A gestão municipal de Fernando Haddad na capital paulista ficará eternizada pelas manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus em…

São Paulo — o grito por moradia que vem das malocas

São Paulo — o grito por moradia que vem das malocasA gestão municipal de Fernando Haddad na capital paulista ficará eternizada pelas manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus em…


Foto: Gabriel Soares/Democratize

São Paulo — o grito por moradia que vem das malocas

A gestão municipal de Fernando Haddad na capital paulista ficará eternizada pelas manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus em 2013. Porém, para os moradores das malocas do Alcântara e Cimento, os últimos três anos ficaram marcados por promessas não cumpridas, descaso e repressão. Para eles, enquanto não houver moradia, as malocas serão casas.

Pra quem não sabe: as malocas são habitações construídas com materiais improvisados, como sobras de madeira, papelão e lona. Você provavelmente já deve passar por uma todos os dias para ir ao trabalho ou faculdade, de baixo de algum viaduto ou ponte. Em São Paulo, para muitas pessoas essa acaba se tornando a única forma de moradia possível. Sem assistência do Estado, a maloca acaba se tornando a única opção viável para sua sobrevivência.

Pois então. Essa realidade, vive os moradores das malocas da Alcântara e Cimento. Porém, para eles isso não basta — muito pelo contrário, começaram a partir de então a cobrar a prefeitura de Fernando Haddad (PT) na capital paulista, exigindo condições humanas para moradia e o fim da repressão por parte da GCM e prefeitura contra moradores de rua e malocas.

Apoiados pelo Coletivo Autônomo dos Trabalhadores Sociais (Catso) e pela Pastoral Povo de Rua, os moradores das malocas da Alcântara e Cimento ocuparam recentemente a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social e Supervisão de Assistência Social Mooca. A ocupação surgiu para exigir explicações da prefeitura sobre decisões que segundo os moradores são “verticais”, e não atendem às necessidades da população. Através dessa pressão, conseguiram levar a secretária de Assistência Social, Luciana Temer, e o secretário de Direitos Humanos da prefeitura, Eduardo Suplicy, para dialogar com os moradores nesta quinta-feira (03).

Foto: Gabriel Soares/Democratize

Segundo o Catso, após a ocupação, havia ficado claro que “a população das comunidades desejavam por moradia de fato, e não bolsa aluguel conforme o planejado pela gestão petista em São Paulo”. Além disso, os moradores reclamam do fato de que a prefeitura não respeita as malocas, através da sua política de higienização com a GCM. Já a prefeitura argumenta que atualmente está em construção um espaço na rua Cajuru (Belém), que recebia as populações de rua da tenda Bresser/Cimento, Alcântara e Mooca, onde além do oferecido nas tendas, o espaço ainda contaria com alimentação. Além disso, a prefeitura pontua que locais como o viaduto não são adequados para serviços como moradia.

Já os moradores, argumentam que as medidas da prefeitura visam apenas em afastar os moradores das malocas do Centro — uma medida higienista que partiria da gestão de Haddad, que já tem ganhado uma certa fama em afastar casos parecidos do Centro para outros locais mais afastados, como os próprios moradores de rua e a população da Cracolândia.

Chegada a visita de Suplicy e Temer na tenda Alcântara Machado, a sensação após a reunião foi de decepção.

Foto: Gabriel Soares/Democratize

Mais uma vez, a prefeitura “cedeu provisoriamente”, apenas adiando o fechamento das tendas onde vivem a população. Segundo os movimentos que apoiam a luta das malocas, trata-se de uma estratégia para “limpar a rua do povo e desviar a atenção da discussão coletiva de modelos de atendimento e moradia”.

Sem apoio do Estado, e com o silêncio dos veículos de comunicação e de partidos políticos, a política de higienismo continua com todo vapor em São Paulo.

By Democratize on September 4, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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