Diego Vieira Machado, paraense, 29 anos, era estudante de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Morador do alojamento…

Por Diego, pelos negros e os LGBT: “O luto virou luta”

Por Diego, pelos negros e os LGBT: “O luto virou luta”Diego Vieira Machado, paraense, 29 anos, era estudante de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Morador do alojamento…


Por Diego, pelos negros e os LGBT: “O luto virou luta”

Foto: Felipe Mota/Democratize

Diego Vieira Machado, paraense, 29 anos, era estudante de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Morador do alojamento estudantil da UFRJ, saiu para fazer exercícios e só foi visto de novo despido da cintura pra baixo, com marcas de espancamento e morto às margens da Baia de Guanabara.


Por Álvaro Danezine

Nortista, gay e negro, certamente Diego deve ter tido sua voz calada muitas vezes durante a vida pelo simples fato de existir. Sábado, dois de julho, foi o dia escolhido para calar Diego mais uma vez, e levantar uma enorme quantidade de vozes em sua defesa e na defesa dos seus.

“Uma das linhas de investigação mais consistentes e mais fortes indicam que ele foi morto por crime de homofobia” disse em entrevista Fábio Cardoso, responsável pela divisão de homicídios. Além disso, amigos de Diego relataram que o rapaz já havia recebido ameaças por ser homossexual.

O rapaz teria feito uma denúncia, dias antes de sua morte, quanto aos seguranças de uma obra que ocorria no campus da universidade:

“Ontem, os seguranças das obras do campo de rugby violentaram e torturam um rapaz, o deixando nu e humilhado na rua e atiram contra outros rapazes na quadra da educação física. Nossa segurança interna Diseg, que levou meia hora pra chegar, sendo que eu levo 15 minutos andando pra chegar da prefeitura do campus (onde eles ficam) até o alojamento (lugar que o rapaz buscou pra se proteger), não registrou a ocorrência, não levou o rapaz pra fazer averiguação ou ao medico, e ainda usaram (sic) desculpas do tipo, ‘mas o que você estava fazendo aí’. Essa é nossa segurança, que nos protege, chamando a PM para alunos e acobertando seus comparsas estupradores…. Espero que todas tenham um bom dia depois dessas noticias”, escreveu em sua página pessoal.

Também no campus da universidade foram encontradas pichações com os dizeres “Morte aos gays da UFRJ” no dia da morte de Diego.

Foto: Felipe Mota/Democratize

As populações negra e LGBT já abrigam as margens da sociedade, tendo seus direitos básicos — como o direito de ir e vir- e suas vidas negadas dia após dia. A existência de Diego por si só, dentro de uma universidade federal, já era um ato político frente a uma instituição elitizada que fecha as portas à população negra a todo momento. Mas como mostra a publicação do rapaz em sua página antes de sua morte, ele também usava sua voz pra resistir a essas opressões sociais.

A voz de Diego foi calada, mas muitas se levantaram. Um ato foi organizado foi para o dia 13 de julho, última quarta feira, em frente a Alerj. O evento chamado “Nossas vidas importam — A juventude quer viver!”contou com 1,9 mil confirmados online. “Transformar o luto em luta” era uma das frases na descrição do evento.

Foto: Felipe Mota/Democratize


Álvaro Danezine é estudante de Jornalismo da UFF, Universidade Federal Fluminense. Colaborador da equipe Rio do Democratize, atua como redator e base de mídias

By Democratize on July 15, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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