Foto: Bárbara Dias/Democratize

Quem venceu no segundo turno foram os votos nulos e a abstenção

No Rio de Janeiro, quem derrotou Marcelo Freixo (PSOL) foi a abstenção. Pelo menos 26,85% não compareceram para votar, além de outros 4,18% de votos brancos e 15,90% de votos nulos. Em Porto Alegre o cenário foi semelhante: abstenção, brancos e nulos somam 44,29% – resultando na vitória do tucano Nelson Marchezan Junior.

Quem venceu no segundo turno na grande maioria das cidades nestas eleições foram os votos nulos, brancos e a abstenção.

No Rio de Janeiro, palco principal da esquerda nas capitais neste ano, não foi diferente.

O candidato do PRB, Marcelo Crivella, foi eleito com quase 1.7 milhões de votos (59,35%). Do outro lado, o deputado estadual e candidato pelo PSOL, Marcelo Freixo, alcançou mais de 1.15 milhões de votos (40,65%).

Mas o cenário talvez seria diferente se a abstenção, além dos votos nulos e brancos, não tivessem alcançando um número tão grande neste ano.

Mais de 1.3 milhões deixaram de votar no segundo turno para prefeito do Rio, cerca de 26,85%. Votos nulos alcançaram mais de meio milhão de votos (15,90%) e brancos com quase 150 mil votos (4,18%).

Se formos comparar com o resultado de 4 anos atrás, quando o atual prefeito Eduardo Paes (PMDB) foi eleito ainda no primeiro turno, é possível verificar um grande crescimento da abstenção, nulos e brancos. Em 2012, os votos brancos alcançaram mais de 180 mil (5,03%), enquanto os nulos chegaram a quase 320 mil (8,48%) e a abstenção foi de 965 mil (20,45%). Neste caso, Freixo também havia disputado – ficando em segundo lugar, com 28,15% dos votos válidos, mais de 900 mil eleitores.

Foto: Wagner Maia/Democratize
Foto: Wagner Maia/Democratize

Em Porto Alegre, o cenário continua o mesmo – apesar de mudar os atores.

Sem a esquerda presente – derrotada no primeiro turno com Raul Pont (PT) e Luciana Genro (PSOL) -, os dois candidatos no segundo turno eram considerados representantes do mesmo grupo político em nível nacional, de centro-direita. Isso resultou em uma abstenção recorde de 25,26% – mais de 277 mil pessoas. Além dos votos nulos (mais de 109 mil pessoas somando 13,36%) e dos brancos (cerca de 46 mil pessoas somando 5,67%).

Quatro anos atrás, quando o atual prefeito Fortunati (PDT) foi eleito ainda no primeiro turno (com 65,22% dos votos), houve 18,55% de abstenção (somando quase 200 mil eleitores), cerca de 42 mil votos nulos (4,83%) e 40 mil votos brancos (4,57%).

Agora, o PDT perde espaço com a vitória do tucano Nelson Marchezan Junior, da coligação PSDB/PP/PMB/PTC/PV, que venceu o segundo turno com 60,50% dos votos válidos contra Sebastião Melo (PMDB) com 39,50%. Teoricamente, assim como no Rio de Janeiro, a prefeitura de Porto Alegre passa para as mãos de uma direita mais articulada e conservadora, que não tem por trás o apoio de partidos como o próprio PDT.

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