Foto: Gustavo Oliveira / Democratize

Portugueses preparam onda de protestos contra viagem de Temer no país

A “Quinzena contra Temer”, como foi chamada a mobilização contra o presidente brasileiro, ocorre em Portugal por causa da viagem de Temer ao país. Manifestações começaram no dia 17 de outubro, e devem se encerrar neste domingo (30), dia da viagem do presidente.

Tudo começou na Mostra Fotográfica pela Democracia, no espaço associativo Contrabando, na cidade de Porto. Debates, apresentações e exibição de filmes relacionados ao golpe ocorreram na cidade – que será palco de uma grande manifestação neste domingo (30), dia em que está previsto um encontro entre Michel Temer (PMDB) e Antonio Costa, primeiro-ministro de Portugal.

“O governo do Michel Temer veio a partir de um golpe de Estado, um golpe branco, e que ele nega vários direitos humanos e fundamentais, um dos quais é a soberania. É importante salientar que um país sem soberania, na verdade o povo se transforma em súbdito e não em soberano e que cria possibilidades para a participação e a construção de um governo”, explicou Kacerine Queiroz, uma das organizadoras da Quinzena contra Temer.

Durante as duas semanas, o debate em torno do processo político brasileiro também serviu para criticar o papel dos meios de comunicação durante o segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff. “A mídia convencional, a grande mídia, no caso, apoiou o golpe, ela distorcia um pouco das coisas que aconteciam, ela foi totalmente parcial para o lado do Michel Temer, para os partidos que apoiaram o golpe no Brasil”, afirma Rafael Henrique, dj com o nome artístico de dj Farofa, outro dos organizadores.

A agenda de austeridade defendida pelo presidente brasileiro também é motivo de críticas por parte dos portugueses, que vivenciaram na última década um momento crítico em sua economia, com governos com tendências neo-liberais. “Menos de um mês após a posse de Michel Temer, ele decretou o fim da exclusividade da exploração de petróleo no pré-sal e há a possibilidade também da privatização de um grande aquífero Guarani, que é possivelmente a maior reserva de água do mundo. Eu tenho a certeza que também há grandes poderes, não só de grandes multinacionais no interesse dos nossos recursos naturais”, sublinha Kacerine.

Outro ponto criticado foi a PEC 241, projeto aprovado por duas votações na Câmara dos Deputados, que segue para votação no Senado Federal nas próximas semanas.

“Outro ponto que tenho que salientar é a questão do PEC, que é a proposta de emenda constitucional proposta por Michel Temer, que propõe um congelamento de gastos durante 20 anos de qualquer investimento público em saúde e educação e em vários investimentos, sobretudo para a linha social, porque ele não mexeu naquilo que é mais importante na questão do Orçamento que seria o serviço da dívida do Brasil.”

Veja mais sobre a mobilização contra Temer em Portugal:

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