Ao contrário das manifestações anteriores, é a primeira vez que a juventude se mobiliza através das redes sociais sem o protagonismo de…

Protesto espontâneo contra a manobra política do impeachment leva jovens para a Paulista

Protesto espontâneo contra a manobra política do impeachment leva jovens para a PaulistaAo contrário das manifestações anteriores, é a primeira vez que a juventude se mobiliza através das redes sociais sem o protagonismo de…


Protesto espontâneo contra a manobra política do impeachment leva jovens para a Paulista

Foto: Alice V/Democratize

Ao contrário das manifestações anteriores, é a primeira vez que a juventude se mobiliza através das redes sociais sem o protagonismo de movimentos sociais, sindicais ou partidários, contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Mais de mil pessoas, em sua maioria estudantes, participaram de uma manifestação convocada nas redes sociais contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

O ato ocorreu na Avenida Paulista, símbolo dos protestos pela saída da presidenta, em São Paulo.

Diferente das manifestações que ocorreram nas semanas anteriores, a de ontem carregava características peculiares. Sem a presença de centrais sindicais, a primeira coisa que já chamava a atenção era a horizontalidade da manifestação, sem carros de som ou discursos acalorados de lideranças. Outro fator que chamou atenção foi que não havia bandeiras representando partidos políticos ou movimentos sociais.

Segundo um dos manifestantes que compareceu ontem, Eduardo (17), a intenção foi mostrar que a sociedade civil se mobiliza de forma independente contra o impeachment: “Muitos falam que na manifestação contra o golpe só tem militante. Mentira, olha isso aqui, mais de mil pessoas conseguem se organizar e fazer uma manifestação histórica se quiser, sem precisar do aparelhamento de centrais sindicais verticais”.

Foto: Alice V/Democratize

O protesto ocorre menos de uma semana após a votação do impeachment na Câmara dos Deputados, que ocorreu no domingo (17).

De lá pra cá, o ambiente nas redes sociais mostra que a tendência mudou de lado. Muitas pessoas, principalmente jovens e estudantes, não gostaram do que viram em tempo real durante a votação, e começaram a entender que o problema vai muito além da presidenta. “Eu me considerava a favor do impeachment até a semana passada. Na verdade apostava na cassação da chapa com o Temer junto pelo TSE. Mas depois de domingo, ficou muito óbvio que tirar apenas a Dilma não resolveria absolutamente nada, é um golpe. Acho que as pessoas estão começando a acordar sobre isso”, disse Evelyn, modelo com foco nas redes sociais, que estava ontem na manifestação.

Outra tendência que deve crescer nas próximas semanas, até a decisão do Senado, são as manifestações de rua contra o impeachment.

Para o dia 30 deste mês, mais um protesto que deve seguir os “moldes” do ato de ontem foi marcado em São Paulo e em outras capitais do país, de forma simultânea. É a ‘Marcha Antifascista’, que neste ano deve denunciar o golpe contra a presidenta Dilma.

Seguindo a mesma linha apartidária e com forte presença anarquista e socialista, o evento já conta com mais de 30 mil pessoas interessadas e quase 20 mil confirmadas, apenas em São Paulo.

Foto: Alice V/Democratize

A oposição, preocupada com as reportagens internacionais retratando a situação política como “manipulada”, ainda não parece acreditar em uma virada de jogo nas ruas.

O Movimento Brasil Livre, um dos principais articuladores das manifestações contra a presidenta, já tem sido pressionado nesta semana por seus seguidores. Muitos já questionam a falta de mobilização contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). Segundo informações e declarações de deputados federais, Cunha deve receber sua “anistia” em um eventual governo de Michel Temer (PMDB), por conta do seu entusiasmo e trabalho pelo impeachment de Dilma.

Aliado do Movimento Brasil Livre e dos demais organizadores de manifestações anti-Dilma, Cunha não deve receber pressão nas ruas por parte desses grupos.

Fica evidente a insatisfação da população e da sociedade civil com tais personagens como Cunha e Temer, além do próprio Congresso. Incapacitado de questionar e se mobilizar por conta de alianças nos bastidores, os movimentos pró-impeachment vão perdendo aos poucos o protagonismo das ruas para possíveis mobilizações espontâneas partindo da esquerda — como foi ontem em São Paulo.

By Democratize on April 22, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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