O relacionamento entre o ex-presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB), e o Movimento Brasil Livre é repleto de altos e baixos…

Parece que o MBL não gostou nada do pedido de prisão para Cunha

Parece que o MBL não gostou nada do pedido de prisão para CunhaO relacionamento entre o ex-presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB), e o Movimento Brasil Livre é repleto de altos e baixos…


Parece que o MBL não gostou nada do pedido de prisão para Cunha

Reprodução/Google

O relacionamento entre o ex-presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB), e o Movimento Brasil Livre é repleto de altos e baixos. Uma vez amado, outra odiado, Cunha se tornou o malvado de estimação do grupo anti-PT e, nesta terça-feira (7), eles demonstraram sua insatisfação com o pedido de prisão contra Cunha, feito por Rodrigo Janot.


O impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff ficará marcado na história pela liderança de um político em específico durante todo o processo: o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB).

Os próprios defensores da saída de Dilma admitem: sem Cunha, todo esse processo não seria possível.

É claro que isso não agrada a imensa maioria da população que não concorda com as práticas irregulares aplicadas pelo deputado, com contas secretas na Suíça e dinheiro de propina em seu histórico.

Na realidade, a maioria dos próprios manifestantes anti-Dilma pensam da mesma forma.

Afinal, qual o sentido de protestar contra um governo que, em tese era corrupto, apoiando um deputado federal que se tornou o símbolo da corrupção e do que pior existe na política em Brasília?

O final da carreira política de Cunha fica cada vez mais próximo, principalmente com as notícias desta terça-feira (7).

O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão do ex-presidente da Câmara. O motivo teria sido as inúmeras tentativas do deputado barrar e manipular o jogo político dentro do Congresso, mesmo após ser afastado de seu cargo pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O “malvado favorito” da oposição ao governo Dilma tem colocado em prática a sua influência para retardar os trabalhos da Comissão de Ética que analisa o seu caso.

E adivinha quem parece não ter gostado nada disso?

O Movimento Brasil Livre, claro.

Não vai sair nenhuma nota em repúdio. Não vai ter manifestação na Paulista em defesa de Cunha. Os meninos do grupo wannabe-liberal são espertos.

Mas a indignação com a decisão de Rodrigo Janot é tão grande que, mesmo nos bastidores ou nas postagens do grupo no Facebook, fica claro a insatisfação em ver seu antigo aliado dentro da prisão.

Querendo de alguma forma “comparar” as gravações onde Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá falam em “estancar” a Lava Jato através de um impeachment ilegítimo em Brasília, com a do ex-presidente Lula e do ex-ministro Mercadante, o MBL tem um verdadeiro surto de raiva com o pedido de prisão feito por Rodrigo Janot.

Como não podem afirmar em público seu posicionamento de forma clara sobre o ex-presidente da Câmara, preferem atacar quem fez o pedido.

E claro, sobra espaço até para um pouco de lobby político para o presidente interino Michel Temer — agora aliado, mas caso seu nome acabe se envolvendo de forma mais dura nas investigações da Lava Jato, deverá ocupar o lugar de Cunha.

O maior erro da sociedade civil e principalmente da mídia tradicional (erro ou algo proposital?) foi acreditar que os movimentos que convocaram as manifestações pela saída de Dilma Rousseff realmente eram espontâneos.

O que já foi comprovado em reportagem do UOL que não é bem assim, detalhando o financiamento de grupos como o MBL por partidos da oposição.

Agora, talvez por conta de ofensiva da Justiça e da opinião pública contra o governo interino do PMDB, o MBL resolveu convocar uma nova manifestação para o final do mês.

Mas espera, é uma manifestação contra Temer? Não.

Ah, então é uma manifestação contra a tentativa de aliados do Temer de barrar a Lava Jato? Também não.

Então deve ser uma manifestação contra a corrupção representada pela figura de Eduardo Cunha e por esse Congresso. Hm. Não.

Eles querem voltar pra rua contra… Dilma.

Mas desta vez não vai ser fácil. A opinião pública já entendeu que o impeachment não vai resolver a questão política e econômica. Já entendemos que a corrupção vai além de qualquer sigla partidária, e até mesmo de siglas de “movimentos de rua”.

Não por acaso, segundo pesquisa do Ibope, mais de 60% da população defende novas eleições, e são poucos os que ainda batem na tecla do impeachment.

Caro Kataguiri, é hora de se retirar.

E deixar as ruas para quem sabe melhor ocupar: o povo. E vai ser contra Temer.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on June 7, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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