Desde quarta-feira (16), manifestantes ocupam a Avenida Paulista contra a nomeação de Lula para a Casa Civil, e pelo impeachment da…

Qual é a cara dos protestos dos últimos dias pelo impeachment na Paulista?

Qual é a cara dos protestos dos últimos dias pelo impeachment na Paulista?Desde quarta-feira (16), manifestantes ocupam a Avenida Paulista contra a nomeação de Lula para a Casa Civil, e pelo impeachment da…


Qual é a cara dos protestos dos últimos dias pelo impeachment na Paulista?

Empresário e ex-candidato ao governo do Estado, Paulo Skaf (presidente da Fiesp) é aclamado na Av. Paulista pelos manifestantes | Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Desde quarta-feira (16), manifestantes ocupam a Avenida Paulista contra a nomeação de Lula para a Casa Civil, e pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Mas existem diferenças bem específicas sobre os protestos de domingo e os que ocorrem agora.

No último domingo (13), nossa equipe resolveu ir pra Avenida Paulista e descobrir sem filtros qual é a cara da manifestação que reuniu 500 mil pessoas contra o governo petista, em São Paulo.

O resultado você pode ver abaixo.

Mas de lá pra cá, muita coisa mudou.

Depois do vazamento da investigação de Lula pela Polícia Federal, nas mãos do juiz Sérgio Moro, uma onda de manifestações espontâneas ocorreu em todo o país — começando em Brasília e São Paulo.

Com a nomeação de Lula para a Casa Civil, isso esquentou ainda mais o clima político no país.

E novamente, manifestantes ocuparam a Avenida Paulista. Mas desta vez, em plena semana de trabalho, na quarta-feira (16). Com um evento criado por cidadãos comuns no Facebook, cerca de 200 pessoas ocupavam o vão livre do Masp às 19 horas daquela quarta. Após a cobertura massiva da Rede Globo e dos demais veículos de comunicação, o número subiu para 5 mil. Depois 10 mil.

E aquilo tudo acabou virando uma “ocupação permanente” da avenida mais importante da cidade. Os manifestantes decretaram que só iriam sair da avenida caso a Dilma Rousseff declarasse sua renúncia.

E novamente, nesta quinta-feira (17), o protesto/ocupação se repetiu, durante o dia inteiro.

Era esperado algum tipo de abordagem policial para liberar as vias. Também era esperado que o governo do estado, de Geraldo Alckmin (PSDB), não permitisse que uma manifestação pelo impeachment ocorresse no mesmo local que um protesto a favor do governo Dilma Rousseff e de Lula, conforme foi anunciado semanas atrás por movimentos sociais e sindicais.

Nada disso aconteceu.

A Secretaria de Segurança Pública não insistiu na desocupação da avenida, conforme faz em outras ocasiões. Preferiu deixar a manifestação prosseguir. Pouco tempo depois, o governador Alckmin anunciou que iria permitir duas manifestações de teor diferente na avenida nesta sexta-feira (18), mesmo que no domingo passado ele tivesse proibido movimentos pró-governo de marchar na cidade, por conta do protesto organizado pelo impeachment.

Mas, além de todo uso da máquina pública por um governo tucano para favorecer manifestações contra o Partido dos Trabalhadores, outro fator chamou a atenção sobre os protestos que ocorrem desde quarta-feira em São Paulo. E esse fator são os manifestantes, e principalmente “a cara” da manifestação.

Aparentemente, trata-se de um grupo mais violento e de direita que tem ocupado a Paulista nos últimos dias. Movimentos como o Vem Pra Rua e o MBL, protagonistas dos protestos de domingo desde o ano passado, perderam um espaço significativo para o Revoltados On Line, que parecem ter uma relação mais concreta com os manifestantes que ocupam a Paulista.

Outros grupos ganharam destaque, como o “Carecas do Subúrbio”. Tudo isso acabou gerando uma série de agressões contra pessoas que passavam pela avenida durante horário de trabalho, que por usar apenas uma bolsa vermelha ou até mesmo uma camisa vermelha, eram esculachados e perseguidos.

Secundaristas, que protestavam contra a chamada Máfia da Merenda, que envolve figuras importantes do governo tucano em São Paulo, foram hostilizados.

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Figuras como Paulo Skaf, ganharam mais atenção do que nunca, ainda mais pelo fato do “centro” da manifestação ser justamente em frente ao prédio da Fiesp, a Federação de Indústrias do Estado de São Paulo.

Skaf, que na realidade foi “o cara” da vez do último protesto. Além de ceder alimentação para os manifestantes — com direito a filé mignon — , o empresário também deu as caras, discursou, foi aplaudido e tietado.

Estamos falando do mesmo homem que, enquanto candidato para governador de São Paulo em 2014 pelo PMDB, recebeu cerca de R$2,5 milhões de duas empresas investigadas por suspeita de participação em esquema de corrupção na Operação Lava Jato — a construtora OAS S/A e a Queiroz Galvão.

Pra piorar, um dos protagonistas da manifestação de hoje na Paulista foi o “ator” Alexandre Frota, que pertence ao grupo Revoltados On Line. Frota estava acompanhado de outros militantes “de cara feia” do grupo de extrema-direita, que até pouco tempo atrás apoiava a possibilidade de intervenção militar contra o governo federal.

Mas a lua de mel entre o grupo liderado por Marcello Reis acabou rápido: o líder do Revoltados On Line pediu aos manifestantes que o protesto seja dispersado nesta sexta-feira, por conta do ato pró-governo marcado com antecedência por movimentos sociais. Marcello foi chamado de “petista e comunista” pelos manifestantes, sendo expulso da Av. Paulista e escoltado por policiais militares. Veja abaixo:

Porém, mesmo com todo esse perfil mais extremista e agressivo, a manifestação também ganhou um novo tom. Comparado aos atos como o realizado no último domingo, parece haver uma maior variedade de pessoas por classe social e cor de pele. Diferente do que costuma acontecer geralmente, quando os protestos na Av. Paulista contam com cerca de 80% de pessoas brancas e de classe média alta.

Resolvemos clicar essa nova “cara das manifestações” contra Dilma em São Paulo. Veja as fotos.

Fotos: Felipe Malavasi/DemocratizeFotos: Fernando DK/Democratize

By Democratize on March 18, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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