Em entrevista para a mídia alternativa em São Paulo nesta quarta-feira (27), o ex-presidente uruguaio ‘Pepe’ Mujica afirmou que…

Pepe Mujica: “Política não é pra fazer dinheiro, temos que viver como vive a maioria”

Pepe Mujica: “Política não é pra fazer dinheiro, temos que viver como vive a maioria”Em entrevista para a mídia alternativa em São Paulo nesta quarta-feira (27), o ex-presidente uruguaio ‘Pepe’ Mujica afirmou que…


Pepe Mujica: “Política não é pra fazer dinheiro, temos que viver como vive a maioria”

Foto: Gabriel Soares/Democratize

Em entrevista para a mídia alternativa em São Paulo nesta quarta-feira (27), o ex-presidente uruguaio ‘Pepe’ Mujica afirmou que independente da vitória ou da derrota, é preciso persistir e nunca deixar de lutar por aquilo que acredita.

Pepe Mujica deixou a presidência do Uruguai, mas nem por isso abandonou a política. Popular no continente, o ex-presidente tem viajado ao redor do mundo para debater a crise econômica e política, e principalmente para inspirar milhões de jovens que ainda acreditam em uma solução para a desigualdade social.

No Brasil, o debate vai além.

Nesta quarta-feira (27), Mujica esteve em São Paulo para uma entrevista coletiva com a mídia alternativa.

O ex-presidente uruguaio citou a “Ley de Servícios de Comunicación Audiovisual”, que foi proposta e implementada durante seu governo, com o objetivo de regulamentar e democratizar a comunicação no Uruguai: “As empresas de comunicação são empresas. Quem são seus clientes? Obviamente não são pessoas da esquerda. Digo assim para não entender isso como um malefício. Não é malefício, é o poder da classe social”, afirmou o ex-presidente uruguaio.

Setores governistas no Brasil criticam a parcialidade dos grandes meios de comunicação sobre o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff desde o ano passado, quando manifestações a favor da saída de Dilma foram praticamente exibidas em tempo real por canais de grande alcance, como a Globonews.

Porém, em mais de 12 anos de administração federal, foi o próprio Partido dos Trabalhadores que pouco fez pela democratização dos meios de comunicação — pelo contrário, as verbas para publicidade do governo federal para a grande mídia aumentaram ainda mais.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Mujica abordou outros temas polêmicos de sua administração, como a legalização do aborto no Uruguai, citando a “sorte” que tem pelo país ser pequeno, ou seja, mais fácil de aprovar medidas progressistas com a participação da sociedade.

“O Uruguai foi o primeiro país a reconhecer o voto das mulheres. Reconheceu a prostituição com direitos sociais e o direito ao divórcio”. Segundo Mujica, o aborto foi aprovado “para salvar vidas de mulheres pobres, que não têm como custear um aborto privado”.

O mesmo equivale sobre a maconha: “Com a marijuana é o mesmo. Vamos deixar o narcotráfico sem demanda”.

Porém, o assunto mais tocado foi a instabilidade política e social que o Brasil enfrenta nos últimos 2 anos, que acabou rendendo a aprovação do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff no dia 17 deste mês, em votação da Câmara dos Deputados.

“Se eu fosse Dilma, pobre Dilma. Não posso dizer o que eu faria no lugar dela”, disse o ex-presidente uruguaio. Mujica ainda criticou o aparelhamento vertical dos partidos de esquerda no Brasil, como é o caso do PT: “Os partidos progressistas têm de ser muito mais horizontais, menos piramidais. Que os companheiros de esquerda entendam, concordando ou discordando, que quem faz a história não são os homens, mas as correntes de ideias que são representadas pelos partidos”.

Não faltaram críticas sobre a Operação Lava Jato e a corrupção massiva que afeta os partidos políticos no Brasil.

“Política não é para fazer dinheiro.Temos que viver como vive a maioria. Não como vive a minoria. Política não deve obedecer o interesse da grana, é coisa que não tem preço, que não se compra”.

Foto: Gabriel Soares/Democratize

By Democratize on April 27, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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