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Por que os seguidores do Bolsonaro ficaram irritados com seu voto sobre a PEC 241

Após votar a favor da “PEC do Fim do Mundo”, o deputado Jair Bolsonaro recebeu críticas dos próprios seguidores em sua página oficial no Facebook. Mas afinal, por que os admiradores do deputado de extrema-direita desaprovaram seu voto? Seu abandonado histórico de posicionamento nacionalista nos anos 90 explica parte das críticas.

Ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o deputado Jair Bolsonaro era conhecido por seu posicionamento nacionalista e de extrema-direia. Em uma entrevista para o apresentador Jô Soares, Bolsonaro criticou fortemente a postura de FHC diante das privatizações que estavam sendo realizadas nas estatais nos anos 90.

A entrevista gerou repercussão e polêmica, após o deputado afirmar ao apresentador que FHC merecia fuzilamento por sua postura econômica.

“Barbaridade é privatizar, por exemplo, a Vale do Rio Doce como ele fez, é privatizar as telecomunicações, é entregar nossas reservas petroliferas para o capital externo”, defendeu o deputado durante a entrevista.

Desde então, os seguidores de Bolsonaro compartilhavam da mesma postura ideológica do deputado: nacionalista e estatista.

Esse grupo de seguidores se manteve forte até os dias de hoje — mesmo após o número de adeptos do deputado aumentar gradualmente com seu posicionamento em relação a liberdades individuais e minorias, se colocando contra o casamento gay, igualdade de gênero, cotas, entre outros.

Porém, após seu voto em defesa da PEC 241 na última segunda-feira (10), as coisas começaram a ficar fora de controle.

Conhecida como a “PEC do Fim do Mundo”, o projeto congela por 20 anos qualquer investimento adicional nas áreas da Educação e Saúde, além de precarizar os programas sociais oferecidos pelo governo federal. A PEC é duramente criticada pela atual oposição, formada em sua maioria por partidos de esquerda, além de sindicatos, movimentos sociais e estudantis. A própria opinião pública parece dividida sobre o tema.

Mas além desses grupos da sociedade, a PEC 241 também recebe a oposição de outro grupo minoritário: os nacionalistas de extrema-direita.

Para eles, precarizar o investimento público em áreas como Saúde e Educação, enquanto a classe política continua recebendo benefícios exorbitantes, e bancos lucram com a taxa de juros nas alturas, é algo extremamente errado.

E esse grupo de seguidores do deputado resolveu questionar sua atitude no Facebook.

A mudança repentina sobre seu pensamento econômico pode ser explicada de várias formas, porém com o mesmo foco: sua intenção de concorrer a presidência da República em 2018.

Para conseguir o apoio de partidos de centro-direita, e principalmente do empresariado, o deputado é obrigado a abrir mão do seu pensamento estatista e nacionalista. Trata-se da mesma linha adotada pelo ex-presidente Lula (PT) nas eleições de 2002, quando deixou de lado o programa econômico historicamente defendido pelo Partido dos Trabalhadores, prometendo seguir a mesma linha praticada pelo governo anterior, do neo-liberal FHC.

E para conseguir pensar em ser eleito, Bolsonaro terá que abrir mão não apenas disso.

Seu posicionamento radical e homofóbico, por exemplo, terá de ter uma versão mais light para conseguir maiores adeptos. É claro, isso vai irritar seus seguidores mais antigos — assim como seu voto na PEC 241 também irritou.

Aos poucos, o “mito” construido pelos próprios seguidores diante do deputado vai caindo aos pedaços.

Resta saber: qual será a alternativa deste grupo, historicamente distante e isolado da maioria da população brasileira, após tal rompimento?

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