A sétima manifestação do MPL contra o aumento das passagens em São Paulo terá como destino um possível encontro com o prefeito Haddad e o…

Próxima manifestação determinará futuro do movimento contra o aumento em São Paulo

Próxima manifestação determinará futuro do movimento contra o aumento em São PauloA sétima manifestação do MPL contra o aumento das passagens em São Paulo terá como destino um possível encontro com o prefeito Haddad e o…


Próxima manifestação determinará futuro do movimento contra o aumento em São Paulo

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

A sétima manifestação do MPL contra o aumento das passagens em São Paulo terá como destino um possível encontro com o prefeito Haddad e o governador Alckmin. Se for bem sucedida, a jornada de manifestações deve ganhar mais impulso para continuar e sair vitoriosa — caso contrário, baixa adesão pode encerrar manifestações deste ano.

Em matéria publicada pelo Democratize em outubro do ano passado, entrevistamos o ex-secretário de Transportes de São Paulo, Lucio Gregori, sobre o futuro do Movimento Passe Livre. Na época, o MPL convocou uma manifestação para celebrar o Dia Nacional de Mobilização contra a Tarifa, reunindo poucas centenas de pessoas em São Paulo.

De lá pra cá, poucos imaginavam que o movimento conseguiria levar mais milhares de pessoas para a rua em seis manifestações neste ano, em um pequeno intervalo de duas semanas. Mas isso aconteceu, e levou de volta ao debate na mídia e na sociedade sobre a questão do transporte público e os consecutivos aumentos das passagens no Brasil.

Mas, por conta da violência policial, as manifestações deste ano parecem seguir o mesmo destino que os atos realizados em 2015, quando a passagem passou para R$3,30 em São Paulo. Curiosamente, foi também a violência policial que levou milhões de pessoas para as ruas em 2013, culminando na redução da tarifa e em protestos históricos ao redor do Brasil.

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Nesta terça-feira (26), o MPL realizou o sexto ato contra o aumento das passagens em São Paulo. Cerca de 3 mil pessoas participaram, segundo o próprio movimento. Apesar de um número considerável de manifestantes, pudemos registrar a queda de adesão desde a primeira manifestação, no começo de janeiro, quando cerca de 20 mil pessoas participaram do primeiro protesto. Já no penúltimo ato (quinta, 21) foram 7 mil manifestantes.

Existe uma ideia, principalmente nos setores de esquerda, que a quantidade de pessoas não determina a legitimidade de uma manifestação. Correto, mas o número de manifestantes é um importante fator para que a mobilização tenha sucesso. Não podemos comparar, por exemplo, a mobilização contra o aumento das passagens com a vitória dos estudantes secundaristas no ano passado, em São Paulo.

Tratava-se de um movimento com um foco bem determinado e específico, direcionado aos jovens secundaristas. Já a luta contra o aumento das passagens é mais amplo, pois afeta diretamente e cotidianamente vários setores da sociedade — o estudante, o trabalhador, o ambulante, etc. Por isso, a importância de uma manifestação contar com um número massivo de adeptos para conseguir um saldo positivo, atraindo a opinião pública e chamando atenção dos grandes veículos de comunicação para a sua pauta.

Intervenção contra a violência nos protestos de 2016 | Foto: Luciano Caron

A violência policial, como dito acima, pode ser um dos fatores que determina o possível “esvaziamento” das manifestações deste ano — ao contrário de 2013, quando foi justamente a indignação com a repressão que levou um número ainda maior para as ruas.

Essa diferença de reação da sociedade pode ser explicada utilizando exatamente as manifestações de 2013 como base. O Brasil passou por décadas sem ver em sua frente uma onda de manifestações, com jovens e trabalhadores nas ruas por uma pauta específica. Os brasileiros também já não viam de forma cotidiana a repressão policial contra manifestantes pacíficos, apesar de ser algo que ocorria normalmente em outros protestos — como no caso das greves feitas por professores em São Paulo, e a própria Marcha da Maconha em 2011. Porém, ali, a manifestação continha uma pauta que afetava toda a sociedade, e não um grupo específico (professores ou usuários da maconha). E por isso chamou atenção.

Agora, isso tudo passa batido. A sociedade voltou a se acostumar com imagens de brutalidade policial, e uma camada específica até passou a defender tal ação de repressão, justamente por conta da “politização torta” que o Brasil passou a ter desde os protestos de 2013. Vale lembrar que depois dos atos em junho de 2013, quem mais ocupou a rua foram os movimentos de direita, que souberam utilizar o discurso e bordões das manifestações de junho para seu favor. E tais movimentos de direita, como o MBL e o Vem Pra Rua, por ter como base de adeptos pessoas mais velhas — de 30 a 50 anos — não enxergam a Polícia Militar como ameaça, e sim talvez até a solução.

Foto: Luciano Caron

Ou seja, a manifestação convocada pelo Movimento Passe Livre para amanhã (28) será determinante para sabermos como será o futuro da jornada de mobilização contra o aumento das passagens deste ano.

Um ambiente positivo não falta: o MPL convocou como destino final do ato a prefeitura de São Paulo, no Centro, onde tentará uma reunião com o prefeito Fernando Haddad (PT) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB). O convite foi feito nesta terça, em coletiva convocada pelo próprio movimento no Sindicato dos Jornalistas.

Caso ganhe maior adesão e consiga mostrar para a sociedade civil que não existe qualquer tipo de diálogo para o poder público — a não ser o da repressão, através da Polícia Militar — será uma vitória que poderá dar mais ânimo e impulso para novas manifestações nas próximas semanas.

Mas caso isso não ocorra, levando ainda menos gente para a rua e não conseguindo transmitir sua mensagem, o MPL pode enfim encerrar sua mobilização contra o aumento neste ano.

É um pouco lamentável: duas manifestações deste ano (dia 12 e 21) contaram com ainda mais repressão policial do que as de 2013, em São Paulo. E mesmo assim a opinião pública não parece tão interessada na mensagem e na pauta defendida pelo Movimento Passe Livre. Ainda tivemos de ver em primeira mão o secretário de Segurança Pública do Estado, Alexandre de Moraes, rasgar a Constituição Federal — e pior, a mídia comprar sua tese.

Nos resta esperar para ver o que pode acontecer amanhã. A manifestação ocorrerá com concentração no Largo Paissandú, às 17 horas, e terá como destino a sede da Prefeitura Municipal, na região do Centro — próximo ao metrô República.

By Democratize on January 27, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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