Foto: Divulgação

Para Safatle, justiça segue diferente padrão dependendo de partido

Em entrevista, o professor e filósofo da USP, Vladimir Safatle, disse que a denúncia contra o ex-presidente Lula (PT) não segue o mesmo padrão feito com outros políticos investigados sobre corrupção: “Após o impeachment de Dilma, era preciso banir a principal ameaça de 2018, e as chances do ex-presidente ganhar a disputa são enormes. Isso era uma crônica de morte anunciada”.

Enquanto boa parte dos intelectuais da esquerda brasileira preferem não criticar tão diretamente o ex-presidente Lula sobre as acusações de corrupção, o professor e filósofo Vladimir Safatle, da USP, seguiu um tom diferente.

Em entrevista ao site UOL, Safatle afirmou que a denúncia contra Lula é justa, porém com forte interesse eleitoral: “Aqueles que aplaudem a ação defendem que Lula fez a escolha de prática política e agora recebe as consequências pela complacência com o modo de governar baseado na corrupção. Já os que criticam apontam a ação como sendo eleitoralmente interessada. Mas ambos os lados têm razão”, afirmou o professor da USP.

Para o filósofo, trata-se de uma escolha de Lula logo no começo de seu governo em 2002, abandonar algumas práticas defendidas pela esquerda de seu próprio partido e partir para a institucionalização do PT, através de alianças questionáveis que levaram ao processo de impeachment de Dilma Rousseff neste ano.

“Lula fez suas escolhas e paga por elas. Mas a ausência de simetria e parcialidade quebra a moralização. É muito triste, inclusive, ver moralidade sendo usada de forma tão interessada”, diz Safatle.

Foto: Ricardo Stuckert

Em outro trecho da conversa, o professor toca no fato da corrupção no Brasil ter se transformado em algum “exclusivo” de um só partido, ignorando os casos talvez ainda mais graves em torno de siglas como PSDB e o próprio PMDB, do presidente Michel Temer.

E essa série de ataques contra o PT e o ex-presidente Lula vão além da moralidade, tendo como objetivo eliminar a figura do petista para as eleições de 2018: “Após o impeachment de Dilma, era preciso banir a principal ameaça de 2018, e as chances do ex-presidente ganhar a disputa são enormes. Isso era uma crônica de morte anunciada”.

Segundo Safatle, a lição vai além do Partido dos Trabalhadores, e serve para todos os setores da própria esquerda no Brasil.

“A principal lição para a esquerda brasileira é a consequência de quando se abre mão do comprometimento político. Ela se rendeu à corrupção sistemática vista como condição para governabilidade”, disse o filósofo para o UOL.

Safatle chegou a ser pré-candidato ao governo do estado de São Paulo pelo PSOL, em 2014. Mas por causa de decisões internas, o nome escolhido foi o do professor Gilberto Maringoni, causando polêmica e discussão dentro da sigla. Para muitos críticos do partido, o PSOL fazer alianças com outras siglas questionáveis é repetir o erro já cometido pelo PT desde 2002.

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