O Conselho de Ética aprovou na noite desta terça-feira (1) a continuidade do processo contra Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara…

Quais foram os deputados derrotados que tentaram salvar Cunha

Quais foram os deputados derrotados que tentaram salvar CunhaO Conselho de Ética aprovou na noite desta terça-feira (1) a continuidade do processo contra Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara…


Quais foram os deputados derrotados que tentaram salvar Cunha

Foto: Lula Marques/Agência PT

O Conselho de Ética aprovou na noite desta terça-feira (1) a continuidade do processo contra Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara. Conhecido por burlar e manipular o Congresso, dessa vez Cunha não teve chance — mas houve quem tentasse salvar o peemedebista. Saiba quem votou contra a continuidade do processo.

Depois de uma longa série de adiamentos e manobras políticas, não foi desta vez que o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB), conseguiu passar por cima do Congresso.

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, enfim, aprovou o relatório preliminar que pede a continuidade do processo disciplinar de cassação de Cunha. Agora, o presidente da Casa será investigado por quebra de decoro por ter ocultado contas bancárias no exterior.

De qualquer forma, Cunha não saiu derrotado por inteiro: o relator do caso, deputado Marcos Rogério (PDT), aceitou a proposta de um aliado de Cunha para retirar do parecer o trecho que pedia que ele fosse também investigado por recebimento de propina.

O placar foi apertado: 11 votos a favor e 10 contra. Mas quem foram esses 10 deputados que, ainda insistem em defender o indefensável? E qual a história deles por trás dessas votações? O Democratize pesquisou e separou alguns tópicos interessados sobre cada um desses deputados.


Cacá Leão, deputado do Partido Progressista (PP) da Bahia

Parece que o envolvimento político com esquemas duvidosos é algo de família. O pai de Cacá Leão, João Leão (também do PP) foi um dos 34 congressistas que tiveram o pedido de abertura de inquérito aceito pelo STF em março de 2015, por conta da operação Lava Jato.

Observação: Cacá Leão fazia parte da CPI da Câmara que investigava o esquema de corrupção na Petrobras. Foi afastado após seu pai ter sido citado.

Erivelton Santana, deputado pelo Partido Social Cristão (PSC), da Bahia

Erivelton teve seu nome vinculado no chamado “Escândalo do Cotão”, onde parlamentares evangélicos foram citados como suspeitos em denúncia de corrupção. A denúncia veio do Correio Braziliense, com uma lista de parlamentares suspeitos de uso ilegal dos recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), a verba indenizatória da Câmara Federal.

Junto com ele, mais 8 deputados da bancada evangélica foram citados.

As empresas Cracia Assessoria e Direct Voice Marketing, segundo o jornal, serviam de empresas de fachada e teriam sido montadas apenas para esconder a origem ilícita de recursos financeiros. A Direct Voice Marketing recebeu aproximadamente R$ 581 mil no mesmo período, e atua com “serviços de divulgação”. Já a Cracia Assessoria faturou em 2013 cerca de R$ 643 mil, tendo como atividade principal a locação de veículos a parlamentares. Uma das coisas que chama a atenção em relação à Cracia é que, apesar dos altos valores recebidos por aluguel de veículos, a empresa possui apenas dois carros registrados no DETRAN-DF.

João Carlos Bacelar, do Partido da República (PR), da Bahia

Com uma longa lista de denúncias, Bacelar já foi investigado pelo próprio Conselho de Ética que hoje faz parte, por falta de decoro e nepotismo cruzado. As denúncias foram feitas pela revista Veja, em 2011.

Já no ano passado, em setembro, o nome de Bacelar surgiu mais uma vez nos holofotes, quando o Ministério Público da Bahia o denunciou junto com Alexandre Pauperio por desvios de R$39,4 milhões nos convênios entre a Secretaria Municipal de Educação e a Fundação Escola de Administração (FEA), vinculada à Universidade Federal da Bahia (UFBA). Os desvios aconteciam entre 2009 e 2012.

Maurício Quintella, do Partido da República (PR), do Alagoas

Quintella, não faz muito tempo, respondia por peculato (desvio de verba por funcionário público) no STF, Supremo Tribunal Federal. O deputado era acusado de corrupção, junto com o dono da construtora Gautama, Zuleido Veras. Quintella teria recebido repasse do empreiteiro de R$120 mil, supostamente em troca de verbas federais para obras de drenagem, em Maceió.

