Elogios ocorrem após o prefeito de São Paulo declarar que seria mais fácil “pagar uma viagem pra Disney de graça” do que oferecer tarifa…

Que fase! Haddad é elogiado por Constantino e por grupo pró-impeachment

Que fase! Haddad é elogiado por Constantino e por grupo pró-impeachmentElogios ocorrem após o prefeito de São Paulo declarar que seria mais fácil “pagar uma viagem pra Disney de graça” do que oferecer tarifa…


Que fase! Haddad é elogiado por Constantino e por grupo pró-impeachment

Foto: Leonardo Soares/AE

Elogios ocorrem após o prefeito de São Paulo declarar que seria mais fácil “pagar uma viagem pra Disney de graça” do que oferecer tarifa zero na capital. Enquanto o prefeito ignora a demanda mais urgente das manifestações — que é a redução da tarifa e não o passe livre em si — a direita o aplaude, com trilha-sonora de bombas de efeito moral.

O prefeito petista Fernando Haddad, de São Paulo, tem enfrentado pela terceira vez uma onda de protestos contra o aumento da tarifa no transporte público em seus quase quatro anos de mandato.

A primeira onda de manifestações ocorreu logo em 2013, quando ele resolveu aumentar em 20 centavos as passagens dos ônibus, em conjunto com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Na época, a violência policial acabou massificando as manifestações, que tomaram as ruas de todo o Brasil, exigindo que o prefeito e o governador aceitassem a demanda do Movimento Passe Livre.

Em 2015, na tentativa de se blindar de novos protestos, o prefeito lançou o “Passe Livre Estudantil”, além de anunciar o aumento das passagens na virada do ano. Conseguiu, em partes, afetar a capacidade de mobilização do MPL nas manifestações daquele ano, que mesmo reunindo um grande número de manifestantes nos dois primeiros atos, acabou perdendo a força. Então, a passagem se estabeleceu no valor de R$3,50.

Já em 2016, Haddad e Alckmin repetiram a tática, anunciando o aumento da tarifa mais uma vez na virada de ano, para R$3,80. Só que desta vez, já não existia mais o “Passe Livre Estudantil” para ser usado como blindagem política, uma vez que o programa já existe e tem sido motivo de crítica por muitos estudantes. As manifestações ainda ocorrem em determinado momento político verdadeiramente caótico, aumentando a possibilidade de adesão aos protestos do MPL. E tem sido assim até agora.

O problema é que a grande mídia, visando desestabilizar as manifestações com viés de esquerda e popular, tem tratado o tema com uma certa ignorância. Evitam utilizar os termos “aumento da passagem”, colocando em suas manchetes “alta tarifa”. Além disso, procuram distorcer as manifestações pautando a tarifa zero, e não a pauta mais urgente defendida pelo MPL nas atuais manifestações, que é a revogação do aumento nas passagens de ônibus, metrô e trens de São Paulo.

A violência policial mais uma vez tem sido destaque. Só que o prefeito Fernando Haddad parece não estar muito preocupado com isso.

Manifestante socorrido por ativistas após levar um tiro de bala de borracha na última manifestação do Passe Livre em São Paulo, no dia 21 de janeiro, reunindo 7 mil pessoas | Foto: Alice V/Democratize

O prefeito Fernando Haddad declarou nesta semana que acha impossível uma cidade como São Paulo adotar a política de tarifa zero no transporte público — ignorando, claro, a pauta primária defendida pelo MPL que é a redução das passagens.

Uma de suas frases mais polêmicas foi ironizando a mobilização histórica do Movimento Passe Livre: “Agora quer passe livre para todo mundo. Então é melhor eleger um mágico em outubro”.

A frase e a declaração inteira foi motivo de muitas críticas partindo de setores de esquerda na sociedade. Mas, para a direita, foi um momento louvável do prefeito petista.

O Movimento Brasil Livre, um dos principais articuladores do impeachment de Dilma Rousseff (PT), liderado pelo “neojornalista” Kim Kataguiri, elogiou o prefeito em postagem no Facebook.

Movimento Brasil Livre’s Photos – Movimento Brasil Livre | Facebook
Óbvio que nem Haddad nem Lula se tornaram liberais, mas as declarações de hoje do prefeito paulistano mostraram um raro…www.facebook.com

Já o ex-colunista da revista VEJA, o liberal Rodrigo Constantino, foi mais além. Resolveu escrever um artigo em seu site pessoal elogiando o prefeito Fernando Haddad.

“ Parabéns, prefeito! Mas demorou a compreender algo tão banal, não é mesmo? Se ao menos tivesse lido algum livro de Milton Friedman… E agora precisa enfrentar os playboyzinhos burgueses do MPL, aqueles que vão “salvar o mundo” antes de arrumar a própria cama. Recursos escassos: eis o conceito número um da economia, e ignorado por candidatos esquerdistas e por jovens riquinhos, que buscam tesão em suas vidas medíocres colocando máscaras e atacando policiais. Tudo em nome dos pobres, claro…” — escreveu o colunista de direita, que por acaso não mora no Brasil.

Ao contrário do governador tucano Geraldo Alckmin, que era a pessoa mais esperada para realizar tais tipos de comentários, o prefeito Haddad acaba se colocando em uma posição de conflito direto com o Movimento Passe Livre, quase que propositalmente.

Enquanto o governador foca nas ações policiais contra as manifestações, pouco se referindo ao aumento das passagens, o prefeito faz questão de ridicularizar a luta pela tarifa zero e ainda por cima não fez crítica alguma contra a violência policial aplicada pelo governador tucano.

Parece que o público do prefeito Fernando Haddad já começa a mudar de cara.

By Democratize on January 22, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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