Com mais de 70 escolas já ocupadas em todo o estado do Rio de Janeiro, secundaristas ocupam também as ruas para gritar suas reivindicações…

Rio de Janeiro: “Educação precarizada, nossa resposta é a escola ocupada’’

Rio de Janeiro: “Educação precarizada, nossa resposta é a escola ocupada’’Com mais de 70 escolas já ocupadas em todo o estado do Rio de Janeiro, secundaristas ocupam também as ruas para gritar suas reivindicações…


Rio de Janeiro: “Educação precarizada, nossa resposta é a escola ocupada’’

Foto: Bárbara Dias/Democratize

Com mais de 70 escolas já ocupadas em todo o estado do Rio de Janeiro, secundaristas ocupam também as ruas para gritar suas reivindicações e conscientizar a população sobre o movimento que acontece em escolas do Rio de Janeiro e São Paulo.

Na última quarta-feira (4) as escolas ocupadas por estudantes secundaristas deixaram suas marcas nas ruas da cidade. A diminuição dos cortes na educação, ampliação dos direitos relativos ao passe livre e em obras de melhoria no ambiente educacional estavam no topo das exigências. O dia de atos foi designado pelo comando das ocupações, mostrando a união e conectividade dos movimentos, que se espalham por todo o Estado.

Na zona sul da cidade, o Democratize acompanhou o Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, que teve a concentração para o ato às 9 horas da manhã. Cerca de 30 estudantes se uniram levantando cartazes e elaborando criativas paródias de músicas populares, adaptando-as ao contexto político. Levando consigo cadeiras da escola e instrumentos musicais, os estudantes fecharam uma das ruas de forte movimento do bairro de Laranjeiras por quase 2 horas. A rua Bento Lisboa teve a faixa de pedestres completamente tomada, o que gerou caos no trânsito e reclamações. Pedestres e motoristas reclamavam do movimento e mostravam indiferença em relação as reivindicações do alunos — muitos dos que passavam elaboravam discursos de desmotivação, dizendo aos alunos que atrapalhar o trânsito para um problema que não é deles (os passantes) não é justo, ao mesmo tempo em que outros pedestres e motoristas que passavam pelo local se solidarizavam e aplaudiam o ato, exaltando a coragem dos adolescentes. Motoristas de ônibus eram ovacionados pelos estudantes, que gritavam ‘’o motorista é meu amigo! Mexeu com ele, mexeu comigo!’’.

Foto: Bárbara Dias/Democratize

Na zona norte, o horário de concentração em duas outras escolas seguiu o anterior. O Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Freguesia, na Ilha do Governador, fechou uma das principais ruas do bairro, os alunos faziam críticas severas a Seduc e sua falta de comprometimento com as exigências de alunos e professores, além de clamarem pela negociação do secretário Antônio Neto com o comando unificado das ocupações do Rio de Janeiro. Na praça Agripino de Grieco, no Méier, o ato foi conjunto entre todas as escolas ocupadas do Grande Meier: Colégio Estadual Visconde de Cairu, C.E. Central do Brasil, C.E. Paulo Freire, C.E. Antônio Houaiss e C.E. Hispano-Brasileiro João Cabral de Melo Neto. O ato tomou uma das faixas da Av. Dias da Cruz, pedindo pautas gerais e específicas de cada ocupação.

Apesar de a última semana ter sido marcada por agressões a estudantes nas ocupações de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, os atos da quarta-feira (4) ocorreram sem grandes confrontos. No ato do C.E. Amaro Cavalcanti, após uma hora na faixa de perdestes, a Polícia Militar tentou intervir para que os estudantes desocupassem pelo menos uma das vias para que o trânsito pudesse fluir, já que a ocupação parou grande parte do fluxo do bairro de Laranjeiras. O único motivo que levou os alunos a abrirem a rua, de forma rápida e organizada, foi a passagem de duas ambulâncias. Uma viatura da Policia Militar e uma da Guarda Municipal estavam no local desde a concentação, feita em frente a escola. Motoristas de moto tentaram ultrapassar o bloqueio dos alunos, rasgando seus cartazes e discutindo com os mesmos. Taxistas saiam dos carros pedindo para que os estudantes cedessem e criticando o ato. A negociação entre os estudantes e a Policia Militar ocorreu de forma passiva, os estudantes cederam, após 1 hora e meia, umas das faixas da Rua Bento Lisboa, mas continuaram por mais uma hora gritando suas reivindicações. Os Alunos do C.E. Mendes tiveram problemas mais sérios, já que muitos carros tentaram furar o bloqueio e tentaram, sem sucesso, enfraquecer a estima dos alunos — que não se calaram. Um carro de funcionários da Prefeitura do Rio, que não foi identificado, hostilizou um dos alunos do Ocupa Mendes, que pedia para que todos que estavam em volta filmassem e registrassem toda agressão verbal que estavam assistindo.

Foto: Bárbara Dias/Democratize

O impasse continua e os estudantes se mantem fortes e decididos. Mais do que vencedores e perdedores, a ocupação de escolas por todo o estado é o mais gritante símbolo do protagonismo juvenil e a consciência de cidadania demonstrada pelo corpo de alunos. Mesmo que os professores retornem, após a greve, aos seu empregos ainda com salários baixos e condições precárias, o ambiente escolar não será mais o mesmo. Os secundaristas afirmam com veemência que a maior lição que a escola pode oferecer é dar-lhes a oportunidade de aprender a amar e lutar pelos seus direitos.


Texto e reportagem por Sara Vieira, do Democratize Rio de Janeiro

By Democratize on May 5, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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