Quem acompanhou a votação pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff na televisão neste domingo (17) teve a sensação de estar…

Pela família, por Deus e contra o aborto: os votos pró-impeachment

Pela família, por Deus e contra o aborto: os votos pró-impeachmentQuem acompanhou a votação pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff na televisão neste domingo (17) teve a sensação de estar…


Pela família, por Deus e contra o aborto: os votos pró-impeachment

Manifestante carrega bandeira contra o aborto em protesto no Distrito Federal, no domingo de votação | Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Quem acompanhou a votação pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff na televisão neste domingo (17) teve a sensação de estar sintonizado em algum canal evangélico. A máquina institucional brasileira demonstrou estar longe de ser laica, e com isso, carrega sinais de atraso e populismo religioso.

O Brasil, enfim, conheceu o seu Congresso.

E parece não estar muito satisfeito com isso — pelo menos é o que indica as redes sociais.

Talvez um dos principais motivos disso seja a transformação de uma votação política em uma batalha de egos, além de ter um clima extremamente religioso — ou pelo menos algo distantemente parecido com isso.

Quem sintonizou a TV ontem, acompanhando a votação na Câmara dos Deputados, teve a sensação de ter ligado em um canal de culto evangélico. Talvez no horário nobre da TV Globo nunca se tenha ouvido tanto as palavras “Deus” e “Família” como neste domingo. É de se fazer inveja no seu maior concorrente, a TV Record do bispo Edir Macedo.

Não por acaso, o conservadorismo desse Congresso brasileiro acaba sendo um reflexo do setor mais radical e extremista dos manifestantes de direita pelo impeachment. Aqueles que acamparam por semanas em frente ao prédio da Fiesp em São Paulo, chegando a espancar um rapaz apenas por defender sua amiga, despolitizada, que infelizmente usava um vestido vermelho.

E não precisava ir longe para ver esse reflexo. Nosso fotógrafo em Brasília, Gustavo Oliveira, flagrou uma manifestante pró-impeachment segurando uma bandeira do Brasil modificada. Ao invés dos dizeres ‘Ordem e Progresso’ estava a frase ‘Brasil sem aborto’. Ao invés das estrelas que representam cada estado estava a imagem de um bebê.

Esse setor mais radical dos manifestantes ainda é minoria.

Mas a capacidade de articulação de seus representantes políticos é tão grande que acabam conseguindo maior representatividade. Utilizam do populismo e da máquina religiosa para angariar votos de famílias mais pobres, que apesar de não acreditar necessariamente na classe política, enxerga nele “um homem de Deus”.

O humorista Danilo Gentili, conhecido por suas piadas contra minorias, sendo tietado em manifestação na Paulista | Foto: Wesley Passos/Democratize

Não por acaso, esse setor político reacionário é alimentado por um subsetor de ‘ativistas políticos’ de Facebook, que com um grande número de seguidores, consegue fazer seu papel de conciliador de ideias. Um deles é o humorista Danilo Gentili, famoso por suas piadas contra minorias.

Tietado na manifestação deste domingo na Avenida Paulista, o humorista acredita que “se a Dilma cair, os próximos serão Cunha e Temer”. Incapaz de enxergar a realidade por trás do que realmente acontece, acaba acreditando cegamente na própria mentira, na própria farsa.

Enquanto isso, os deputados continuavam declarando seu voto pelo “SIM”, dedicando cada minuto para suas esposas, famílias e filhos. Por Deus, pela propriedade privada, pelo Brasil.

São os mesmos que defendem a liberação do uso de armas de fogo no país. Os mesmos, em sua maioria, são investigados pela operação Lava Jato.

O deputado Jair Bolsonaro (PSC), ovacionado em Brasília e em São Paulo, dedicou seu voto aos militares e torturadores de 1964. Não virou notícia. Porém, o cuspe do deputado Jean Wyllys (PSOL) contra Bolsonaro viralizou nas redes sociais e na mídia corporativa. Para quem já se acostumou com vidro de banco quebrado recebendo mais atenção do que manifestante ferido pela polícia, isso não é novidade.

Os deputados Maluf (PP) e o próprio Eduardo Cunha (PMDB), enquanto votavam, recebiam aplausos dos manifestantes no carro de som do Movimento Brasil Livre, na Paulista.

Se a intenção era lutar contra a corrupção, começamos com o pé errado.

Foto: Wesley Passos/Democratize

By Democratize on April 18, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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