Por Francisco Toledo

#PodemosTirarSeAcharMelhor: o namoro de Aécio com a imprensa

#PodemosTirarSeAcharMelhor: o namoro de Aécio com a imprensaPor Francisco Toledo


#PodemosTirarSeAcharMelhor: o namoro de Aécio com a imprensa

Por Francisco Toledo

Em mais um episódio de blindagem política, os veículos tradicionais resolveram “proteger a integridade” do senador tucano Aécio Neves: o portal UOL alterou sua manchete principal, ocultando o nome do senador e substituindo por “tucanos”. Outros veículos nem sequer citaram a denúncia do delator Alberto Youssef sobre o fato de Aécio ter recebido propina de Furnas. Mas a história desse namoro entre o senador tucano e a imprensa é muito mais longa do que se imagina.

Nesta terça-feira, o doleiro Alberto Youssef confirmou novamente que o senador Aécio Neves teria recebido dinheiro de corrupção envolvendo Furnas, durante depoimento na CPI da Petrobras: “Eu confirmo por conta do que eu escutava do deputado José Janene, que era meu compadre e eu era operador dele”.

A notícia se espalhou pelas redes sociais. No Twitter e Facebook, uma foto com o jornal da GloboNews dando como manchete a denúncia de Youssef sobre Aécio se espalhava. Por outro lado, defensores do senador afirmavam que não passava de um “disse me disse” que não confirmava de fato o envolvimento do tucano com esquemas no Furnas. A imprensa de direita, encabeçada por lunáticos como Reinaldo Azevedo na VEJA, ignoraram o fato e focaram na fala de Youssef, onde ele afirma que Dilma e Lula “deveriam saber de tudo” sobre o Lava Jato. Oras, se formos levar em consideração o argumento tucano sobre a denúncia do delator sobre Aécio ter sido apenas um “disse me disse” sem provas, por que deveríamos considerar a afirmação do mesmo sobre Dilma e Lula, se foi sob as mesmas condições?

A imprensa tradicional, liderada por veículos como Folha de São Paulo e Estadão, inicialmente tomaram a postura que deveria ser tomada: disponibilizararam a notícia nua e crua para o leitor. Porém, foi questão de tempo para que as manchetes começassem a ser alteradas, evitando ao máximo citar o nome de Aécio Neves, e colocando outros tucanos na fogueira.

É claro que a imprensa pró-governo enlouqueceu com mais uma bola fora dos veículos tradicionais. Mas acabaram por fazer o mesmo que a VEJA e afins, só que ao contrário. Esqueceram de citar a fala de Youssef sobre Dilma e Lula, focando apenas no senador tucano. É um jogo de gato e rato: vamos informar denúncias apenas sobre aqueles que nos interessa atingir. Já o nosso aliado, no mucho. Tempos complicados para o jornalismo.

Jornalismo que aliás, parece ter um sério namoro com o senador Aécio. E faz tempo.

O começo do namoro entre Aécio e a imprensa, ainda quando jovem

Conhecido por ser um dos governadores mais autoritários em relação aos veículos de comunicação enquanto administrador do estado de Minas Gerais, o tucano Aécio coleciona um histórico de escândalos e amor com a imprensa — tanto local quanto nacional.

Foi ele que recebeu no final dos anos 80, do então presidente José Sarney a concessão de uma rádio em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. Na época, porém, ele já tinha em mãos três emissoras FM espalhadas pelo interior do estado — onde mais recebia votos.

Posteriormente, o neto de Tancredo Neves manteve-se conectado com o setor da comunicação de uma maneira diferente.

Um dos episódios de censura e trabalho nos bastidores foi o caso envolvendo o jornalista esportivo Kajuru, enquanto o mesmo trabalhava na Rede Bandeirantes em nível nacional. O jornalista criticou a péssima capacidade do estádio do Mineirão para um jogo envolvendo a seleção brasileira em Belo Horizonte. Ao vivo, ele citou que o governo de Minas separou vários lugares VIP para políticos, empresários e membros da sociedade da capital mineira, contando inclusive com uma entrada exclusiva no estádio — onde, originalmente, deveria ser a entrada para pessoas com deficiência.

Outro caso, denunciado pela Carta Maior, mostra que no ano passado, a TV Banda Minas não exibiu um programa produzido pelo Sindicato dos Professores de Minas Gerais por “ir contra a sua linha editorial”. Segundo a matéria, o programa censurado faz críticas à gestão da educação em Minas Gerais, algo impensável de ser exibido pela imprensa mineira.

Logo que assumiu o cargo de governador de Minas em 2003, uma onda de demissões de jornalistas ocorreu no estado, não escapando até o diretor regional de jornalismo da TV Globo, Marco Nascimento, que havia autorizado a exibição de uma matéria sobre uso de crack no centro de Belo Horizonte.

O brasileiro e sua indignação seletiva, durante a manifestação pelo impeachment de Dilma Rousseff, em São Paulo (16) — Foto: Wesley Passos | Democratize

Existem vários outros casos tão polêmicos quanto os citados envolvendo Aécio Neves e a imprensa local e nacional. Mas a questão principal não é essa.

Todo esse tema nos leva para o mesmo debate: quando conseguiremos, enfim, democratizar os veículos de comunicação, começando por tirar das mãos de políticos o controle de várias redes de rádio e televisão?

Apenas uma forte regulamentação do Estado pode promover a igualdade de acesso e alcance da informação. O Partido dos Trabalhadores, que tanto critica os veículos tradicionais e de oposição, não se preocupou em pautar o tema nestes mais de 12 anos de poder no Brasil. Pelo contrário, aumentou o incentivo para publicidade aos grandes veículos, injetando milhões de reais por ano para redes como a Globo.

Enquanto isso não acontecer, não adiante reclamar: vai continuar tendo #PodemosTirarSeAcharMelhor sim, quantas vezes acharem necessário.

By Democratize on August 26, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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