Protestos contra a reforma na Educação serão teste para o governo Temer

Além da possibilidade de escolas começarem a ser ocupadas contra a reforma, manifestações estão marcadas para esta segunda-feira (26) em São Paulo e Rio de Janeiro, sendo que devem continuar durante a semana. Reação negativa da população é o primeiro teste para Michel Temer, que ainda deseja colocar em prática outras reformas nos próximos meses.

Logo que assumiu a presidência, Michel Temer (PMDB) passou por uma semana de manifestações em quase todas as capitais do país, onde centenas de milhares de pessoas exigiram a sua saída e a realização de novas eleições.

Na época, a reação do governo foi péssima: tanto ele quanto seus ministros rotularam os protestos como atos violentos, de uma minoria organizada entre 40, 50 ou 100 pessoas. A própria opinião pública foi obrigada a bater no governo por causa da sua imaturidade em lidar com a insatisfação de uma parcela significativa da população.

Os protestos pelo Fora Temer desapareceram.

Mas a proposta de Reforma no Ensino Médio promovida pelo governo federal através de Medida Provisória já mostra que a insatisfação continua — e deve se acentuar ainda mais.

Mesmo com o governo recuando — mais uma vez — , pontuando que as matérias como Artes, Sociologia e Educação Física ainda serão obrigatórias, o texto divulgado continua repleto de polêmicas, como é o caso da carga horária, sem contar as brechas que abrem caminho para uma “flexibilização” na Educação.

Sem ter consultado professores e estudantes, Temer deu mais um péssimo exemplo de gestão pública. E agora pagará por isso.

A reação nas redes sociais já foi amplamente negativa — e não apenas na esquerda. Vários especialistas criticaram a medida, além de cidadãos comuns que se sentiram excluídos por não serem sequer consultados sobre.

Secundaristas já se mobilizaram em São Paulo neste ano, em defesa da abertura da CPI da Merenda em São Paulo | Foto: Gabriel Soares/Democratize

Agora, nesta segunda-feira (26), a reação irá ser nas ruas.

Manifestações com milhares de pessoas confirmadas já estão marcadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, organizadas por movimentos estudantis autônomos. Outros protestos também devem acontecer durante a semana, encabeçados por tradicionais grupos como a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Os protestos servirão como uma espécie de teste para o governo de Michel Temer.

Após o período eleitoral, a intenção do governo é encaminhar para o Congresso Nacional as reformas que são vistas como ainda mais polêmicas: a Trabalhista e a da Previdência.

Protesto em São Paulo no dia 22, contra o governo de Michel Temer e as reformas, reuniu mais de 15 mil pessoas | Foto: Fernando DK/Democratize

Sindicatos e movimentos sociais já “ensaiaram” neste dia 22 uma preparação para a possibilidade de convocação de Greve Geral caso o governo dê continuidade ao seu projeto neoliberal, que deve afetar de forma drástica a CLT e direitos conquistados pela classe trabalhadora na história do Brasil.

Na contramão das organizações civis, o presidente Michel Temer também já prepara a sua defesa. Para isso, convidou pessoalmente o Movimento Brasil Livre, grupo neoliberal que encabeçou as manifestações contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para articular uma defesa fortalecida das reformas prometidas pelo governo.

Caso os protestos contra a Reforma na Educação se torne uma mobilização nacional com grande adesão, as chances do governo dar continuidade são mínimas. Não por acaso, os grandes meios de comunicação como o jornal O Globo e o Estadão, além da revista VEJA, já publicaram matérias defendendo a proposta do governo federal, tentando viabilizar na opinião pública a aceitação da reformulação no ensino público nacional.

Mas não será fácil passar por cima dos estudantes e dos professores.

Trata-se de uma semana chave para Michel Temer e seu projeto de austeridade. Se não for aprovado nas ruas, sua popularidade deve correr o risco de ficar ainda menor. Pior ainda, se mesmo após ignorar a voz das ruas, ele resolver aplicar de forma autoritária as reformas Trabalhista e da Previdência.

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