Foto: Wagner Maia/Democratize

Quais as chances da esquerda no segundo turno em quatro capitais

Apesar do cenário desesperador na maioria das capitais, a esquerda conseguiu chegar ao segundo turno fortalecida em pelo menos 4 das principais cidades do país. Em duas delas, Belém (PA) e Rio de Janeiro (RJ) é o PSOL que conta com candidatos; o PT chega ao segundo turno no Recife (PE) e o PCdoB em Aracaju (SE).

O clima é de insegurança um dia após o domingo de eleição nas capitais do Brasil. Isso acontece por causa do crescimento já esperado de setores mais conservadores da sociedade, como aconteceu em São Paulo com a prematura vitória de João Doria (PSDB) no primeiro turno, além de exemplos como Porto Alegre, onde o segundo turno será disputado entre duas candidaturas de centro-direita.

Mas nem tudo é tristeza.

Em quatro capitais, a esquerda consegue chegar ao segundo turno, sendo que na maioria delas a possibilidade de vitória é real.

O ponto que precisa ser destacado é o crescimento do PSOL nas eleições deste domingo. Chegando ao segundo turno em duas capitais, com plenas condições de vitória, o partido já pode ocupar mais prefeituras de capitais do que o PT, que chega ao segundo turno enfraquecido no Recife (PE), além de vencer de primeira em Rio Branco, no Acre.

Já o PCdoB também conta com reais chances de vitória no segundo turno, com Edvaldo Nogueira contra Valadares Filho, do PSB. No primeiro turno da capital do Sergipe, o candidato do PCdoB saiu na frente de seu concorrente, com 38,76% dos votos contra 38,09% de Valadares Filho.

A disputa agora será entre os votos dos demais candidatos: em terceiro lugar, ficou o candidato do DEM, João Alves, com 9,99% dos votos que devem ser divididos entre os dois no segundo turno. Em quarto, Dr. Emerson da Rede com 9,01% dos votos — neste, a maioria deve ser encaminhada para o candidato do PCdoB. Sem mencionar os votos de Sonia Meire (PSOL) com 2,50% e Vera Lúcia (PSTU) com 1,66% — votos de esquerda que devem manter Edvaldo Nogueira com vantagem nos próximos dias.

A coligação entre PT/PCdoB/PSD elegeu cinco vereadores em Aracaju. A Rede elegeu dois, A coligação entre PT/PCdoB/PSD elegeu cinco vereadores em Aracaju. A Rede elegeu dois, e o PSOL/PSTU nenhum. Neste sentido, para conseguir uma governabilidade estável em caso de vitória, Edvaldo terá de fazer alianças com partidos como PDT, PP, PPL e até mesmo PMDB.

Foto: Fotos Públicas
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Já em Belém, o candidato e deputado federal do PSOL ficou em segundo lugar no primeiro turno, com uma diferença mínima. Edmilson Rodrigues ficou com 29,50% dos votos, contra 31,02% de Zenaldo Coutinho (PSDB). As pesquisas anteriores davam uma vitória confortável de Edmilson em primeiro lugar. Porém, com o pouco tempo em televisão, a candidatura tucana se fortaleceu. Agora, o cenário é diferente — já que ambos os candidatos possuem o mesmo tempo de campanha na TV.

Para Edmilson alguns votos já estão garantidos, como o caso do quarta colocada na disputa deste domingo, Ursula Vidal (Rede). Ursula ficou com 10,29% dos votos. Além dela, outros votos como o de Regina Barata (PT) com 1,71% e Lelio Costa (PCdoB) com 0,76% e Cleber Rabelo (PSTU) com 0,25% devem ir em maioria para o candidato do PSOL. O problema será a disputa dos votos dos candidatos Éder Mauro (PSD), que ficou com 16,53% dos votos, além do Professor Maneschy (PMDB) com 9,70%. Porém, a chance de uma vitória é grande.

O PSOL, sozinho, elegeu 3 vereadores na capital do Pará. Poderá contar com o eventual apoio do PCdoB, com duas cadeiras, do PT com uma, e da coligação entre PDT/PV com duas. Porém, segue o dilema de Aracaju: para conseguir manter uma gestão estável, em caso de vitória, Edmilson teria que buscar alianças com siglas fora da esquerda, como é o caso da coligação PEN/PR/PMN (três cadeiras), PTN/PTC (duas cadeiras), e PPS (uma cadeira).

No Rio de Janeiro, o cenário é mais estável, e as chances de vitória são maiores ainda.

Foto: Wagner Maia/Democratize
Foto: Wagner Maia/Democratize

Apesar da distância entre Crivella (PRB) com 27,78% dos votos e Freixo com 18,26% dos votos, o Rio segue uma tendência de impopularidade do candidato do PRB, que além de cair nas pesquisas, sofre com o crescimento do próprio Freixo. Para o candidato do PSOL, alguns votos são garantidos no segundo turno, como os de Jandira Feghali (PCdoB) com 3,34% dos votos, Alessandro Molon (Rede) com 1,43% dos votos, e Cyro Garcia (PSTU) com 0,19%.

Mas os números ainda estão longe de ser suficientes.

Freixo precisará disputar com Crivella uma parcela dos votos de seus opositores, principalmente de Pedro Paulo (PMDB) que ficou com 16,12% dos votos, Indio da Costa (PSD) com 8,99% dos votos e Osorio (PSDB) que ficou com 8,62%. Os votos de Flávio Bolsonaro (PSC), que foram 14%, devem seguir para Crivella.

O PSOL conseguiu eleger 6 vereadores na capital do Rio, número recorde. Precisará do apoio do PT em um eventual governo, que conta com duas cadeiras, e de siglas como o PDT (duas cadeiras), PTdoB (uma cadeira) e PTN (uma cadeira). Mesmo assim não é o suficiente para manter uma administração estável. Freixo já afirmou neste domingo que não permitirá o apoio do PMDB no segundo turno, e provavelmente deve seguir a mesma linha em um eventual governo.

No Recife, o cenário é mais difícil. Por pouco, Geraldo Julio (PSB) não venceu no primeiro turno, conquistando 49,34% dos votos. O petista João Paulo conseguiu 23,76% dos eleitores. A tarefa de João Paulo será não apenas conquistar o voto dos oponentes, como também enfraquecer o candidato do PSB.

Para ele, contam os votos de Edilson Silva (PSOL) com 2,10%, e poucos milhares de votos que conquistaram os candidatos do PSTU, PCO e PV. A dificuldade será retirar votos dos opositores da sigla, como é o caso do PSDB, que com Daniel Coelho conseguiu 18,59% dos votos, e de Priscila Krause (DEM) com 5,43%.

Sem mencionar que o PCdoB conseguiu eleger apenas um vereador. O PT segue com duas cadeiras, e o PSOL com uma. Em caso de vitória, o cenário é de extrema dificuldade para João Paulo.

Ou seja, tanto PSOL como PT e PCdoB precisam pensar, além da vitória no segundo turno, em como administrar as capitais sem precisar cair novamente no mesmo dilema que causou a atual crise institucional na esquerda eleitoral: a governabilidade. Foi por causa deste fator, por exemplo, que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) perdeu força no Congresso, sendo derrubada por um impeachment neste ano.

De qualquer forma, a esquerda conta com chances reais de dar um passo importante ainda neste ano.

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