Durante o quinto protesto seguido contra Michel Temer (PMDB) em São Paulo, a Polícia Militar proibiu o ato com 5 mil pessoas de sair do…

Para eliminar protestos, Alckmin passa por cima da Constituição

Para eliminar protestos, Alckmin passa por cima da ConstituiçãoDurante o quinto protesto seguido contra Michel Temer (PMDB) em São Paulo, a Polícia Militar proibiu o ato com 5 mil pessoas de sair do…


Para eliminar protestos, Alckmin passa por cima da Constituição

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Durante o quinto protesto seguido contra Michel Temer (PMDB) em São Paulo, a Polícia Militar proibiu o ato com 5 mil pessoas de sair do Largo da Batata, local de concentração. Segundo o próprio comandante da operação, tal decisão “não dependia dele”.


Após uma semana agitada de manifestações em São Paulo contra o presidente Michel Temer, nesta sexta-feira não poderia ser diferente.

Organizado por mulheres negras com o objetivo de questionar a legitimidade do atual governo diante das minorias, o protesto conseguiu reunir pelo menos 5 mil pessoas, mesmo após a repressão desproporcional dos dias anteriores, além da tendência de maior violência nos próximos dias.

Porém, o protesto não caminhou.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Após variadas tentativas de diálogo com o comando da Polícia Militar, após mais de duas horas de concentração o protesto acabou se dispersando. O motivo foi a postura adotada pela Secretaria de Segurança Pública: sem aviso prévio, nenhuma manifestação deve acontecer na cidade.

Tal medida foi um pedido pessoal do atual Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que foi secretário da SSP durante o ano de 2015 até a posse de Michel Temer na presidência interina no mês de maio.

Os manifestantes até tentaram convencer o comandante da operação a mudar de ideia. E ele tentou. Por variadas vezes, disse que iria conversar com o alto escalão da Polícia Militar, na tentativa de viabilizar a caminhada dos manifestantes até a Praça Benedito Calixto.

Em entrevista ao Democratize, ele explicou a situação:

Após a decisão final do comando da PM no ato, as organizadoras resolveram cancelar a manifestação, temendo pela vida das 5 mil pessoas presentes no Largo da Batata.

Porém, a decisão não foi muito bem recebida pela maioria dos manifestantes.

Parte desse grupo resolveu caminhar de forma isolada pela calçada da Rebouças, com o objetivo de trancar a Marginal Pinheiros. E conseguiram.

Mas não demorou muito para a Polícia Militar perceber o drible dado pelos manifestantes, começando mais uma caçada contra o protesto. Pelo menos 10 pessoas foram presas pelos policiais, além de um cinegrafista da Rede Bandeirantes, que foi atropelado por um carro durante a ocupação da Marginal pelos manifestantes.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

O fato da Polícia Militar não permitir manifestações “sem aviso prévio” já havia sido utilizado neste ano, quando o Movimento Passe Livre foi perseguido no mês de janeiro, nas manifestações contra o aumento das passagens no transporte público.

Inconstitucional, a medida é meramente política.

No mês de março, após o vazamento das conversas entre os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, manifestantes de grupos ligados ao PSDB e PMDB ocuparam a Avenida Paulista por cerca de 48 horas, sem qualquer aviso por parte dos organizadores para as autoridades.

Apenas no terceiro dia, quando haviam poucos manifestantes no local, a Polícia Militar utilizou bombas de efeito moral e canhões de água para dispersar o grupo. Mesmo assim, um dia antes, o então secretário Alexandre de Moraes foi pessoalmente tentar dialogar com os organizadores do protesto — sem sucesso, sendo expulso do local.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Para muitos, trata-se de uma tática adotada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) na tentativa de enfraquecer a mobilização que dura desde segunda-feira (29), quando manifestantes convocados pela Frente Povo Sem Medo protestavam durante a presença de Dilma Rousseff no Senado Federal.

Para o domingo, esperava-se até mesmo a presença das Forças Armadas na Avenida Paulista, onde mais um protesto foi marcado. Porém, após a reunião entre os organizadores e governo do estado com mediação do prefeito Fernando Haddad (PT), a Frente Povo Sem Medo decidiu “atrasar” a concentração em cerca de duas horas, tempo que seria usado para atravessar a tocha paraolímpica na avenida, dispensando a necessidade de uso do Exército para manter a ordem.

By Democratize on September 3, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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