O Democratize foi pra rua com os estudantes para ouvir o lado deles da história, diante do possível fechamento de quase mil escolas em todo…

Onde vamos estudar no ano que vem?

Onde vamos estudar no ano que vem?O Democratize foi pra rua com os estudantes para ouvir o lado deles da história, diante do possível fechamento de quase mil escolas em todo…


Onde vamos estudar no ano que vem?

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

O Democratize foi pra rua com os estudantes para ouvir o lado deles da história, diante do possível fechamento de quase mil escolas em todo o estado. Acompanhamos a manifestação desta terça-feira (20), que reuniu mais de 5 mil pessoas no centro de São Paulo.

Sol a pino na praça Roosevelt, 34 graus ao meio dia. Em frente à escola estadual Caetano de Campos, alguns alunos se aglomeram no portão. Percussão, faixas e camisetas com mensagens. Lucas, líder do grêmio estudantil, tem em mãos um megafone. Articulado, o jovem tenta angariar mais colegas da escola a participarem da “aula na rua”. Aos gritos de “Vem para a rua, vem”, o sucesso é parcial. A maioria de seus colegas opta por transpassar o portão normalmente.

Motos da ROCAM surgem repentinamente. Um dos policiais percebe que Lucas está na entrada da escola e o chama para uma conversa, com ar de poucos amigos. Lucas nos conta que o policial foi solicitado para desobstruir o portão, que haveria ‘borracha’ caso qualquer tipo de bloqueio permanecesse daquela forma. A conversa termina sem maiores problemas, enquanto o outro PM pergunta gentilmente quem sou eu, para um pouco depois também se queixar dos salários e sucateamento da corporação. Não está fácil para ninguém.

Lucas, líder do grêmio estudantil | Foto: Wesley Passos/Democratize

Uma professora do colégio, que não quis se identificar, nos detalha os problemas. As informações, ainda que desencontradas, dizem que o governo vai manter cada escola com apenas um ciclo. Isto é, se uma escola possui mais de um ciclo, esta vai provavelmente perder um deles e receber alunos de outro colégio. Como comportar esses novos alunos? O quão fácil será a locomoção desses alunos para suas novas escolas? Como será resolvido o conflito da oferta duplicada de professores da mesma matéria?

Mesmo se houvesse a anuência de professores e alunos, o esforço já seria homérico para realocar tantas pessoas e informar corretamente pais e familiares. Em uma janela de tempo tão curta, as chances de essa mudança acontecer de forma organizada e sem grandes prejuízos são nulas.

Praça da República, duas horas da tarde. O calor não cede. A aglomeração ainda é pequena, mas pode-se ver alunos de diversas faixas etárias e uma participação de professores e da APOESP, em bem menor número que durante a greve.

Foto: Wesley Passos/Democratize

“Você trouxe algo para se proteger do gás lacrimogênio?”. Sem contar a Paulista em 2013, é minha primeira vez no meio do furacão. A pergunta me causa estranhismo, pois há crianças, adolescentes e um clima sereno entre todos, inclusive com a polícia. “É assim mesmo, tudo pega fogo de repente”, um dos colegas me explica sorrindo e eu tento fingir calma.

O professor de ciências João Militão, do coletivo Construção, traz consigo o pequeno Jorge, com não mais de um ano de idade. Ele é professor da chamada ‘categoria O’, que não possui estabilidade em seu emprego. Com essas mudanças, João fica mais perto de não ter onde lecionar no ano que vem, pois há um sentimento de que todos os professores dessa categoria serão dispensados, aproveitando a ocasião.

Fugindo dos raios solares, encontramos com D. que, com fala um pouco mais dura. Cita o cooperativismo anárquico, a queima de ônibus e que a violência do estado deve ser sim combatida com violência do povo. Nesse momento eu me lembro da conversa do gás lacrimogêneo e me preocupo. D. também faz uma interessante observação: se é para fechar as escolas dessa forma, melhor seria fechá-las todas, ou mesmo privatizá-las.

Professor de Ciências, João Militão | Foto: Wesley Passos/Democratize

O professor Manuel vem de São Vicente. Com quase duas décadas de carreira, não tem seu emprego ameaçado. Sua escola também não está na lista das afetadas. Ele está aqui com seus alunos para dar apoio aos colegas. Faz a comparação que circula na internet: construção de presídios versus fechamento de escolas. Mesmo uma frase bem manjada, parece haver uma lógica: se ambas instituições estão superlotadas, por que só construir de uma e não da outra?

Vou embora com a mesma sensação com a qual cheguei: não sei exatamente o porquê e muito menos como o governo quer executar essa mudança, ainda mais sem piorar o ensino atual. Exatamente a impressão de muitos alunos e professores.

Veja o vídeo produzido pelo Democratize, com imagens de Wesley Passos e Fernando DK, e reportagem de Paulo Silveira:


Paulo Silveira é escritor pela Agência Democratize, trabalha com computação no dia a dia e é um curioso dos movimentos democráticos

By Democratize on October 21, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: