Foto: Juan Barreto/AFP

Parlamento tenta afastar Maduro na Venezuela, mas população reage

Em uma clara tentativa de se aproveitar de uma viagem do presidente Nicolás Maduro ao Oriente Médio, deputados da oposição afirmaram que o líder venezuelano havia “abandonado o cargo”; enquanto a suspensão do referendo revogatório contra Maduro era discutida, população invadiu e ocupou o Parlamento

Cerca de 14 anos atrás, a Venezuela vivia um clima de incerteza parecido: o então presidente Hugo Chávez, enfrentava sua primeira onda de manifestações articulada pela oposição ao seu governo. Em determinado momento da crise, militares articularam um golpe de Estado contra Chávez — que durou exatamente um dia.

Em resposta, a população cercou o palácio do governo em Caracas, exigindo o retorno do presidente. Nos quartéis, uma mobilização de reação ao golpe possibilitou o retorno de Cháves ao poder.

Desta vez, a tentativa de afastar um presidente chavista na Venezuela não partiu dos militares — e sim dos parlamentares.

Com grande maioria no Parlamento, a oposição tentou se aproveitar da viagem do presidente Nicolás Maduro ao Oriente Médio para tornar vago o cargo da presidência da Venezuela.

Tudo ocorria durante um debate neste domingo (23) sobre a suspensão do referendo revogatório contra Maduro. A sessão já havia causado polêmica nos dias anteriores, quando foi divulgado que neste domingo o debate seria em torno da “necessidade de restituir a ordem constitucional e democrática”, segundo a própria agenda do Parlamento.

Durante a sessão, um dos líderes da oposição — Ramos Allup — chegou até mesmo a discutir a necessidade de um “julgamento político” contra Maduro. Segundo os oposiconistas, Maduro havia abandonado o cargo da presidência — ignorando o fato do presidente estar em viagem oficial no Oriente Médio.

Enquanto o debate acontecia, trabalhadores apoiadores de Maduro questionavam a legalidade da sessão. Em determinado momento, os manifestantes conseguiram invadir o prédio, decidindo ocupar o Parlamento contra o que alegavam ser uma “tentativa de golpe”.

O oposicionista Ramos Allup foi forçado a suspender a sessão, convocando o líder do governo para uma reunião em portas fechadas. Deputados governistas ainda tentaram impedir a ocupação — sem sucesso.

A situação na Venezuela, tanto politicamente como economicamente é dramática.

Recentemente, o Conselho Nacional Eleitoral adiou por tempo indeterminado a coleta de quatro milhões de assinaturas para a realização de um referendo sobre a continuidade ou não de Nicolás Maduro no cargo da presidência.

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