Páginas de extrema-direita no Facebook, que costumam ter um fluxo de compartilhamentos e comentários acima do padrão, espalham…

Páginas de extrema-direita incentivam ódio contra jovem que sofreu estupro coletivo

Páginas de extrema-direita incentivam ódio contra jovem que sofreu estupro coletivoPáginas de extrema-direita no Facebook, que costumam ter um fluxo de compartilhamentos e comentários acima do padrão, espalham…


Páginas de extrema-direita incentivam ódio contra jovem que sofreu estupro coletivo

Foto: Bárbara Dias/Democratize

Páginas de extrema-direita no Facebook, que costumam ter um fluxo de compartilhamentos e comentários acima do padrão, espalham questionamentos sobre o estupro coletivo sofrido por uma jovem no Rio de Janeiro, chegando a falar sobre uma possível “armação feita pelo PSOL”. Influenciados, seguidores praticam ódio contra a jovem em comentários.


“Quem arquitetou [o estupro coletivo] foi o PSOL, que é o PT pintado de rosa, da qual a Mária do Rosário pertence”.

O comentário acima foi publicado pelo próprio administrador da página ‘Bolsonaro Opressor 2.0’, que exalta a figura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), conhecido por seu posicionamento polêmico diante de questões envolvendo minorias — principalmente a comunidade LGBT.

Questionamentos sobre o estupro coletivo sofrido por uma jovem no Rio de Janeiro nos últimos dias tem sido um padrão nas páginas de extrema-direita no Facebook.

Com mais de 860 mil curtidas no Facebook, a página ‘Bolsonaro Opressor 2.0’ é uma delas.

Reprodução/Facebook

No primeiro post, a página afirma que o estupro coletivo não aconteceu, mencionando o protesto articulado por traficantes contra a jovem que sofreu os abusos.

Em outro post, a página defende o trabalho realizado pelo delegado Alessandro Thiers, afastado do caso após questionar a veracidade do abuso sofrido pela jovem. Em conversas pelo WhatsApp, Thiers já manifestava sua falta de isenção sobre o caso, afirmando que não houve estupro e que a jovem poderia ter sido influenciada pela ativista Sininho (Elisa Quadros) e pela advogada afastada Eloisa Samy.

Afastado por pedido de Eloisa, a própria polícia considerou Thiers inepto para o trabalho — mesmo assim, o delegado foi defendido por essas páginas.

Os questionamentos sobre a veracidade do estupro coletivo acabam levando os seguidores da página a praticarem comentários de ódio ainda mais violentos do que as próprias publicações.

Reprodução/Facebook

No primeiro comentário, um rapaz fala sobre a possibilidade da deputada federal Maria do Rosário (PT) ter “arquitetado o estupro coletivo”. O administrador da página ainda responde o comentário de forma mais absurda, afirmando a possibilidade do PSOL “estar por trás disso”.

O segundo comentário retrata as feministas como “feminazis” e rotula a imprensa como sensacionalista por ter dado atenção ao caso — esse tipo de comportamento será visto novamente em outra página.

O terceiro comentário afirma que “se todo homem tem dentro de si um estuprador”, um casal gay não poderia adotar filhos. O preconceito e comentários homofóbicos serão vistos novamente em outras publicações, mesmo que o caso não tenha especificamente nenhuma ligação com o tema.

O quarto e último comentário na página tenta criminalizar a jovem por ter participado de bailes funk e ser usuária de drogas, terminando comentando: “O que uma xereca não faz na vida de um homem? Destrói” — defendendo os mais de 30 homens envolvidos no estupro coletivo da jovem.

Mas até mesmo uma página que poderia ser considerada “mais institucional” fez questionamentos sobre o estupro coletivo sofrido pela jovem no Rio.

Reprodução/Facebook

A página ‘Amigos da Rota’ conta com mais de 700 mil curtidas.

Em suas publicações em dias normais, fotos e memes defendendo a violência policial como método padrão de segurança, além de criminalização de manifestantes de movimentos sociais e comunidades periféricas.

Na primeira publicação, a página questionou o foco da mídia no caso do estupro coletivo — rotulado como “suposto” estupro pelo administrador — e a falta de atenção jornalística na agressão sofrida por um policial durante a Parada LGBT em São Paulo no domingo.

Como citado acima, mesmo abordando um tema completamente diferente, a página ainda exibe posicionamentos homofóbicos.

O administrador afirma “não ter nada contra os gays”, dizendo que deseja até que “eles sejam felizes”. Mas depois fala sobre a “implantação de uma super raça”, se referindo aos homossexuais. A página ainda relaciona a Parada LGBT com o uso de drogas e sexo em vias públicas.

Na segunda publicação, em vídeo, a página tenta “desmantelar” a hipótese de estupro coletivo:

“Abordando o assunto que vem repercutindo bastante, sobre o tal do “estupro” e em geral, tirando dúvida das demais pessoas” — escreve a página no post, tentando mais uma vez desqualificar a versão da vítima e defendendo a hipótese de que não houve estupro.

Como na primeira página, esse tipo de abordagem sobre o caso acaba rendendo comentários ainda mais abusivos.

Reprodução/Facebook

No primeiro comentário, um jovem diz “estar de saco cheio sobre esta tal orgia” — negando o estupro como fato. O rapaz ainda diz que a mídia não dá atenção ao que realmente importa, se referindo ao caso da garrafa jogada na cabeça de um policial durante a Parada LGBT.

Posteriormente, policiais abordaram e agrediram com socos e pontapés o homem que jogou a garrafa no oficial. A postura foi defendida pela página.

No segundo comentário, as pessoas e a mídia precisam se preocupar “com quem cuida da nossa segurança”, e não com “essa piranha vadia que deu porque quis”.

Pesquisamos ainda duas outras páginas que seguem o mesmo padrão de publicações: Liberalismo da Zoeira, Movimento Endireita Brasil e Canal da Direita. Todos seguem o mesmo padrão de publicações, questionando a veracidade dos argumentos da jovem que sofreu os abusos, resultando em comentários ainda mais agressivos.

By Democratize on June 1, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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