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Por aprovação da anistia ao caixa dois, Rodrigo Maia assume o papel de “novo Cunha’

Uma das lideranças do processo de impeachment de Dilma Rousseff e homem de confiança do presidente Michel Temer, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM),  montou em seu gabinete uma espécie de QG para convencer deputados a aprovar a anistia ao caixa dois. Ao mesmo tempo, Maia “briga” com o deputado Onyx Lorenzoni, do seu partido, nos bastidores por sair como “paladino da moral” diante das câmeras.

O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) é considerado figura morta – ao menos politicamente – em Brasília. Mas parece ter inspirado seu sucessor na presidência da Câmara, o deputado Rodrigo Maia, do DEM. Tudo porque nos últimos dias em Brasília, o cenário conturbado de 2015 parece ter se repetido.

Nesta quarta-feira (23), Maia tem realizado reuniões e praticado lobby até a madrugada pela aprovação da emenda que pretende anistiar a prática do caixa dois eleitoral, livrando a maioria dos alvos da Operação Lava Jato. Essa emenda entraria no pacote de medidas propostas pelo Ministério Público Federal, que segue o caminho oposto do desejado por Maia e seus aliados.

Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, o texto elaborado estabelece na legislação que não sofrerão punição aqueles que receberam doações, contabilizadas ou não, de valores, serviços e bens para atividades eleitorais e partidárias realizadas até a data da entrada em vigor da regra. Desta forma, Maia conseguiria agradar o Congresso e o próprio governo de Michel Temer, que sofre diariamente com a possibilidade se tornar um alvo ainda maior da Operação Lava Jato.

Para convencer os deputados, Maia prometeu que a medida seria aprovada de forma “simbólica” no plenário – ou seja, sem registro nominal de votos. Segundo a Folha, “o objetivo é evitar desgaste individual à imagem dos deputados”.

E o trabalho tem sido muito bem feito até então: Maia montou um QG em seu escritório da presidência da Câmara, e tem recebido lideranças e deputados que ainda estão “em cima do muro” sobre a emenda. Segundo o Estadão, “o entra e sai de deputados é constante”.

Porém, a parte mais cômica é a ação dos deputados diante das câmeras e, posteriormente, nos bastidores.

Maia ao lado de Onyx | Foto: Ailton de Freitas/Agência O Globo
Maia ao lado de Onyx | Foto: Ailton de Freitas/Agência O Globo

Segundo informações da presidência da Câmara, Maia teria reclamado sobre o relator  do pacote das medidas contra a corrupção, o seu parceiro de partido Onyx Lorenzoni. O relator causou discórdia entre os deputados da base do governo ao apresentar um texto diferente do que o que teria sido acordado entre os líderes em portas fechadas. Para Maia, Lorenzoni abriu mão daquilo que foi prometido em reuniões fechadas com os deputados para sair diante das câmeras como “paladino da moral”.

A briga se torna ainda mais intensa após a decisão do Partido dos Trabalhadores de acompanhar siglas como PSOL e Rede, ao se negar participar da aprovação da emenda. Segundo informações do Estadão, o PT estaria dividido sobre a anistia ao caixa dois.  Pelo menos 26 dos 58 deputados do partido divulgaram uma nota oficial repudiando as tentativas de anistiar a prática do caixa dois:

“Entendemos que seja este um dos objetivos do golpe: ‘Estancar a sangria’, nas palavras de um dos golpistas, proteger deputados que votaram pelo impeachment da presidenta Dilma e que podem ser envolvidos com este crime eleitoral nas investigações em curso”.

Não é por acaso que Maia defende a anistia ao caixa dois. Apesar de não possuir pendências na Justiça, o deputado teve seu nome envolvido na Lava Jato. De acordo com a revista Época, ele teria trocado mensagens de celular com o empreiteiro Léo Pinheiro, do Grupo OAS, para tratar de doações eleitorais.

Além disso, Maia se envolveu em outra polêmica nesta semana, ao afirmar que o ministro Geddel “precisa continuar no governo”. Geddel Vieira Lima é ministro da Secretaria de Governo, braço direito do presidente Michel Temer, e conhecido como um “homem do Parlamento”. A declaração ocorreu após o Conselho de Ética Pública da Presidência da República ter aberto um processo para apurar a conduta do ministro, diante de um episódio que resultou na demissão do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero. Segundo Marcelo, Geddel o teria pressionado para aprovar a construção de um prédio que teria comprado em Salvador.

“O ministro Geddel tem apoio do parlamento, tem confiança do parlamento, tem exercido papel fundamental para o governo na articulação política”, disse Maia em entrevista.

Não é a primeira vez que Maia e aliados de Temer tentam anistiar o caixa dois.

Da última vez, em uma votação surpresa com a Câmara vazia – e sem a presença de Maia, que articulava o projeto nos bastidores -, o projeto foi retirado de votação após pressão dos deputados da Rede e PSOL nas redes sociais.

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