No começo da semana, policiais descobriram um verdadeiro arsenal de armas brancas dentro do acampamento pró-impeachment em frente ao prédio…

Padrão utilizado para prender jovens não foi usado com manifestantes da Fiesp

Padrão utilizado para prender jovens não foi usado com manifestantes da FiespNo começo da semana, policiais descobriram um verdadeiro arsenal de armas brancas dentro do acampamento pró-impeachment em frente ao prédio…


Padrão utilizado para prender jovens não foi usado com manifestantes da Fiesp

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

No começo da semana, policiais descobriram um verdadeiro arsenal de armas brancas dentro do acampamento pró-impeachment em frente ao prédio da Fiesp. Questionados pela reportagem, um dos policiais afirmou que “como não houve flagrante, não existe prisão”. Ontem, secundaristas foram presos por portarem “objetos suspeitos”, mas sem qualquer flagrante de ação violenta.


Por Francisco Toledo

Pelo menos 16 jovens foram presos na tarde deste domingo (04) no Centro Cultural São Paulo (CCSP), sendo indiciados por “associação criminosa”. A maioria eram secundaristas, que haviam se reunido no local poucos minutos antes da manifestação contra o presidente Michel Temer começar na Avenida Paulista.

Todos foram encaminhados para o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminosas), portando (segundo a PM) máscaras, pedras, um celular supostamente roubado e diversos objetivos que seriam “utilizados em atos de vandalismo”.

O problema é que não houve flagrante ou resistência por parte dos jovens.

Em uma situação similar, no começo da semana passada, a reportagem da Agência Democratize flagrou um grupo de manifestantes pró-impeachment, que estavam acampados em frente ao prédio da Fiesp, agredindo manifestantes anti-Temer na Avenida Paulista, com pedaços de madeira e ferro.

No dia seguinte, nossa reportagem denunciou a existência de armas brancas dentro do acampamento, forçando os policiais a realizarem uma vistoria dentro das barracas. Minutos depois, um grande arsenal de armas brancas como pedaços de madeira, ferro e facas foram encontrados. Porém, não houve qualquer prisão — mesmo tendo relatado pelos jornalistas que aquele grupo havia agredido pessoas no dia anterior.

Segundo um dos policiais presentes, “como não houve flagrante, não existe prisão”.

Vídeo mostra a ação dos acampados agredindo manifestantes com armas brancas encontradas dentro das barracasNeste vídeo, é possível ver a abordagem da PM com os acampados

Portanto, trata-se de uma tentativa criminosa do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) de criminalizar as manifestações contra o presidente Michel Temer.

Primeiro por querer encontrar “culpados” por supostos atos de vandalismo, que nem ao menos aconteceram — ou que não existem provas sobre tais jovens terem praticado atos similares, a não ser a existência de objetos que são menos graves do que aqueles encontrados dentro do acampamento.

Segundo por aplicar uma política baseada no medo para a população. Ou seja, além de ordenar a repressão aleatória contra os manifestantes durante todos os 6 protestos que aconteceram durante a semana, a Secretaria de Segurança Pública agora quer agir de forma ilegal, com prisões questionáveis e ações de “inteligência” que visam enfraquecer os protestos.

Atitude similar foi feita em 2014, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, para enfraquecer e esvaziar as manifestações contra a Copa do Mundo. Na época, mais de 20 ativistas foram presos e perseguidos no Rio, enquanto Fábio Hideki e Rafael se tornaram os “alvos” do governo tucano de São Paulo, caracterizados como “lideranças do grupo black bloc”.

Sem provas concretas, ambos os casos acabaram se enfraquecendo após o evento.

Enquanto isso, a jovem Deborah Fabri continua cega de um olho após ter sido violentada por policiais em São Paulo. Mas, onde está a investigação sobre esse caso? Por que manifestantes são punidos por atos que nem foram praticados, enquanto agentes públicos continuam sendo poupados pelo Estado?

Manifestante ferido após tiro de bala de borracha, neste domingo (4) | Foto: Gustavo Oliveira/Democratize


Francisco Toledo é co-fundador e escritor pela Agência Democratize em São Paulo

By Democratize on September 5, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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