil no dia 7 de setembro contra Michel Temer, o protesto realizado nesta quinta (8) em São Paulo com 20 mil pessoas não surtiu efeito na grande mídia.


Por Francisco Toledo

Quais são os limites da cobertura midiática em torno de uma manifestação?

Mesmo após uma semana repleta de manifestações, os grandes meios de comunicação parecem não se importar muito com as milhares de pessoas ao redor do país ocupando as ruas contra o presidente Michel Temer (PMDB) e por ‘Diretas Já’.

Se na semana passada, durante o começo dos protestos em São Paulo, o assunto mais debatido nos grandes jornais foi a “violência dos manifestantes contra o patrimônio público e privado”, desta vez mais de 20 mil pessoas ocupando as ruas pacificamente não mereceu sequer takes ao vivo nos jornais da Globonews.

E não foi diferente no feriado do 7 de setembro, Dia da Independência, quando protestos ocorreram em mais de 20 capitais espalhadas pelo país durante todo o dia.

Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Manaus, Fortaleza, Recife… não foram poucas cidades. E foram muitos manifestantes. Na capital mineira, cerca de 30 mil pessoas participaram do ato. No Rio de Janeiro foram quase 10 mil. Já em São Paulo, palco dos principais protestos desde a semana passada, organizadores passam a estimativa de pelo menos 20 mil pessoas.

Todos terminaram de forma pacífica: não foi visto qualquer ação violenta por parte dos manifestantes. Já a polícia, encurralada após o estrago cometido no último domingo (4) em São Paulo, resolveu “preservar a imagem” e esperar qualquer ação de vandalismo por parte dos manifestantes. Era uma forma de dar a manchete que os jornais queriam: “Sem ação da polícia, manifestantes destroem a cidade”.

Mas isso não aconteceu.

Começo da concentração do protesto desta quinta-feira | Foto: Gustavo Oliveira/DemocratizeForte policiamento durante todo o protesto para “proteger” a residência de Michel Temer | Fotos: Felipe Malavasi/Democratize

E novamente, nesta quinta-feira, pelo menos 20 mil pessoas segundo Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST, ocuparam as ruas do Largo da Batata em São Paulo, em direção a casa de Michel Temer na região.

E mais uma vez, não houve qualquer ação de “vandalismo” por parte dos manifestantes — apesar do forte policiamento durante todo o ato, inclusive de agentes compondo a frente da marcha, geralmente composta por adeptos da tática Black Bloc e por fotógrafos.

Mesmo com tanta provocação, nenhum confronto.

Era de se esperar uma cobertura midiática digna sobre os fatos. Afinal, por dois dias seguidos, uma cidade como São Paulo é palco de grandes protestos contra um presidente da República. Não são 50, ou 100 pessoas. São 20 mil em cada ato.

Mas isso não ocorreu. O velho jornalismo mais uma vez mostra seu caráter político, ignorando grandes protestos quando não existe uma forma de distorcer a voz das ruas.

A blogueira Cynara Menezes, da revista Carta Capital, postou em sua página no Facebook dois memes que explicam exatamente a postura dos grandes jornais nos últimos dias. As imagens comparam as capas do Estadão e Folha de S. Paulo após a abertura da Copa do Mundo em 2014, quando a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi alvo de vaias, com a capa dos mesmos jornais após a abertura dos Jogos Paraolímpicos do Rio, nesta quarta-feira, quando agora Michel Temer foi castigado pela desaprovação do público. No comparativo também vale o fato de ter ocorrido em ambas as datas manifestações pelo país — porém com muito mais força agora, contra Michel Temer.

Será que é preciso que uma jovem ou um profissional da imprensa se machuque nas mãos da Polícia Militar para um protesto contra Michel Temer se tornar assunto principal dos meios de comunicação?

Se já não fosse o bastante os editoriais publicados por ambos os jornais na semana passada, praticamente promovendo uma ação mais truculenta por parte da Polícia Militar contra os manifestantes anti-Temer, agora a mídia convencional prefere preservar a imagem do novo presidente diante de uma nova onda de manifestações que podem eclodir pelo país a qualquer momento.

E depois, insistem em dizer que “não foi golpe”.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize


Francisco Toledo é co-fundador e escritor pela Agência Democratize em São Paulo

By Democratize on September 9, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: