Neste domingo (5), os eleitores suíços rejeitaram a proposta de renda mínima equivalente a R$9 mil para todos os cidadãos. Ao mesmo tempo…

Os suíços rejeitaram a renda mínima; mas não seus direitos e sua democracia direta

Os suíços rejeitaram a renda mínima; mas não seus direitos e sua democracia diretaNeste domingo (5), os eleitores suíços rejeitaram a proposta de renda mínima equivalente a R$9 mil para todos os cidadãos. Ao mesmo tempo…


Os suíços rejeitaram a renda mínima; mas não seus direitos e sua democracia direta

Reprodução/Google

Neste domingo (5), os eleitores suíços rejeitaram a proposta de renda mínima equivalente a R$9 mil para todos os cidadãos. Ao mesmo tempo, o Estado de Bem Estar Social no país se fortalece, com uma democracia direta que impede políticas neoliberais e de austeridade.


A mídia brasileira tocou bastante nas últimas semanas sobre a “polêmica” proposta que garantiria renda básica para todos os cidadãos da Suíça, no valor de R$9 mil.

No final das contas, os eleitores rejeitaram a proposta com 77% contra e apenas 23% a favor.

Mas isso não significa, de forma alguma, que o país europeu começa a negar as políticas de bem estar social, característica chave de seu desenvolvimento histórico como nação desenvolvida.

Os próprios defensores do projeto argumentam que, com a Suíça forte em políticas públicas contra a desigualdade social e baixa taxa de desemprego (cerca de 4%), o projeto era uma oportunidade de experimentar “uma velha utopia”.

“Na Suíça, mais de 50% do total do trabalho realizado não é pago. É trabalho de assistência, trabalho em casa, em diferentes comunidades, que seria valorizado com uma renda básica”, explica o ativista do grupo Renda Básica Suíça, Che Wagner.

Na realidade, a Suíça está longe de ser o “paraíso político e econômico” para aqueles que desejam um Estado encolhido e com pouca regulamentação na econômica. Pelo contrário.

As despesas com Bem-Estar no país, sem contar a Educação, contam com 26,4% de todo o seu PIB (Produto Interno Bruto). Se formos incluir a Educação, o número chega a 31,6%. Esse número só pode ser comparado com o do Brasil se formos considerar o pagamento de dívidas para investidores e agentes externos (bancos, por exemplo) — o Brasil gasta 47% de todo o seu orçamento anual com o pagamento de dívidas. Já a Suíça, gasta quase essa porcentagem com programas sociais e de responsabilidade pública.

Vale lembrar também do próprio sistema de Educação, fortalecido pelo Estado.

Apesar de apenas 2 universidades serem “federais” na Suíça, as outras 10 principais do país pertencem ao poder público — como se fossem universidades estaduais, por exemplo.

Tudo isso é possível por conta do sistema de democracia direta.

Com referendos constantes, é a população que decide o destino de projetos como a renda mínima. Ou seja, não se trata de uma novidade.

Todo e qualquer projeto que vá impactar a maioria da população — ou apenas uma parcela dela — é redirecionado para os próprios cidadãos decidirem se deve ser aprovado ou não. Por exemplo: no domingo, além de votar pelo projeto da renda mínima, os suíços também escolheram a aprovação ou não de outros 2 projetos. Entre eles uma proposta para que executivos de empresas públicas não possam ter salários mais altos que ministros do governo (rejeitada) e outra que permite testes genéticos em embriões em processos de fertilização in vitro envolvendo pessoas com doenças hereditárias (aprovada).

Os suíços podem ter dito não para uma “utopia” neste domingo.

Mas na realidade, a mídia brasileira e boa parte dos setores políticos no Brasil consideram os benefícios sociais e o sistema suíço que já existem como “utópico” para nós.

Um Estado de Bem Estar Social que deu certo e uma democracia cada vez mais representativa.

By Democratize on June 6, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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