Dois anos após a sua morte, ficou um espaço em aberto na esquerda brasileira que parece não ter sido preenchido até o momento. Uma pessoa…

Que falta você faz, meu amigo Plínio

Que falta você faz, meu amigo PlínioDois anos após a sua morte, ficou um espaço em aberto na esquerda brasileira que parece não ter sido preenchido até o momento. Uma pessoa…


Que falta você faz, meu amigo Plínio

Foto: Alice Vergueiro/Folhapress

Dois anos após a sua morte, ficou um espaço em aberto na esquerda brasileira que parece não ter sido preenchido até o momento. Uma pessoa que partiu aos 83 anos, mas que nunca deixou de ser jovem, de estar ao lado da juventude como se fizesse parte dela. Que falta você faz, meu amigo Plínio.


Fico imaginando o que o nosso querido Plínio diria do cenário político atual.

De pessoas como Eduardo Cunha.

A primeira coisa que eu penso que ele provavelmente diria é: “Bom, eu avisei vocês, né?” — e sim, ele avisou.

Toda a crítica existente sobre a forma de governo petista através da “governabilidade” e de suas alianças partidárias questionáveis é antiga, e um dos que mais falaram sobre foi justamente o Plínio de Arruda Sampaio.

Quem não se lembra dos debates para a presidência na TV nas eleições de 2010?

Os escrachos que Plínio dava no então candidato tucano, José Serra. As críticas bem pontuais contra Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva, que até então disputava ainda pelo PV.

O nosso amigo se tornou celebridade. Chamou a atenção do público falando aquilo que todo mundo pensa — até hoje — sobre a política no Brasil: um verdadeiro jogo de amigos. Podem bater um no outro de vez em quando, mas no final das contas, ambos os lados defendiam os interesses daqueles de sempre, os favorecidos pela desigualdade, o 1% da sociedade.

Plínio não fundou apenas o PSOL. Foi um dos fundadores do PT.

Foi deputado federal pelo Partido Democrata Cristão em 1962, em uma época onde as siglas realmente faziam sentido. Foi relator do projeto de reforma agrária do governo Jango, algo que significaria um avanço histórico na luta contra a desigualdade e pelo desenvolvimento do país. Após o golpe, dois anos depois, foi um dos 100 primeiros brasileiros a ter seu direito político cassado por 10 anos.

Ficou exilado no Chile, e posteriormente nos Estados Unidos. Voltou ao Brasil em 1976, integrando o MDB. Participou da campanha da anistia, bateu de frente com figuras conservadoras dentro do MDB, participando da fundação de outro partido muito mais significativo, que carregava em sua sigla a sua proposta, a sua ideia: o Partido dos Trabalhadores.

Participou ao lado de Ulysses Guimarães das Diretas Já, sendo eleito deputado federal constituinte em 1986, com mais de 60 mil votos — o segundo mais votado do partido, atrás apenas de Lula.

Depois de abandonar o PT, já no governo Lula, ajudou a criar o PSOL. Foi candidato ao governo de São Paulo em 2006, recebendo mais de 450 mil votos. Quatro anos depois, foi o nome escolhido pelo partido para a presidência, em uma campanha histórica, com quase 900 mil votos.

Apesar das dificuldades, nunca desistiu de suas ideias.

E que falta faz debater ideias em uma época onde personalismos ganham destaque, seja com Moro ou com Lula, não?

Que falta você faz, meu amigo Plínio.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador da Agência Democratize

By Democratize on July 8, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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