Foto: AP

Quase dois anos após acordo com credores, Grécia ainda sofre com a crise

Mesmo seguindo o caminho oposto da Venezuela, a Grécia sofre as mesmas consequências ao ter feito acordos com credores e investidores externos para ficar na União Europeia. País vive com uma média de 23% de desemprego, além de um PIB que vale 1/4 a menos do que valia antes da crise. Governo continua obedecendo credores, privatizando ferrovias e estatais, precarizando a condição de vida dos trabalhadores.

Não é a Venezuela, mas poderia ser dependendo do ponto de vista.

Quase dois anos após a vitória do primeiro-ministro Alexis Tsipras, do partido de esquerda SYRIZA, quem governa a Grécia não são os políticos.

Isso acontece pela fragilidade das escolhas do atual governo, que em 2015 quase se retirou a União Europeia com o objetivo de dar o calote na dívida e poupar os gregos de mais planos de austeridade.

Na realidade, a própria população grega pediu por esse caminho através de um referendo, proposto pelo próprio Tsipras. Porém, a escolha final foi bem diferente.

O país resolveu sentar na mesa com os credores e investidores externos, prometendo pagar a dívida. Para isso se tornar possível, o governo tem anunciado desde então medidas de austeridade, com o objetivo de poupar os gastos do governo para controlar os pagamentos da dívida, trazendo de volta o capital externo.

O problema é que essas medidas não tem dado certo.

Entidades gregras privadas projetam um crescimento de menos de 1% no ano de 2017, enquanto o governo se agarra a 2,7% no próximo ano para o PIB.

Os próprios economistas admitem que um dos maiores empecilhos para a retomada do crescimento na Grécia é justamente o acordo feito em julho de 2015 com os credores. Isso porque esse poder de retomada não depende mais do governo em si — e sim do capital externo.

“Apesar das promessas de crescimento rápido que foram feitas sucessivamente, o país continua estagnado quase dois anos depois”, relata o jornal PÚBLICIO, de Portugal.

Recentemente, medidas de austeridade adotadas pelo governo de Tsipras irritaram mais uma vez a população grega.

Cerca de 1.500 pensionistas marchavam até o escritório de Tsipras em Atenas, quando policiais da Tropa de Choque bloquearam o trajeto, utilizando gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Em reação, os pensionistas tentaram empurrar um ônibus da polícia que interrompia sua passagem, viralizando as imagens no mundo todo.

“Será possível que eu tenha que pagar o mesmo IPTU que um empresário rico?”, questionou Nikos Saslov para a Reuters. Nikos é mais um servidor público que deve se aposentar no ano que vem. “Se eles (o governo) são esquerdistas, eu sou Sophia Loren”, disse o homem grisalho de óculos e sandálias em referência à atriz italiana.

As imagens são chocantes e mostram como o país europeu passa por uma crise interminável, que já dura mais de uma década — mesmo com anos e anos de austeridade aplicadas por diversos governos que passaram pelo poder na Grécia.

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: