O atual secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, foi convidado por Temer para assumir a Advocacia Geral da União…

Responsável pela violência policial em SP deve ser o Advogado-Geral da União de Temer

Responsável pela violência policial em SP deve ser o Advogado-Geral da União de TemerO atual secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, foi convidado por Temer para assumir a Advocacia Geral da União…


Responsável pela violência policial em SP deve ser o Advogado-Geral da União de Temer

Foto: Alice V/Democratize

O atual secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, foi convidado por Temer para assumir a Advocacia Geral da União em seu futuro governo. Alexandre, conhecido por ter sido advogado do grupo PCC, é responsável pela violência policial contra manifestações no estado.

Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, o atual responsável pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, deve ser o novo Advogado-Geral da União, em um eventual governo de Michel Temer.

Atualmente, Alexandre faz parte da equipe do “front” da administração estadual comandada pelo tucano Geraldo Alckmin. É um dos homens de confiança do governador, ganhando destaque por sua atuação de “pulso firme” na secretaria — firme até demais, segundo muitos movimentos sociais.

Criticado pela brutalidade da Polícia Militar em manifestações dos últimos anos, Alexandre era cotado pelo próprio governador a concorrer pela prefeitura neste ano, pelo PSDB. Porém, com o empresário João Dória, acabou perdendo espaço.

Foto: Francisco Toledo/Democratize

Foi nas mãos de Alexandre de Moraes que ocorreu a repressão policial nas manifestações dos secundaristas no ano passado, e do Movimento Passe Livre neste ano.

No segundo ato convocado pelo movimento, que exigia a revogação do aumento das passagens de ônibus e metrô, a Polícia Militar cercou por todos os lados a concentração do ato, onde já estavam cerca de 5 mil pessoas. Após a realização de uma pequena assembleia entre os manifestantes, ficou decidido que o ato caminharia até o Largo da Batata — trajeto que foi negado pela Secretaria de Segurança Pública. A partir dai, um verdadeiro festival de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo percorreu naquele espaço fechado, entre a Avenida Paulista e a Consolação. Cerca de 50 manifestantes e profissionais da imprensa ficaram gravemente feridos, sendo encaminhados para hospitais na proximidade.

Já no ano passado, Moraes foi um dos responsáveis por cenas de barbárie contra jovens secundaristas, que ocupavam mais de 200 escolas ao redor do estado, contra o projeto de reorganização do ensino escolar promovido por Geraldo Alckmin e seu secretário da Educação, Herman Voorwald.

Por conta da repressão policial contra alunos durante protestos, houve uma enorme queda de popularidade do governador tucano, segundo pesquisa do Datafolha realizada na época. Temendo uma nova onda de manifestações ainda mais amplas, o governo recuou sobre o projeto, resultando no pedido de demissão de Voorwald na pasta da Educação.

Moraes ainda é criticado por movimentos de direitos humanos pela omissão da Secretaria de Segurança durante as investigações da chacina ocorrida em agosto do ano passado, deixando mais de 19 mortos na Grande São Paulo.

Três dias após a chacina, ocorreu duas manifestações: pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, na Avenida Paulista; e por justiça e em memória aos mortos da chacina, na periferia de Osasco.

O secretário Alexandre de Moraes ignorou os pedidos dos moradores e familiares, comparecendo ao protesto na Paulista, onde foi tietado por manifestantes e por policiais militares. Na época, os jornalistas do Democratize seguiram o secretário questionando a omissão do governo sobre os assassinatos, e o possível envolvimento da Polícia Militar nos crimes.

Para a ativista Fernanda Vallim, da ong Rio de Paz, a atuação de Alexandre na SSP “lembra muito a de Pedro Franco de Campos”. Pedro Franco foi o responsável pela entrada da PM e do Choque no Pavilhão 9 e pelo massacre de 111 detentos em 1992 no extinto Carandiru.

Segundo Vallim, “seria uma temeridade ter uma pessoa com o tipo de cultura de combate à criminalidade de Alexandre de Moraes na AGU. A cultura de Alexandre de Moraes consiste na criminalização da pobreza e em deixar correr soltos os grupos de extermínio dentro dos batalhões de polícia do Estado de SP”.

Por muito tempo, familiares e ativistas de direitos humanos acusaram a Polícia Militar de intervir nas investigações da Polícia Civil sobre a chacina — algo que teria ocorrido com a permissão por parte da SSP.

“Tudo isso disfarçado de números fatiados e torcidos, que não revelam nem de perto a verdadeira situação da segurança pública em SP. Omissão de mortes em balanços de letalidade policial (em apenas um ano foram omitidas quase 1000 mortes), promoção de PMs que sofrem processos, não afastamento daqueles envolvidos em mortes violentas, esvaziamento dos programas de apoio psicológico e familiar, baixos salários e lei da mordaça” — critica a ativista da Rio de Paz, organização que se manifestou durante meses cobrando o governo estadual sobre a chacina cometida em agosto do ano passado.

Para fechar, Alexandre de Moraes também é reconhecido nacionalmente por ter sido advogado do grupo criminoso de São Paulo, o PCC.

No caso, Alexandre advogou em pelo menos 123 processos na área civil em favor da Transcooper — cooperativa citada em uma investigação que apura formação de quadrilha e lavagem de dinheiro do PCC.

By Democratize on April 20, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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