O fotógrafo André Lucas, da agência Futurapress, foi agredido pela Polícia Militar de São Paulo em protesto nessa quarta-feira (18). Foi a…

Por que quando a PMESP agride fotógrafo e jornalista não vira comoção?

Por que quando a PMESP agride fotógrafo e jornalista não vira comoção?O fotógrafo André Lucas, da agência Futurapress, foi agredido pela Polícia Militar de São Paulo em protesto nessa quarta-feira (18). Foi a…


Por que quando a PMESP agride fotógrafo e jornalista não vira comoção?

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

O fotógrafo André Lucas, da agência Futurapress, foi agredido pela Polícia Militar de São Paulo em protesto nessa quarta-feira (18). Foi a segunda vez em menos de 1 ano que André, cumprindo seu trabalho, tem algum equipamento danificado por conta de agressões. E a comoção pela liberdade de imprensa?


Vocês devem se lembrar de um episódio recente, ocorrido em Brasília após a votação do impeachment pelo Senado Federal.

A presidente afastada, Dilma Rousseff, descia a rampa para conversar com os manifestantes e apoiadores. Junto dela, ministros e políticos petistas, como o ex-presidente Lula.

Ai aconteceu isso.

O fato acabou gerando “comoção” entre os jornalistas da Rede Globo.

Na edição do Jornal Nacional daquele dia, o âncora William Bonner lamentava a forma como “os funcionários de Dilma” e os “manifestantes da CUT e MST” agrediram os jornalistas da Globonews, repudiando o que chamou de atentado ao livre jornalismo.

O sindicato da categoria “repudiou” a ação dos manifestantes.

Fizeram a maior tempestade possível para transmitir uma imagem de que “esse grupo político odeia a imprensa”.

Ironicamente, não vemos nada do tipo quando se trata de manifestações populares em São Paulo, onde jornalistas e fotógrafos são constantemente agredidos por policiais militares, por ordem direta do Palácio dos Bandeirantes e da Secretaria de Segurança Pública.

Nesta quarta-feira (18), um desses casos aconteceu mais uma vez.

O fotógrafo da agência Futurapress, André Lucas, teve seu equipamento danificado pela segunda vez em menos de um ano por conta de agressões em manifestações.

Na primeira vez, em dezembro do ano passado, um segurança do Metrô de São Paulo danificou uma lente de sua câmera. Ontem, um policial militar acertou um golpe de cassetete em sua bolsa, onde estava seu notebook, importante ferramenta de trabalho de André.

O fotógrafo segura sua lente quebrada por um dos seguranças do Metrô | Foto: Felipe Malavasi/DemocratizeAndré exibe novamente mais um equipamento danificado por agressões, desta vez seu notebook | Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

A situação pela qual André passou ontem e em dezembro não é novidade para os profissionais da imprensa que acompanham pautas envolvendo manifestações em São Paulo.

São diversos os casos de fotógrafos e jornalistas agredidos por policiais de 2013 pra cá.

Só neste ano, segundo levantamento da Arfoc (Associação Brasileira dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos), pelo menos 16 profissionais foram agredidos pela Polícia Militar apenas no mês de janeiro deste ano, durante as manifestações do Passe Livre.

Neste número eu me incluo. Por conta de uma bomba de efeito moral, disparada propositalmente contra a imprensa, fiquei com um pedaço de estilhaço de pelo menos 2 cm fincado na perna. A retirada do estilhaço foi considerada impossível pela equipe médica do Hospital das Clinicas, por conta da gravidade da explosão.

A Rede Globo e seus canais não se manifestaram.

A opinião pública, que costuma se solidarizar com facilidade em casos de agressões injustas, parece nem ao menos saber do que acontece realmente nas ruas.

Talvez se a agressão contra André tivesse a mesma repercussão que a do rapaz que dirigia um carro preto durante protesto de taxistas em São Paulo, a situação seria um pouco diferente. Mas como estamos falando de agressões partindo de um agente do Estado, funcionário de um governador filiado ao PSDB, fica um complicado imaginar um cenário mais justo.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on May 19, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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