“Muito além do Foro de São Paulo”: organizações estrangeiras como a Students for Liberty financiaram atividades e grupos estudantis dentro…

ONGs estrangeiras financiam “atividades” de direita em universidades do Brasil

ONGs estrangeiras financiam “atividades” de direita em universidades do Brasil“Muito além do Foro de São Paulo”: organizações estrangeiras como a Students for Liberty financiaram atividades e grupos estudantis dentro…


ONGs estrangeiras financiam “atividades” de direita em universidades do Brasil

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

“Muito além do Foro de São Paulo”: organizações estrangeiras como a Students for Liberty financiaram atividades e grupos estudantis dentro de universidades brasileiras. Ações para brecar greves e até mesmo atuações violentas, como foi o caso na UnB, começam a surgir.


Durante os protestos contra a presidente afastada Dilma Rousseff nos 2 últimos anos, muito se falou sobre o chamado “Foro de São Paulo”.

Para os manifestantes, tratava-se de uma organização que tinha como objetivo colocar em prática seu “plano bolivariano marxista” no Brasil e na América Latina, através de doutrinação ideológica na imprensa, escolas, universidades e afins.

Na verdade o Foro de São Paulo é algo bem distante disso.

Mas, para a surpresa dessa parcela de insatisfeitos com o governo Dilma, é um grupo do outro lado ideológico que tem colocado em prática a chamada “doutrinação política”, além de financiar atividades para expandir o seu pensamento dentro de universidades.

Meses atrás, a Agência Democratize publicou uma reportagem relatando a forma como o Movimento Brasil Livre, um dos principais grupos anti-petismo, se financiou para conseguir arcar com as grandes manifestações e viagens. Criado como uma célula de atuação da Estudantes pela Liberdade, só no ano de 2015 foram repassados mais de R$300 mil para as atividades do MBL. Os integrantes negam, porém não admitem a possibilidade de abrir o caixa do grupo e mostrar quem são os doadores.

Foto: Alice V/Democratize

“No primeiro ano, a gente teve mais ou menos R$ 8 mil, o segundo foi para R$ 20 e poucos mil, de 2014 para 2015 cresceu bastante. A gente recebe de outras organizações externas também, como a Atlas. A Atlas, junto com a Students for Liberty, são nossos principais doadores. No Brasil, as principais organizações doadoras são a Friederich Naumann, que é uma organização alemã, que não são autorizados a doar dinheiro, mas pagam despesas para a gente. Então houve um encontro no Sul e no Sudeste, em Porto Alegre e Belo Horizonte. Eles alugaram o hotel, a hospedagem, pagaram a sala do evento, o almoço e o jantar. E tem alguns doadores individuais que fazem doação para a gente”, disse Juliano Torres, diretor executivo do Estudantes pela Liberdade e um dos fundadores do MBL, para reportagem da Agência Pública em 2015.

A rede de “investimentos” tem se tornado cada vez maior, com foco na atuação dentro das universidades públicas do país: além do EPL, outros grupos como Instituto Ordem Livre, Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (ligado ao Opus Dei), Millenium (fundado por figuras como Armínio Fraga), Instituto de Estudos Empresariais (IEE), entre outros.

Para se ter uma ideia, o Instituto Millenium foi fundado no ano de 2006, como forma de articular uma oposição econômica ao governo Lula, que na época estava no auge de seus programas sociais e distribuição de renda. Para manter as atividades do grupo, organizações como Gerdau, Editora Abril, Pottencial Seguradora e Bank of America Merrill Lynch financiam diretamente o caixa do instituto anualmente.

Foto: Davis Turner/Bloomberg

Hoje, o EPL continua sendo o principal articular e recebedor de investimentos estrangeiros no Brasil. Em apenas três anos, o grupo já conta com mais de 600 membros, e desejam aumentar ainda vez o número: com o objetivo de doutrinar ideologicamente estudantes no ensino médio e universitário, foi criado o ‘Programa de Coordenadores dos Estudantes pela Liberdade’. A ideia é levar atividades do EPL em universidades e escolas nas quais o grupo não possui lideranças ou células de atuação.

Na Universidade de Brasília, tanto o EPL quanto outros grupos liberais contam com núcleos de atuação. E foi lá que aconteceu o episódio mais lamentável de violência recentemente.

Um grupo formado por dezenas de pessoas atacou universitários grevistas dentro do campus, com bombas e spray de pimenta. O objetivo do grupo, como mostra a reportagem da Mídia NINJA, era depredar o Centro Acadêmico de Sociologia, formado em maioria por estudantes ligados a grupos de esquerda.

Um estudante que estava no momento das agressões admitiu ter visto um integrante do grupo ‘Aliança pela Liberdade’, que é o núcleo de atuação do EPL dentro da UnB. “O Bertone [Gabriel, DCE da UnB] é fechado com aquele grupo que cometeu tal atrocidade, todo mundo sabe disso. Além de receber do EPL para atuar dentro da universidade, ainda apoiam e sustentam atividades de grupos criminosos como o Escola sem Partido, atirando bombas em seus próprios colegas”, disse o aluno do Centro Acadêmico de Sociologia, que preferiu não se identificar.

Professor de Ciência Política na universidade, Luis Felipe Miguel postou em sua página no Facebook: “A Universidade de Brasília se tornou — infelizmente — um laboratório da extrema-direita. Há tempos o DCE é controlado pela ‘Aliança pela Liberdade’, que ocupa localmente a posição do grupo Estudantes pela Liberdade, braço nacional da Students for Liberty. […] Estreitamente associados ao movimento ‘Escola sem Partido’, eles difundem a ideia de que a universidade precisa ser salva dos “comunistas” que a infestam. Têm utilizado estratégias de intimidação contra professoras/es e estudantes, que crescentemente passam de verbais a físicas”.

Assim como na Venezuela, onde um estudante universitário recebeu cerca de U$500 mil do Instituto Cato pelo seu papel na mobilização de protestos contra a suspensão da emissora privada RCTV, um membro do Movimento Brasil Livre também foi lembrado — em premiação feita pela própria Students for Liberty nos Estados Unidos. O universitário Julio Cezar Lins, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), recebeu o prêmio de “Student of the Year” na conferência da ONG estrangeira. Em seu discurso, Lins disse que espera ver o Brasil “prosperar com uma carga tributária menor, menos burocrática e com mais liberdade econômica”.

Na realidade, segundo informações de dissidentes da Students for Liberty no Equador, a premiação é uma forma de financiar as atividades de grupos políticos ligados ao SFL em países específicos — como foi o caso de Lins, uma das lideranças do MBL e do EPL nacionalmente.

Estima-se que pelo menos U$45 milhões foram investidos por ONGs estrangeiras na Venezuela, na tentativa de articular a atuação de grupos estudantis dentro das universidades do país contra o governo chavista. No Brasil, ainda não existe uma estimativa exata, por conta da variedade de grupos que atuam em segmentos diferentes.

By Democratize on June 22, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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