Pelo menos 14 empresários de mídia e jornalistas são citados nos Panama Papers, escândalo envolvendo offshores amplamente divulgado ao…

Sem mídia democratizada, empresários de jornalismo estão nos Panama Papers

Sem mídia democratizada, empresários de jornalismo estão nos Panama PapersPelo menos 14 empresários de mídia e jornalistas são citados nos Panama Papers, escândalo envolvendo offshores amplamente divulgado ao…


Sem mídia democratizada, empresários de jornalismo estão nos Panama Papers

Reprodução/Facebook

Pelo menos 14 empresários de mídia e jornalistas são citados nos Panama Papers, escândalo envolvendo offshores amplamente divulgado ao redor do mundo. Qual a relação disso com a necessidade de uma mídia democratizada e regulamentada?


Os Panama Papers ainda é assunto ao redor do mundo.

Esse conjunto de 11,5 milhões de documentos confidenciais da autoria da sociedade de advogados panamenha Mossack Fonseca fornece informações detalhadas de mais de 214 mil empresas de paraísos fiscais offshore, incluindo as identidades dos acionistas e administradores.

Esse grande esquema internacional de lavagem de dinheiro já fez o mundo político tremer, envolvendo o atual presidente argentino Mauricio Macri, além de fazer cair do poder o primeiro-ministro da Islândia.

Nem mesmo o todo poderoso David Cameron, primeiro-ministro britânico, conseguiu se safar. Seu envolvimento nessa lista de documentos fez sua popularidade cair — a tal ponto que vem se tornando inevitável uma possível vitória dos trabalhistas nas próximas eleições.

Mas e no Brasil?

Curiosamente, os Panama Papers não tem sido um assunto muito levantado por aqui.

O que não faz o menor sentido, já que na lista de clientes da Mossack Fonseca estão alguns políticos importantes de variados partidos, como o PMDB, PSDB, PDT, PP, PSB, PTB e PSD — incluindo o ex-todo poderoso Eduardo Cunha.

Até mesmo o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, acabou sendo citado pelos documentos.

Mas, onde foi parar toda essa informação?

A resposta serve para essa pergunta e para outra: por que precisamos democratizar e regulamentar os meios de comunicação?

Pois bem.

Jornalistas holandeses do jornla Trouw, alegam que a TV Globo foi mencionada “várias vezes” em uma investigação de lavagem de dinheiro do banco De Nederlandsche, que divulgou que a Globo, durante anos, fez muitas “transações financeiras irregulares” usando paraísos fiscais, supostamente com a finalidade de pagar os direitos de transmissão da Copa Libertadores.

Na realidade, pelo menos 14 empresários e diretores de empresas de mídia, seus parentes ou jornalistas têm relação com offshores citadas pela Mossack Fonseca.

Na Globo foram citados uma neta de Roberto Marinho e diretores do grupo. Além deles, a dona da TV Verdes Mares, Yolanda Vidal Queiroz; o apresentador Carlos Massa (Ratinho), dono da Rede Massa de Televisão; um sócio do grupo Bloch, antigo dono da TV Manchete, Pedro Jack Kapeller; o ex-senador João Tenório, dono da TV Pajuçara em Alagoas; e o sócio das TVs Studio Vale do Paraíba e Jaú, Antonio Droghetti Neto.

Do Grupo Estado, que publica o jornal “O Estado de S.Paulo”, Ruy Mesquita Filho e o presidente do Conselho de Administração do Grupo Estado, Walter Fontana Filho, tiveram seus nomes ligados a offshores.

Também consta nos papéis da Mossack Fonseca o jornalista que trabalha em revistas da Editora Abril José Roberto Guzzo.

O blogueiro Fernando Rodrigues, do UOL, separou documentos sobre cada nome citado envolvido nos esquemas. Reproduzimos abaixo alguns:

  • Carlos Schroder

O diretor-geral da Rede Globo, Carlos Schroder, é o único acionista da Denmark Holdings Incorporations. A empresa foi criada em 2010 nas Ilhas Virgens Britânicas.

No registro da criação, Schroder informou como seu endereço a rua Lopes Quintas, 303, no bairro do Jardim Botânico, na zona sul do Rio de Janeiro. O edifício é justamente o da sede da Rede Globo.

Logo após sua criação, a diretoria foi assumida pelo próprio Schroder e também por Renata Cordeiro Silva Salgado, sua ex-mulher. Renata é psicóloga no Rio de Janeiro e os 2 foram casados até o ano passado.

Na época da criação da Denmark Holdings, Schroder era diretor de Jornalismo e Esportes da emissora. Em 2012, foi promovido à direção geral, cadeira que ocupa atualmente.

  • Paula Marinho

Uma das netas de Roberto Marinho, fundador do Grupo Globo, Paula Marinho recebeu e pagou faturas relativas a 3 offshores mantidas em paraísos fiscais pela Mossack Fonseca.

As offshores foram criadas em 2005 e reativadas por Alexandre Chiappetta de Azevedo em 2009. Na época, Alexandre de Azevedo era casado com Paula. Os 2 se separaram em out.2015.

  • Ratinho

O empresário e apresentador de televisão Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, aparece nos Panama Papers como diretor da offshore Cambara Limited.

A companhia foi criada pela Mossack Fonseca nas Ilhas Virgens Britânicas em novembro de 1999, após solicitação feita pelo Banco HSBC da Suíça. O documento mostra Carlos Massa no cargo de diretor.

As relações dele com o banco já eram conhecidas desde o ano passado, graças às revelações do caso Swissleaks, publicado no Brasil pelo UOL. Ratinho é dono da Rede Massa de Televisão, formada por 5 afiliadas do SBT no Paraná, e de uma rádio FM.

A Cambara Limited ficou inativa em 2001 e 2002 por falta de pagamento à Mossack Fonseca. Reativada mediante pagamento de US$ 1.900, foi novamente desativada em 2004, seu último registro nos documentos.


Mas, por que tudo isso não foi amplamente divulgado pela mídia?

A resposta é óbvia.

Por não termos uma mídia descentralizada, que atualmente fica congestionada nas mãos de poucas famílias brasileiras, fica complicado a ampla divulgação de tais documentos — já que os próprios são citados.

Pra isso, a democratização da mídia é cada vez mais urgente.

Em tempos onde governos são questionados junto com a classe política, não podemos deixar de lado aquele setor da sociedade que possui tanto poder quanto os congressistas, ministros e presidentes — os empresários da mídia.

By Democratize on May 17, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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