Foto: Wesley Passos/Democratize

Protesto no dia 4 causa racha entre Vem pra Rua e Movimento Brasil Livre

Para o MBL, manifestação no domingo serviria de base para eclodir uma mobilização exigindo o impeachment de Michel Temer (PMDB), aliado do movimento. Por outro lado, Vem pra Rua garante que manifestantes “de esquerda” são bem vindos ao protesto, mas ainda não adere ao “Fora Temer”.

O Movimento Brasil Livre, que havia convocado para este domingo (4) protestos ao redor do país contra a alteração feita pelos deputados no texto das 10 medidas anti-corrupção, resolveu cancelar sua participação na mobilização.

A decisão, segundo analistas, ocorre por conta do aumento do sentimento entre a população no geral contra o presidente Michel Temer (PMDB), aliado do grupo. Em defesa da PEC 55/241, o MBL chegou a reunir suas lideranças com representantes do governo, para debater formas de combater as ocupações nas escolas e universidades.

O MBL também conta com uma figura chave dentro do governo: o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), que chegou a participar do II Congresso Nacional do grupo em São Paulo neste mês de novembro. Além disso, o ministro é visto internamente como uma das figuras mais promissoras do partido, pelo qual um dos líderes do grupo – Fernando Holiday – se elegeu vereador neste ano em São Paulo.

Porém, essa postura adotada pelo MBL causou polêmica e críticas entre os demais grupos que protagonizaram os protestos contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). É o caso do Vem pra Rua, principal dos três movimentos, além do Revoltados On Line, visto como o mais radical até o momento.

Apesar do Vem pra Rua ter participação direta no governo de Temer – uma de suas lideranças recebeu promoção em seu cargo público em Brasília após indicação do ex-ministro de Secretaria do Governo, Geddel Vieira -, a demissão de Geddel após o escândalo envolvendo o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero fez com que o grupo se afastasse ainda mais da gestão adotada por Michel Temer. Apesar disso, o grupo ainda não assume abertamente a ideia de defender o “Fora Temer”, já protagonizado por movimentos sociais e estudantis de esquerda.

Para o Vem pra Rua, a postura do Movimento Brasil Livre é “governista demais”, e nos bastidores se fala até mesmo de discussões entre lideranças de ambos os grupos, que trocam acusações. Já para Kim Kataguiri, uma das lideranças do MBL, o Vem pra Rua “abre espaço para a participação da esquerda” no protesto de domingo. Na descrição do evento, o grupo que manteve o ato afirma que a luta anti-corrupção vai além de barreiras ideológicas, deixando claro que toda vertente política será aceita no protesto.

Fernando Holiday, uma das lideranças do MBL, é do DEM - partido de Rodrigo Maia e do Ministro da Educação, Mendonça Filho | Foto: Gustavo Oliveira/Democratize
Fernando Holiday, uma das lideranças do MBL, é do DEM – partido de Rodrigo Maia e do Ministro da Educação, Mendonça Filho | Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

O racha entre os grupos se espalha até mesmo com outras “lideranças” de direita que participaram dos protestos contra Dilma Rousseff, como é o caso do ex-ator pornô Alexandre Frota, que recentemente aderiu ao Revoltados On Line. No Facebook, Frota elogiou o protesto realizado por estudantes contra a PEC 55/241 nesta terça-feira (29) em Brasília, criticando a falta de reação de grupos de direita diante das alterações feitas pelos deputados no projeto das 10 medidas anti-corrupção.

Até o momento, mais de 80 mil pessoas confirmaram presença no evento do Vem pra Rua neste domingo em São Paulo, além de outras 97 mil que demonstraram interesse. Foram mais de 1 milhão de usuários convidados na rede social.

Ainda não se sabe qual será a postura de grupos de esquerda, como a Frente Povo Sem Medo, que liderou protestos contra Temer entre agosto e setembro em todo o país, além de movimentos estudantis.

Em Brasília, o temor é que os protestos deste domingo acabem ganhando um caráter pelo impeachment de Temer, se alastrando ao redor do país com uma frequência muito maior por causa das polêmicas decisões do Congresso, além dos casos de corrupção como o de Geddel, que envolve diretamente a sua figura e deve se encaminhar nos próximos meses na Polícia Federal.

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: