Nesta quarta-feira (16), entre 50 e 60 mil pessoas participaram de ato contra o impeachment de Dilma Rousseff em São Paulo. No domingo, a…

Pela primeira vez em 2015, ato contra impeachment reuniu mais que ato anti-Dilma

Pela primeira vez em 2015, ato contra impeachment reuniu mais que ato anti-DilmaNesta quarta-feira (16), entre 50 e 60 mil pessoas participaram de ato contra o impeachment de Dilma Rousseff em São Paulo. No domingo, a…


Pela primeira vez em 2015, ato contra impeachment reuniu mais que ato anti-Dilma

Foto: historia0/Flickr

Nesta quarta-feira (16), entre 50 e 60 mil pessoas participaram de ato contra o impeachment de Dilma Rousseff em São Paulo. No domingo, a equipe do Democratize contabilizou cerca de 20 mil pessoas. Porém, em nível nacional, mobilização por impeachment ainda conseguiu reunir mais pessoas que no “fica Dilma”.

O ano de 2015 ficará marcado pela imagem da Avenida Paulista lotada de pessoas de verde e amarelo exigindo o impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT). Porém, não foram essas imagens que registramos na última passeata mobilizada por grupos de direita em São Paulo, no domingo (13).

Contando com no máximo 20 mil pessoas, o ato anti-Dilma foi desconsiderado até pela grande imprensa — que, anteriormente, realizava quase que um acompanhamento em tempo real das marchas. A própria PM, que costumava inflar o número de manifestantes presentes, preferiu não dar números oficiais. O Datafolha registrou cerca de 40 mil pessoas — talvez não levando em conta o espaçamento entre os blocos de manifestantes, e principalmente a quantidade absurda de carros de som e bonecos infláveis, como o pato, que virou meme nas redes sociais.

A reação dos movimentos que convocaram o ato, principalmente do MBL, foi de “traição”. Para os organizadores, mais de 100 mil pessoas haviam participado dos protestos em São Paulo no domingo — um número absurdamente equivocado. Ainda criticaram a grande mídia em fazer o ‘jogo do governo’, publicando fotos dos protestos vazios nas matérias divulgadas online e impressa.

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Já nesta quarta-feira, os números chegaram a surpreender — pelo menos em São Paulo. Entre pelo menos 50 e 60 mil pessoas participaram do ato em defesa do mandato de Dilma Rousseff, convocados por sindicatos como a CUT, o próprio Partido dos Trabalhadores e movimentos sociais e trabalhistas como o MTST.

Para a Central Única dos Trabalhadores, mais de 100 mil pessoas participaram — número inflado. Já para o Datafolha, foram mais de 50 mil presentes, superando até para os veículos tradicionais os números de domingo na passeata pró-impeachment.

É a primeira vez que isso ocorre em 2015 na cidade de São Paulo. E pior: em um momento onde, estrategicamente falando, as forças pró-impeachment teoricamente teriam mais força do que as pró-governo.

Foto: Ricardo Campos

Com o processo de impeachment da presidenta Dilma encaminhado em Brasília, se esperava um número tão grande nas ruas quanto o visto nas primeiras marchas no começo do ano. Porém, foi o oposto que aconteceu.

Muito se deve ao fato de que tais movimentos de direita buscaram apoio em todo o ano de 2015 em figuras que já não representam mais legitimidade política, como o deputado e presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). Acusado de inúmeros casos de corrupção, Cunha já não conta com o apoio da opinião pública, e nem de sua base eleitoral.

A realidade é que movimentos como o MBL perderam força por conta disso, mostrando uma espécie de indignação seletiva que faz crescer uma desconfiança na legitimidade do próprio movimento e de seus líderes.

Apesar de tudo, os protestos de domingo ainda conseguiram superar os de ontem em nível nacional, registrando pelo menos uma vitória aos grupos pró-impeachment — principalmente pelo fato de que sindicatos como a CUT e movimentos sociais como o MST possuem força de organização e mobilização maior do que os grupos pró-impeachment em todo o Brasil, e mesmo assim não conseguiu mobilizar multidões em estados importantes do Nordeste, por exemplo.

Agora, resta esperar chegar o ano de 2016 para acompanharmos o final dessa novela — que pode ser adiada mais uma vez, talvez até 2018.

By Democratize on December 17, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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