Mauro Lopes do PMDB de Minas Gerais

Figura antiga no baralho, Mauro Lopes já teve sua biografia manchada desde cedo. Em 2000, quando era secretário de Segurança Pública do governo Itamar Franco em Minas, se demitiu depois que a CPI do Narcotráfico pediu que ele fosse afastado do cargo.

Na época, a Comissão Parlamentar de Inquérito identificou que dois cheques emitidos por um empresário ligado às investigações tinham sido depositados nas contas de Lopes e de sua mulher.

Recentemente, o nome de Lopes tangenciou a Operação Lava Jato, quando o lobista João Augusto Henriques, o chamado “operador do PMDB”, denunciou a existência de um esquema de corrupção dentro da Petrobras para supostamente beneficiar um grupo de parlamentares do partido em Minas Gerais.

Ricardo Barros do Partido Progressista (PP), do Paraná

Barros é outro deputado aliado de Cunha com uma longa lista de investigações.

Flagrado em escutas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Ricardo Barros, foi investigado pela Procuradoria Geral do Ministério Público do Paraná (MP-PR) por suspeita de corrupção, improbidade, interferência administrativa e tráfico de influência. A investigação foi autorizada pelo Tribunal de Justiça (TJ-PR). Ricardo Barros foi líder do governo no Congresso Nacional no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e vice-líder do governo Lula (PT) na Câmara dos Deputados.

Segundo gravações telefônicas feitas em 2011 pelo Ministério Público Estadual (MP), com autorização da Justiça, Barros teria orientado um secretário da prefeitura de Maringá a fazer um “acordo” entre duas agências de comunicação que disputavam licitação de publicidade da administração municipal, no valor de R$ 7,5 milhões. Na conversa comLeopoldo Fiewski, então chefe de gabinete do prefeito Silvio Barros — irmão de Ricardo −, Barros afirma que “era pra ser filha única”, “não gosto de amador”, “eu queria que você promovesse uma conversa dos dois [concorrentes]” e “aí quem sabe fazemos uma solução salomônica aí”.

Sérgio Moraes do PTB do Rio Grande do Sul

Se lembram dele? Moraes, o deputado que “se lixa para a opinião pública”?

O caso rendeu polêmica, principalmente após a sua esposa, Kelly Moraes (PTB), ter sido eleita pela “opinião pública” para prefeita de Santa Cruz do Sul, no RS. O cargo obtido nas urnas contempla a adminstradora da cidade gaúcha com um salário de R$18 mil.

Washington Reis do PMDB do Rio de Janeiro

Reis, ex-prefeito de Caxias, foi investigado em 2014 pelo Ministério Público por conta de um esquema de fraudes em licitações. A Polícia Federal chegou a cumprir mandado de busca e apreensão em sua casa.

Reis é alvo ainda de um inquérito que investiga uma suposta variação patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo deputado entre 2001 e 2003. Na declaração de bens disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a eleição de 2014, ele aparece com um patrimônio de R$ 1, 7 milhão.

O deputado ainda responde a uma ação no STF por crime ambiental, além de ser investigado em inquéritos que apuram supostos crimes eleitorais e lavagem de dinheiro.

Wellington Roberto do Partido da República (PR), de Pernambuco

Wellington Roberto foi acusado pelo empresário Darci Vedoin de envolvimento no que foi chamado de “Escândalo dos Sanguessugas”.

Segundo Vedoin, Wellington Roberto teria recebido 10% de comissão de cada emenda de sua autoria que resultasse em licitação ganha em prefeituras ou entidades não governamentais. Ainda pesa contra o político, transcrição de ligação telefônica com o então assessor do Ministério da Saúde, Jairo Lanogni de Carvalho.

Wladimir Costa do Solidariedade do Pará

Costa, conhecido carinhosamente como “Wlad”, coleciona diversos processos na Justiça Brasileira.

O Supremo Tribunal Federal — onde julgam políticos com foro especial — ele tem pelo menos 10 inquéritos abertos em seu nome e no mínimo cinco Ações Penais. De algumas investigações ele já conseguiu escapar. Mas a mais recente pode significar o fim de sua carreira política. O Inquérito 3.884 mostra as estreitas ligações de Wladimir Costa com o governo Simão Jatene através da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), comandada a alguns anos por pessoas indicadas pelo deputado.

A denúncia apresentada pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, indica que a organização não governamental Instituto Nossa Senhora de Nazaré de Educação, Esporte e Lazer de Barcarena, ligada a Wladimir Costa, sacou em espécie R$ 230.000,00 em recursos repassados pela secretaria para que a ONG realizasse um torneio de canoagem naquela cidade, que nunca aconteceu.

By Democratize on March 2, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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