Neste domingo (03), a PM de São Paulo mostrou mais uma vez ser usada como instrumento político do governo estadual. Policiais defenderam…

Polícia política? PM defende ato pró-bolsonaro atacando antifascistas

Polícia política? PM defende ato pró-bolsonaro atacando antifascistasNeste domingo (03), a PM de São Paulo mostrou mais uma vez ser usada como instrumento político do governo estadual. Policiais defenderam…


Polícia política? PM defende ato pró-bolsonaro atacando antifascistas

Foto: Fernando DK/Democratize

Neste domingo (03), a PM de São Paulo mostrou mais uma vez ser usada como instrumento político do governo estadual. Policiais defenderam manifestação pró-Bolsonaro, que com cerca de 500 pessoas atacavam manifestantes antifascistas na Av. Paulista.


Cerca de 500 pessoas participaram neste domingo (03) de uma manifestação convocada por grupos de extrema-direita em defesa do deputado Jair Bolsonaro (PSC), em São Paulo. Menos de duas quadras de distância, movimentos antifascistas realizavam um ato em repúdio ao deputado, conhecido pelo seu posicionamento conservador e homofóbico.

O protesto em defesa de Bolsonaro ocorre após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que no dia 21 de junho decidiu abrir pelo menos 2 ações penais contra o deputado do PSC. O processo ocorre dois anos depois de Bolsonaro ter ofendido outra deputada, Maria do Rosário (PT), ao falar que ela “não merecia ser estuprada” porque a considerava “muito feia” e que “não faz seu tipo”.

Com bem menos participantes, o grupo antifascista caminhou até o local de concentração do protesto em defesa de Bolsonaro, em frente ao prédio da Fiesp.

Lá, começaram as agressões verbais e físicas. Separados pela ciclofaixa, defensores do deputado começaram a cuspir nos manifestantes do outro lado. Socos e pontapés foram trocados, e em menos de 2 minutos, policiais decidiram separar os dois grupos. Mas foi ai que a situação piorou.

Os policias não tentaram impedir as agressões — pelo contrário, começaram a atacar exclusivamente o grupo antifascista, com empurrões e cassetetes. Enquanto o grupo pró-Bolsonaro agredia, ameaçava e jogava garrafas nos manifestantes antifa, policiais os protegiam com escudos.

Em determinado momento, um manifestante questionou a ação da Polícia Militar.

“Estamos exercendo um direito constitucional”, disse o jovem que fazia parte do ato contra Bolsonaro. “Protestar é um direito constitucional”, repetiu para o policial, que respondeu: “Aqui não”.

Foto: Fernando DK/Democratize

Do lado pró-Bolsonaro, manifestantes erguiam faixas e cartazes em defesa do General Ustra, conhecido por ser o carrasco da ditadura militar, responsável pela tortura de centenas de pessoas, além do assassinato e desaparecimento de civis durante o período do regime.

Enquanto a PM defendia o grupo de manifestantes de extrema-direita, aplausos e gritos de “Viva a PM” eram ecoados na Avenida Paulista, gerando indignação das pessoas que passavam pelo local, que estava aberto neste domingo para pedestres.

O ato pró-Bolsonaro prosseguiu até o Centro da cidade, e por onde passava gerava tumultos.

Ao sair da Avenida Paulista, mais confusão. Um casal de pedestres foi agredido por parte dos manifestantes, após criticarem o ato. A polícia mais uma vez interviu em defesa do protesto pró-Bolsonaro.

Ao chegar na região do centro, na Igreja da Sé, os dois grupos de manifestantes se encontraram mais uma vez.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Mas desta vez, mesmo sem qualquer tipo de agressão ou vandalismo, a Polícia Militar resolveu agir com balas de borracha e bombas de efeito moral contra um grupo de dezenas de antifascistas, que gritavam contra o ato de extrema-direita.

Relatos surgiram nas redes sociais de que durante a repressão, jornalistas e fotógrafos foram encurralados por PMs, sofrendo agressões e ameaças por parte dos policiais.

Não é a primeira vez que a Polícia Militar de São Paulo pratica ações com objetivos políticos no estado.

A instituição é conhecida por ter defendido e até mesmo se auto-promovido durante os protestos a favor do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). Ao contrário dos demais protestos neste ano, de secundaristas e do Movimento Passe Livre, onde a prática foi completamente oposta — até mesmo por direcionamento da própria Secretaria de Segurança Pública, na época comandada pelo atual ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

Veja mais fotos.


Vídeo-reportagem e informações por Gustavo Oliveira e Fernando DK, da Agência Democratize

By Democratize on July 4, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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