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Se prepara Temer? Protestos na França mostram impopularidade de reformas

Se prepara Temer? Protestos na França mostram impopularidade de reformasO presidente francês François Hollande bem que pensou que os protestos contra a Reforma Trabalhista de seu governo na França haviam acabado…


Se prepara Temer? Protestos na França mostram impopularidade de reformas

Foto: TIME

O presidente francês François Hollande bem que pensou que os protestos contra a Reforma Trabalhista de seu governo na França haviam acabado. Porém, pensou errado. Manifestações explodiram na França nos últimos dias, de algo que pode se tornar um recado para o brasileiro Michel Temer: não vai ser fácil acabar com direitos conquistados pelos trabalhadores.


Desde o mês de março, a França enfrenta uma onda de manifestações ao redor do país. Diferente de outras mobilizações na Europa, desta vez não foram apenas os sindicatos que foram às ruas: estudantes e cidadãos resolveram fazer parte, ocupando praças, universidades e mostrando para o governo de François Hollande que não vai ser tão fácil colocar em prática seu objetivo.

Tudo isso acontece por causa da polêmica Reforma Trabalhista, adotada pelo governo de centro-esquerda para favorecer as grandes empresas do país, em detrimento dos direitos trabalhistas conquistados pela classe trabalhadora.

A iniciativa do governo conta com temas polêmicos como: deixar de haver um valor mínimo de indenização em caso de demissão sem justa causa; por acordo, os trabalhadores poderem passar a trabalhar o máximo de 44 a 46 horas por semana e de 10 a 12 horas por dia; os acordos coletivos de trabalho com negociação anual passam a ser negociados a cada três anos, a duração máxima de acordos coletivos será de 5 anos, sem garantia de retenção dos direitos adquiridos, entre outros.

Porém, desde junho, as manifestações e paralisações perderam força. Foram meses seguidos de ocupações, protestos, barricadas e greves que sacudiram o país. Por um momento, o presidente francês pensou que teria — enfim — a paz necessária para colocar em prática sua política de austeridade.

Pensou errado.

Nesta quinta-feira (15), dezenas de milhares de pessoas ocuparam as ruas contra a reforma. Confrontos violentos entre manifestantes e policiais foram registrados, deixando diversos feridos.

Trata-se basicamente da última jornada de manifestações contra o projeto — já que o texto foi aprovado em todas as instâncias possíveis. Isso não impediu que pelo menos 100 cidades tivessem protestos contra a medida de Hollande.

Apenas em Paris, cerca de 40 mil pessoas foram às ruas. Pelo menos 1.200 policiais foram destacados para evitar “atos de vandalismo”. Não foi o suficiente. Confrontos acabaram acontecendo, deixando um manifestante ferido após a polícia atirar gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Mais de 15 pessoas foram presas.

Apesar do texto já ter sido aprovado, os sindicatos consideram que é possível brecar o projeto. Um dos pontos mais criticados é a flexibilização do regime de 35 horas de trabalho semanal e das demissões por razões econômicas.

Foto: Fotos Públicas

E o Temer com isso?

O projeto em análise pelo novo governo em Brasília segue basicamente a mesma linha daquele que foi aplicado na França.

Porém, com situações completamente diferentes.

O Brasil, além de enfrentar uma crise econômica, tem ainda menos direitos trabalhistas se formos considerar com o padrão atual francês — seja ele antes ou pós reformas. E o objetivo do governo de Michel Temer é piorar ainda mais esse quadro.

Sob a bandeira de “modernização” do trabalho, já se fala até mesmo sobre a possibilidade de aumentar a carga horária diária para 12 horas, algo que seria possível se “negociado” entre patrão e funcionário. Apesar do governo ter negado essa informação, é clara a sua intenção de modificar drasticamente os direitos trabalhistas na CLT.

Os protestos na França, contra um governo que ainda é visto como regular pela maioria da população, é um aviso para Michel Temer.

O novo presidente brasileiro, que conta com menos de 10% de aprovação da sociedade, e ainda por cima enfrenta em seu quadro político casos de corrupção e o rótulo de ilegítimo por parte considerável da população, deverá enfrentar uma resistência ainda maior por parte dos trabalhadores, estudantes e cidadãos brasileiros.

Se nas últimas semanas as manifestações por ‘Diretas Já’ levaram centenas de milhares de pessoas para as ruas, a tendência é que após a Reforma Trabalhista e da Previdência serem aplicadas e aprovadas no Congresso, o Brasil enfrente uma nova onda de manifestações e paralisações, talvez como jamais visto antes.

By Democratize on September 15, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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