Vencedor do ‘caucus’ em Iowa, primeira fase das prévias do Partido Republicano para a eleição presidencial deste ano, o texano Ted Cruz não…

Se você acha o Donald Trump perigoso, espere até conhecer o Ted Cruz

Se você acha o Donald Trump perigoso, espere até conhecer o Ted CruzVencedor do ‘caucus’ em Iowa, primeira fase das prévias do Partido Republicano para a eleição presidencial deste ano, o texano Ted Cruz não…


Se você acha o Donald Trump perigoso, espere até conhecer o Ted Cruz

Foto: Gage Skidmore

Vencedor do ‘caucus’ em Iowa, primeira fase das prévias do Partido Republicano para a eleição presidencial deste ano, o texano Ted Cruz não tem a mesma atenção da mídia quanto o multi-milionário Donald Trump. Porém, Cruz defende ideias ainda mais polêmicas que seu rival dentro do partido, além de fazer parte do front do Tea Party, movimento ultra-conservador norte-americano.

Com cerca de 29% dos votos republicanos, o texano Ted Cruz conquistou uma vitória importante nas prévias do Partido Republicano para a presidência dos Estados Unidos, em Iowa. Atrás dele, o mais falado pela mídia, Donald Trump, que amargurou com 24% dos votos e quase perdeu o segundo lugar para o “queridinho de Washington” Marco Rubio, que ficou com 23%.

Como nos Estados Unidos o que conta no final das contas é a quantidade de “delegados” que cada candidato consegue, o resultado ficou o seguinte: Cruz com 8 delegados em Iowa, Trump e Rubio com 7 delegados cada, e fora da disputa ficou Ben Carson, com 3 delegados.

A vitória consistente de Cruz não se repetiu do lado democrata. Em uma das mais excitantes prévias nas últimas décadas, o ‘socialista democrata’ Bernie Sanders tem dado trabalho para a favorita Hillary Clinton, que até alguns meses atrás ostentava uma diferença de dois dígitos percentuais contra o senador de Vermont nas pesquisas para o estado de Iowa.

No final das contas, empate técnico: Clinton ficou com 49,9% dos votos das prévias do Partido Democrata, enquanto Sanders aparece colado com 49,6%. Tecnicamente, os delegados devem ser divididos igualmente entre os dois candidatos em Iowa, ficando 21 para cada.

Por mais complexo que seja a estrutura da eleição presidencial nos Estados Unidos, a noite de ontem foi histórica para o país. Primeiro por mostrar que a influência midiática em torno de dois candidatos específicos — Clinton e Trump — parece não estar surtindo efeito. Enquanto Trump é o “palhaço” que gera público e audiência com suas falas polêmicas, a ex-senadora é considerada a queridinha dos meios de comunicação mais liberais dos Estados Unidos, como a própria CNN. Ambos não conseguiram a vitória esperada, mas esse fator definitivamente não é o mais preocupante.

O que mais preocupa no resultado das prévias em Iowa é exatamente o texano Ted Cruz.

Se você acha que o Donald Trump é o maior canastrão e conservador das eleições nos Estados Unidos, você está muito enganado.

Cruz representa o Tea Party, uma facção de extrema-direita do Partido Republicano que já se posicionou diversas vezes contra a imigração nos Estados Unidos, além de defender medidas radicais contra o terrorismo e os movimentos sociais e sindicais, e claro, a eterna defesa do livre mercado baseado em um discurso ultra-religioso e retrogrado, com ódio de sobra contra a comunidade LGBT e pautas feministas. Uma das diferenças de Trump e Cruz é que um é um mega-empresário sem maiores pretensões e histórico político, enquanto o outro faz parte da estrutura política de seu partido, ambientando uma facção interna que ganha cada vez mais força e popularidade entre uma parte da população norte-americana. Ou seja: enquanto Trump pode ser facilmente barrado, Cruz nem tanto.

O próprio Partido Republicano repudia muitas posições de Ted Cruz, considerando-o um radical de extrema-direita, assim como toda a facção do Tea Party. Figuras históricas do partido, como o ex-candidato a presidência em 2008 John McCain, já declarou abertamente não acreditar que o Partido Republicano tenha espaço para pessoas como Ted Cruz, anunciando seu apoio “indireto” ao outro pré-candidato, Marco Rubio — que aliás, é favorito das bases tradicionais do partido, principalmente em Washington.

Considerado anti-establishment, o texano Ted Cruz coleciona polêmicas — como afirmar que “as ciências da terra não é uma ciência exata”, além de colecionar discurso de ódio contra minorias.

Cruz já chegou a criticar alguns companheiros de partido por “participarem de marchas do Orgulho LGBT”, afirmando que eles não deveriam estar no Partido Republicano. Pautas como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e até emendas que protejam pessoas que fazem parte da comunidade LGBT de possíveis agressões físicas foram descartadas por Cruz, criticadas e abolidas de sua campanha.

Cruz se declara fortemente “pró-vida”, ou seja, contra o direito das mulheres realizarem aborto. Por outro lado, defende fortemente a pena de morte e a indústria da arma nos Estados Unidos, se opondo ao viés reformista do presidente Barack Obama, que deseja até o final do seu mandato dificultar o acesso do cidadão comum com armas de fogo.

Durante uma passagem pelo programa de televisão do humorista Seth Meyers, Ted Cruz foi confrontado com algumas das suas posições públicas mais controversas, e as respostas deixaram bem claro que o seu poder de argumentação poderá fazer estragos durante os debates nas primárias do Partido Republicano, num encontro quase perfeito entre retórica e informação científica confusa.

Quando o apresentador o questionou, ironicamente, sobre se tinha mudado de opinião em relação ao tema das alterações climáticas, Ted Cruz não vacilou: “É interessante que diga isso, porque eu acabei de chegar de New Hampshire, que está coberto de neve e gelo.”

E continuou: “Os debates sobre esse assunto devem basear-se na ciência e nos dados disponíveis. Muitos alarmistas sobre o aquecimento global têm um problema, porque a ciência não confirma os seus pontos de vista. Os dados recolhidos por satélite demonstram que não houve aquecimento nos últimos 17 anos. É por isso que deixaram de falar em aquecimento global e que a teoria mudou de nome, como que por magia, para alterações climáticas”.

Ainda acha pouco?

Cruz defende abertamente a volta do “militarismo” dentro do dia-a-dia na sociedade norte-americana. Acredita que a única forma de derrotar o ISIS é enviando soldados novamente para o Oriente Médio, e que movimentos “anti-patrióticos como o Black Lives Matters” — segundo o próprio — deveriam ser extintos pelo seu discurso radical, defendendo a repressão policial contra as manifestações anti-racistas nos Estados Unidos em 2014 e 2015.

Apesar de não ter defendido até o momento nenhum “muro” que separe o país do México, a verdadeira problemática em torno de Ted Cruz é que ele pode se eleger. E caso isso ocorra, prepare-se para quatro anos de muita polêmica e retrocesso.

By Democratize on February 2, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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